Como funciona o protoloco da CBF para Covid-19 que já é criticado na 1ª rodada do Brasileirão?

Fernando Diniz máscara São Paulo 2020
Rubens Chiri / saopaulofc.net
Jogadores e dirigentes já apontam erros no protocolo que abrange diversas competições nacionais; jogos foram adiados vários testes positivos

No mesmo fim de semana em que o Brasil chegou à triste marca dos 100 mil mortos pela Covid-19, as três principais divisões do futebol nacional tiveram as primeiras partidas disputadas e algumas suspensas em função da pandemia.

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Na Série A e na Série C, jogos foram cancelados pela pandemia de coronavírus após os testes de vários jogadores apresentarem resultados positivos. As partidas entre Goiás e São Paulo, na primeira divisão, e Treze e Imperatriz, na terceira, foram suspensas minutos antes da bola rolar.

Porém, como funciona o protocolo da CBF para a pandemia, que já foi duramente criticada por jogadores e clubes?

O protocolo da CBF para a Covid-19

A entidade responsável pelas competições nacionais publicou um documento com 60 páginas sobre a diretriz técnica operacional a ser seguida por todos os envolvidos antes, durante e depois das partidas.

Tal protocolo separa as competições por grupos: quanto "mais alto o grupo", mais pessoas podem entrar nos estádios. Por exemplo, no Grupo A estão o Brasileirão Série A e a Copa do Brasil, limitando a quantidade de presentes em 300 pessoas (no máximo). Já no Grupo B, aparecem o Brasileirão Série B, Série C e o Campeonato Brasileiro Feminino, e até 237 pessoas podem estar presentes.

Sobre a testagem de atletas e comissão técnica, a CBF estabeleceu que realizará o teste PCR nos 23 atletas relacionados para a partidas e no treinador. A entidade afirmou que a testagem dos atletas será feita "no início de cada rodada das competições, a fim de termos os resultados antes das partidas". Os testes, em sua maioria, são feitos 72h antes dos jogos.

Todos os testes serão realizados em parceria com o Hospital Albert Einstein. Vale lembrar que este é o mesmo Hospital que, no Campeonato Paulista, errou 26 resultados do Red Bull Bragantino, entre jogadores, comissão técnica e funcionários.

Ficou estabelecido no documento que "todo atleta e/ou treinador que tiver resultado positivo para o teste RT-PCR será descredenciado, até a liberação do credenciamento pela Comissão Medica da CBF dentro do procedimento explicitado no item 2 do Capítulo 4 desta Diretriz".

Não há uma quantidade mínima de jogadores com testes positivos para a Covid-19 para que uma partida seja adiada, suspensa ou cancelada. No elenco do Goiás, dez jogadores estão com o coronavírus. Já no Imperatriz, foram 12 os que apresentaram resultados postivios.

Críticas ao protocolo da CBF

Diversas pessoas ligadas envolvidas nas partias adiadas criticaram o protocolo, citando, entre outras coisas, a demora para a divulgação dos resultados. Entre a testagem a apresentação dos resultados, os atletas compartilham as dependências dos clubes, treinam e viajam juntos e, às vezes, até dividem o mesmo quarto nas concentrações.

O Vila Nova é um exemplo disso. O time realizou testes em Goiânia, mas foi só quando o time já estava em Manaus que os resultados foram divulgados e um atleta foi diagnosticado com o coronavírus. Este jogador foi afastado, porém, a partida ocorreu normalmente.

"Saber que tem jogador concentrado positividado pra COVID às 05h faltando 14h pro jogo sem voô para Manaus, é brincadeira... isso pq a testagem foi quarta cedo. Futebol deve estar vivendo num mundo surreal! Não se tem público, mas avião está lotado! Eita mundão da hipocrisia!", criticou o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo.

Daniel Alves também criticou o protocolo. Ele e os demais titulares do São Paulo já estavam no gramado do Serrinha quando o duelo contra o Goiás foi adiado pela CBF.

"Eu gostaria de dizer que é inadmissível o que aconteceu hoje, não é por irresponsabilidade que tenhamos que viver esse tipo de coisa que fomos exposto a viver hoje. Ou criamos uma consciência e somos profissionais ou é uma perda de tempo o que estamos fazendo! Se é a vida o mais importante, então o resto não tem sentido! Obrigado por nada!", escreveu o capitão são paulino.

No fim da noite deste domingo, 9, o São Paulo também se manifestou sobre o adiamento do jogo em Goiânia. O clube pediu que "o mesmo profissionalismo praticado pelo São Paulo se reflita em outras instituições".

Breno Calixto, zagueiro do Treze, que enfrentaria o Imperatriz em jogo da Série C, foi outro jogador que criticou os protocoles da CBF. 

O jogador, que perdeu o dia dos pais confinado em um quarto de hotel e sem disputar o duelo da primeira rodada do Brasileirão, imaginou um cenário em que seu time enfrentasse o Imperatriz. 

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