A expulsão do atacante suíço Breel Embolo durante a partida contra a Argentina (1 a 3), na manhã deste domingo, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, gerou grande polêmica, depois que o árbitro português, João Pinheiro, anulou um cartão amarelo que havia mostrado ao argentino Leandro Paredes e o atribuiu a Embolo após consulta ao VAR.
O replay mostrou que Paredes não cometeu falta, enquanto Empolo simulou deliberadamente para obter uma falta, o que resultou na aplicação de um cartão amarelo e, em seguida, de um vermelho, já que ele já havia recebido uma advertência anteriormente.
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O que é a regra da “identificação errada”?
A regra da “identificação errada” (Mistaken Identity) é uma das situações em que o árbitro assistente de vídeo (VAR) tem permissão para intervir e corrigir a decisão do árbitro.
Ela estabelece que, se o árbitro mostrar um cartão amarelo ou vermelho ao jogador errado — seja do mesmo time ou do time adversário —, o VAR pode revisar a identidade do jogador punido e corrigi-la, caso se comprove que foi outro jogador quem cometeu a infração.
O regulamento do Conselho da Federação Internacional de Futebol (IFAB) estabelece que a revisão se limita à identidade do jogador e não se estende à natureza da infração em si, a menos que a ocorrência já se enquadre entre os casos passíveis de revisão, como um gol, um pênalti ou um cartão vermelho direto.
Quando foi aprovada?
A regra surgiu pela primeira vez com a introdução oficial da tecnologia de vídeo nas regras do jogo, em 2018, e era usada principalmente para corrigir erros na identificação de jogadores dentro da própria equipe.
No entanto, em 28 de fevereiro de 2026, o Conselho Internacional de Futebol (IFAB) ampliou seu escopo para incluir também as situações em que um jogador da equipe adversária é advertido por engano, e a alteração entrou em vigor na Copa do Mundo atual.
Por que isso gerou polêmica?
Embora o texto da regra se refira apenas à correção da identificação do jogador, a FIFA adotou uma interpretação mais ampla, considerando que a aplicação do cartão ao jogador errado permite uma revisão completa da situação, incluindo a detecção de casos de fraude.
Os críticos consideram que essa interpretação vai além do texto original da regra, enquanto a FIFA entende que ela garante a justiça e evita que o jogador errado seja punido.
As duas primeiras aplicações na Copa do Mundo
A primeira aplicação da regra em sua versão ampliada ocorreu na partida entre Estados Unidos e Paraguai, quando o cartão amarelo dado ao americano Tim Ream foi anulado e transferido para o paraguaio Miguel Almirón após comprovação de que ele havia enganado o árbitro; o segundo caso ocorreu hoje de manhã, na partida entre Argentina e Suíça.
Os dois casos são semelhantes: o árbitro advertiu o jogador errado e, em seguida, utilizou o VAR para aplicar a regra do “erro de identificação” e transferir o cartão para o jogador que cometeu a manobra fraudulenta. Essa aplicação é considerada válida pela FIFA, embora ainda seja objeto de debate entre vários especialistas em arbitragem.
