Como Liverpool x Manchester City se tornou a maior rivalidade da Premier League

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Goal ouve personagens e conta a história do duelo que vem parando a Inglaterra nos últimos anos

A atual maior rivalidade da Premier League ganha mais um capítulo neste domingo, quando Manchester City e Liverpool duelam no Etihad Stadium, às 13h30 (de Brasília), pela oitava rodada do torneio.

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De um lado os atuais campeões lideram o Inglês com 16 pontos e sabem que podem dar um golpe fulminante se vencerem na casa do adversário, que soma 11. Do outro lado, é a maior chance de o time de Pep Guardiola mostrar que deve ser temido e que pode recuperar o trono perdido na temporada passada.

O duelo mais uma vez deve ser carregado de drama, tensão, qualidade, intensidade e certos momentos de animosidade. Espera-se, acima de tudo, um excelente jogo de futebol. Jurgen Klopp já disse que não poderia ter mais respeito pelo City, enquanto o colega espanhol classificou a equipe do alemão como a mais difícil que enfrentou na carreira.

Elogios à parte, já são alguns anos que os dois times se enfrentam pela glória não só na Inglaterra como na Europa. Confira a seguir como esta história de rivalidade se construiu, contada por personagens que ajudaram a escrevê-la. 

O início: City sobe e Reds descem

Jamie Carragher Craig Bellamy Liverpool Manchester City GFX

Em setembro de 2008, o Abu Dhabi United Gropu adquiriu o clube de Manchester por 200 milhões de libras e de cara contratou Robinho do Real Madrid, vencendo uma disputa com o Chelsea e mostrando que uma nova era começava.

"Já vimos isso acontecer com o Chelsea, mas era diferente. Quando (Roman) Abramovich assumiu, eles já brigavam entre os quatro primeiros. O salto para o City foi muito maior. Eles eram um time do pelotão intermediário. Não imaginava no início que seriam desafiantes ao título", afirmou Jamie Carragher, jogador do Liverpool entre 1996 e 2013.

A temporada 2008/2009 terminaria com o City apenas na décima colocação, enquanto os Reds foram vice-campeões, a quatro pontos do campeão Manchester United. Mas mais contratações de peso, como Tevez, Adebayor e Touré, foram fazendo os Citizens sonharem mais alto.

"Eu tinha 30 anos e pensava na minha própria situação. Estávamos deixando de ser desafiadores ao título. Estávamos pensando mais nos quatro primeiros. O United e o Chelsea estavam praticamente estabelecidos na liderança, então, quando o City começou a ficar mais forte, fomos nós e o Arsenal os mais vulneráveis", relembra Carragher

O City foi quinto colocado em 2009-10, terceiro na temporada seguinte e, finalmente, tornou-se campeão de forma dramática na última rodada de 2011/12. O Liverpool, por sua vez, estava em crise, após saídas de Rafa Benitez e Roy Hodgson e dos proprietários George Gillett e Tom Hicks, que cederam o controle do clube ao Fenway Sports Group após uma dura batalha no Tribunal Superior em outubro 2010.

Os Reds até ganharam um troféu no período, levantando a Copa da Liga Inglesa sob o comando de Kenny Dalglish em 2012. A equipe inclusive derrotou o City na semifinal, mas estava claro que os dois clubes não estavam mais operando em igualdade de condições. 

“Acho que deveria haver uma admiração relutante do City pelo Liverpool, pelos jogos que fizemos naquela época. Eles estavam atrapalhando todo mundo, mas não fizeram isso conosco. Mesmo tendo todas essas grandes equipes, eles ainda não vencem em Anfield há 17 anos. E é isso que cria a rivalidade", comenta Carragher.

O primeiro embate direto

Philippe Coutinho Steven Gerrard Liverpool Manchester City GFX

Em 2012, o Liverpool substituiu Dalglish por Brendan Rodgers e, na primavera europeia de 2014, finalmente estava lutando pelo título da Premier League outra vez. A equipe vinha de nove vitórias consecutivas e sabia que o fim do jejum nacional ficaria próximo de acabar se vencesse o City de Manuel Pellegrini naquela tarde de 13 de abril.

Foi o que aconteceu. Os Reds abriram 2 a 0 em Anfield, cederam a igualdade, mas um gol de Philippe Coutinho garantiu o 3 a 2 no placar. "Os torcedores estavam por toda parte desde que fomos ao estádio. Algo inesquecível. Sentíamos que estávamos em condições de ganhar o campeonato depois daquele jogo", relembra Simon Mignolet, goleiro do Liverpool à época. 

A euforia foi tanta com o resultado que o ídolo e capitão Steven Gerrard afirmou no vestiário que o título não escaparia mais com a equipe na liderança a quatro rodadas do fim. Só que ele seria traído pelas próprias palavras. Com escorregão decisivo do meia, o Liverpool perdeu para o Chelsea 15 dias depois e viu o City assumir o topo antes de confirmar o bicampeonato na rodada final. 

Em 18 meses, tudo mudou na Terra dos Beatles. Luis Suárez saiu, Gerrard saiu e, em outubro de 2015, Rodgers foi demitido e substituído por um certo Jurgen Klopp.

Ressurgindo das cinzas

No fim da temporada de 2015/2016, o Liverpool estava em oitavo lugar na Premier League, abaixo do West HamSouthampton, dentre outros. Mas Klopp trazia sinais de dias melhores - e o mais marcante foi uma goleada por 4 a 1 sobre o City em novembro de 2015. O time de Manchester deu o troco na final da Copa da Liga, batendo o rival nos pênaltis em Wembley.

"Eu sempre me lembro que no final daquela temporada, depois que também perdemos a final da Liga Europa, Jurgen disse que precisávamos aprender a perder aquelas finais para voltar a vencer", disse John Achterberg, ex-jogador e hoje preparador de goleiro dos Reds. 

O poder de Anfield

Em 2018, o City estava voando. Guardiola substituiu Pellegrini em 2016 e, em sua segunda temporada, a sua equipe embarcaria em uma campanha histórica de 100 pontos na Premier League - com direito a goleada por 5 a 0 sobre os Reds em setembro de 2017.

O Liverpool, porém, também estava em alta e foram os primeiros a derrotar o City na liga daquela temporada, com uma vitória épica por 4 a 3 em Anfield em janeiro de 2018. Alguns meses depois os times se enfrentariam nas quartas de final da Liga dos Campeões...

“A construção desse jogo foi algo especial. Seria grande de qualquer maneira, é claro, mas parecia que todos estavam falando sobre isso. Cada vez que você ligava a TV ou lia o jornal, era Liverpool x City”, relembra Mignolet. 

"Parecia que estava entrando no Coliseu quando chegamos a Anfield no primeiro jogo", acrescenta Conor Materson, à época com 19 anos e que foi surpreendentemente relacionado por Klopp para a partida.  “O City estava muito à frente de todos na liga, mas eles vieram para Anfield e não conseguiram lidar com isso", completa Carragher.

De fato, o Liverpool venceu por 3 a 0 com gols logo no primeiro tempo - Salah Chamberlain e Mané - e construiu ótima vantagem para a volta, que terminaria 2 a 1 de virada para os Reds, gols de Salah e Roberto Firmino. 

Margens finas

Jordan Henderson Liverpool Manchester City GFX

Na temporada seguinte, City e Liverpool se enfrentaram em uma das corridas pelo título da Premier League mais disputadas e memoráveis ​​de todos os tempos. O Liverpool perdeu apenas um jogo, vencido por 2 a 1 pelo City no Etihad, e somou 97 pontos. Só que o rival de Manchester venceu os últimos 14 jogos do campeonato consecutivos e conquistou o título por um ponto.

Na temporada seguinte, porém, seria a Premier League do Liverpool, com a equipe de Klopp vencendo 32 de seus 38 jogos da liga e conquistando o título por 18 pontos, garantindo o troféu a sete jogos do fim.

O City venceu por 4 a 0 quando os times se enfrentaram pela última vez no Etihad em julho, mas, antes de a bola rolar, foi forçado a dar aos rivais um corredor de honra - era o primeiro compromisso do time de Klopp após a conquista antecipada do Inglês e o fim da espera de 30 anos. 

“Você tem que dar crédito a City. Eles colocaram o nível muito alto e desafiaram todos a vir buscá-los. Isso é o que os campeões fazem e é o que o Liverpool fez", diz Carragher sobre as duas últimas temporadas. “As duas equipes precisam uma da outra, com certeza. Você precisa que seus rivais sejam fortes, porque isso significa que você também deve ser forte", complementa Mignolet. 

Um respeito saudável

Jurgen Klopp Pep Guardiola Liverpool Manchester City GFX

Chegamos à temporada atual, na qual o Liverpool pode colocar oito pontos de vantagem sobre o rival caso vença neste domingo. Mas, diferentemente de outros clássicos apimentados, o embate entre Reds e Citizens tem sido mais marcado pelo que acontece com a bola rolando do que com troca de farpas entre os dois lados. 

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“Há um respeito saudável aí, com certeza. Pep tem muito respeito por Klopp e Liverpool, e se você perguntar a Klopp quem é o melhor técnico do mundo, ele sempre diz Guardiola, não é? Não conseguia imaginar Alex Ferguson dizendo que Arsene Wenger era o melhor técnico ou que o Arsenal era o melhor time, você poderia? A rivalidade é intensa, mas raramente pessoal", opina Carragher. 

O próprio ídolo do Liverpool, porém, não perdeu a chance de dar uma alfinetada antes de mais um duelo. “Eu sei que algumas pessoas no City pensam que o Liverpool tem uma cobertura favorável na mídia, mas tem coisas que são fato. O Manchester City tem que aceitar que nunca será tão grande quanto o Liverpool e o Manchester United. Eles simplesmente não vão", conclui. 

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