Sami Al-Jaber, lenda do futebol saudita e ex-capitão da “Selecção Verde”, dirigiu críticas contundentes à situação das seleções árabes em geral, afirmando que os problemas atuais não se limitam apenas aos treinadores, mas se estendem aos aspectos técnicos, físicos e organizacionais de todo o sistema.
As declarações de Al-Jaber surgiram na sequência da polêmica que acompanhou os resultados das seleções árabes durante a Copa do Mundo de 2026, quando ele afirmou que a diferença em relação às grandes seleções continua sendo grande, tanto no nível individual quanto coletivo.
Al-Jaber disse em declarações ao programa “Nadina”: “Sempre atribuímos as derrotas ao técnico, especialmente na região do Golfo, mas a verdade é que as seleções do oeste da Ásia enfrentam dificuldades técnicas evidentes”.
Ele acrescentou: “Isso se aplica até mesmo à seleção saudita; estamos enfrentando dificuldades físicas e mentais, e há uma realidade difícil que exige muito trabalho e reformas reais”.
O ex-jogador do Al-Hilal destacou que a comparação com as seleções do Leste Asiático revela a magnitude das diferenças existentes atualmente.
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Ele explicou: “Estamos muito atrasados e precisamos de um trabalho titânico para evoluir, ao contrário das seleções do Leste Asiático, como Japão e Coreia do Sul, que possuem projetos claros e um trabalho contínuo há anos”.
Al-Jaber destacou que o desenvolvimento não está ligado apenas aos nomes ou aos treinadores, mas a todo um sistema que começa nas categorias de base e vai até a seleção principal.
Sobre a partida contra o Uruguai, Al-Jaber disse: “Tivemos sorte, pois a seleção latino-americana foi superior em termos técnicos e táticos e fez a diferença na maior parte do jogo”.
E explicou: “Se não fosse por Mohammed Al-Owais, teríamos perdido por uma diferença maior; e na partida contra a Espanha, teríamos perdido por uma diferença ainda maior”.
E enfatizou: “O problema não está nos treinadores, mas em quase tudo. Qualquer treinador que já tenha trabalhado nas seleções do oeste da Ásia dirá que a crise é ainda maior, pois sofremos com a má organização e a falta de um planejamento claro”.
Marrocos: um modelo a ser seguido
Ao concluir sua fala, Al-Jaber citou a experiência marroquina como um modelo de sucesso para o desenvolvimento do futebol.
Ele disse: “O que aconteceu com o Marrocos não surgiu do nada, mas começou após a Copa do Mundo de 2018, quando houve um trabalho muito intenso e uma visão clara para o futuro; devemos aprender com eles”.
E acrescentou: “Foram formadas comissões especializadas e traçados planos de longo prazo para o desenvolvimento das seleções nas diversas faixas etárias, e o resultado se manifestou posteriormente em campo”.
Al-Jaber concluiu suas declarações enfatizando que as seleções árabes precisam de projetos de longo prazo se quiserem diminuir a diferença em relação às grandes potências mundiais, em vez de buscar soluções temporárias após cada torneio.
