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Liga dos Campeões da UEFA

Cristiano Ronaldo elogia Messi e quebra o gelo: 'ainda não jantamos juntos'

17:43 BRT 29/08/2019
Messi Ronaldo UCL draw Monaco
Durante a cerimônia que definiu os grupos desta Champions League, a cena histórica roubou os holofotes

Lançado em 2013, o filme “Rush” fez grande sucesso ao contar uma das maiores rivalidades na história da Fórmula 1: de um lado o narcisista James Hunt, do outro o cerebral Niki Lauda. Ambos competentíssimos. O longa é ambientado especialmente na temporada de 1976, ápice da disputa entre o inglês e o austríaco pelo título, e uma das cenas finais mostra uma conversa na qual as animosidades são substituídas pelo respeito mútuo, além da gratidão. Afinal de contas, a extrema competitividade tirou o máximo das capacidades de cada um e ambos entraram para a história.

Enquanto o filme estourava nas salas de cinema, nos campos de futebol Cristiano Ronaldo e Messi viviam o auge da disputa individual para ver qual deles seria o melhor jogador do mundo. A rivalidade começou em 2009, ano em que o Barcelona de Messi conquistou a Champions League sobre o Manchester United de Cristiano, fazendo com que o argentino tomasse do português a Bola de Ouro. Contudo, ela atingiu níveis jamais pensados a partir do momento em que o luso se transferiu para o Real Madrid, no ano seguinte. Apoiados por outros fatores alheios, os camisas 10 e 7 personificaram, mesmo não sendo catalão ou espanhol, a rivalidade mais falada do Esporte Bretão: o El Clásico ficou mais intenso do que nunca.

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A partir daquela temporada 2009-10, a primeira de CR7 na Espanha, Real Madrid e Barcelona conquistaram seis dentre dez edições da Champions League – quatro para os Blancos, duas para os catalães. Em La Liga, os duelos eram tão emocionantes quanto tensos e a disputa seguia em outras rodadas. Messi fazia um hat-trick num jogo? Cristiano Ronaldo sentia-se obrigado a fazer o mesmo quando entrasse em campo e vice-versa. Embora houvesse pouca interação direta entre os astros, era quase impossível citar um sem fazer uma comparação com o outro.

Ápice da rivalidade com Barcelona e Real Madrid (Foto: Getty Images)

Enquanto a disputa seguia mais forte do que nunca com os arquirrivais espanhóis, Messi e CR7 atingiam números impensáveis, rompendo de forma aparentemente fácil a barreira dos 50 gols por temporada – algo bem fora da curva. Tornaram-se os maiores goleadores de todos os tempos com as respectivas camisas de Barça e Madrid. Além disso, durante dez anos criaram um duopólio nas eleições que apontavam quem era o melhor jogador do mundo: entre 2008 até 2018, curiosamente antes da chegada de Cristiano ao Real Madrid e logo após sua saída para a Juventus, só um ou outro tinham chance. E com toda a justiça. A distância em relação aos outros era tão real que sequer havia questionamento.

Luka Modric foi o primeiro a quebrar este duopólio, embora de maneira bastante questionável. Longe da Espanha e do burburinho que cerca a rivalidade Barça-Madrid, na Itália Cristiano Ronaldo passou a falar mais de Messi, deixando transparecer até mesmo um desejo de ver o argentino vestindo a camisa de um rival da sua Juventus. Na Catalunha, Messi seguia um discurso parecido. Um discurso de saudade, respeito mútuo, admiração, algumas alfinetadas de autopromoção, mas acima de tudo gratidão. Um discurso de certa forma parecido ao visto no filme citado no primeiro parágrafo deste texto.

Mas as palavras ainda não haviam sido ditas pessoalmente, de um para o outro. E foi justamente durante uma premiação individual em que nem CR7 ou Messi venceu, referente ao prêmio de melhor jogador da Europa em 2018-19, conquistado pelo zagueiro holandês Virgil van Dijk, do Liverpool, que a cena história, até mesmo com um tom cinematográfico, aconteceu: em meio a cerimônia que sorteou os grupos desta edição da Champions League, Cristiano falou, ao lado do argentino, sobre como foi o seu primeiro ano longe do futebol espanhol... e da disputa mais acirrada com Messi.

“Foi curioso (não jogar contra Messi), porque nós compartilhamos o mesmo palco por 15 anos. Não é fácil, mas é claro que temos uma boa relação. Ainda não jantamos, mas seria legal. Nós forçamos um ao outro a evoluir, e é bom fazer parte da história do futebol - disse Cristiano Ronaldo”, afirmou, em cena fez com que sorrisos fossem abertos no anfiteatro e em todo o mundo.

A corrida entre os dois ainda não acabou, e pode até ganhar novos capítulos espetaculares, mas não restam muitas dúvidas de que o auge da rivalidade passou. Diferentes, mas ainda assim complementarem embora jamais juntos, Messi e CR7 terão um jantar inédito, que promete uma boa resenha. O banquete em relação a grandes momentos no futebol, contudo, já vinha sendo servido desde 2008. Já estão na história como dois dos maiores.