Patrick de Paula chega ao Botafogo como maior contratação da história do clube em valores absolutos, além de também ter entrado na lista das transferências mais caras do futebol brasileiro: aos 22 anos, custou cerca de R$ 33 milhões dentro de uma conta que, graças a outras cláusulas em seu contrato, ainda pode aumentar.
Acima de tudo, Patrick chega ao Alvinegro como uma carta de intenções. Uma espécie de manifesto do que esperar nesta nova fase com a SAF adquirida por John Textor – assim como foi a contratação do técnico português Luís Castro, depois de superar a concorrência do Corinthians.
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Quer queira ou não, Patrick de Paula já chega ao Botafogo, portanto, fazendo história. E com isso vem uma grande responsabilidade, uma vez que o ex-meio-campista do Palmeiras ainda não pisou no gramado como jogador alvinegro.
Existe a responsabilidade imputada ao próprio jogador, que terá que responder à altura, mas também a responsabilidade direcionada ao clube da Estrela Solitária – que desde a compra de sua SAF por parte de John Textor passou a enxergar um facho de luz para voltar à estrada dos louros que, no passado, lhe concedeu a alcunha de O Glorioso.
Antes de Patrick de Paula, a última vez que o Botafogo tirou um jogador de destaque, com idade para ainda atingir o seu auge esportivo, de um rival tradicional, talvez tenha sido no período do auge histórico de sua existência.
Em 1963, o Alvinegro pagou 150 milhões de cruzeiros (uma baita grana na época) para tirar Gerson do Flamengo. Gerson, aquele, o “Canhotinha de Ouro”, campeão mundial em 1970 e que fez história como um dos melhores de sua posição no Botafogo. O Canhotinha, aliás, foi sucessor de outro jogador. Didi já havia sido ídolo no Fluminense, mas trocou as Laranjeiras por General Severiano em 1956 e, ao lado de Garrincha e Nilton Santos, passou a formar uma espécie de Santíssima Trindade botafoguense.
Patrick de Paula não é Gerson nem Didi. E nem precisa ser. Mas também ganhou uma nova grande chance de alavancar sua carreira como protagonista. No Palmeiras, o garoto habilidoso apareceu com brilho de herói no início de 2020. Impressionou pelo bom futebol e pela mentalidade segura, que o encorajou a bater o último pênalti de uma disputa alternada contra o Corinthians para dar aos alviverdes o título paulista daquele ano. Não é pouca coisa.
Getty ImagesA expectativa que cercou o projeto de craque passou a ser enorme, mas Patrick, talvez pela pouca idade e tentações extracampo, não conseguiu ser tão regular em alto nível em 2021 e teve alguns problemas disciplinares. Sua habilidade, todos viam, ainda estava lá – e é por isso que muitos palmeirenses lamentam sua saída.
Patrick de Paula agora retorna ao seu Rio de Janeiro natal com um protagonismo que nunca teve em sua vida. E seu futebol precisará estar à altura do que vai se esperar dele e deste novo Botafogo. E qual é a expectativa? O próprio Patrick falou sobre ela ao desembarcar na capital carioca, já vestindo o chapéu de uma das principais torcidas organizadas de seu novo clube.
“Torcedor pode esperar muita vontade, muita garra, muita determinação. E muitos títulos, vamos brigar por todos os títulos. É isso que o Botafogo precisa. O Botafogo é um clube muito grande”, disse Patrick de Paula.
No anúncio de sua contratação, as palavars foram: "Venci na bola, orgulhei a comunidade e conquistei o continente. Agora é hora de conquistar a torcida mais apaixonada do mundo. Voltei para o Rio para fazer história com a camisa mais tradicional do futebol".
Poucos personagens poderiam resumir tanto o “antes e depois” do Botafogo, das últimas décadas de praticamente terra arrasada para o atual momento de esperança, quanto Patrick.
Ainda garoto no Rio de Janeiro, ele foi dispensado da base de um Botafogo que não tinha capacidade de custear suas categorias inferiores. Agora um jovem adulto, ele chega ao Alvinegro como contratação mais cara em valores absolutos e com a responsabilidade de entregar, através de bom futebol, o que ele disse em sua primeira declaração como jogador botafoguense.
O contrato entre Patrick de Paula e o Botafogo será válido até o fim de 2026. Está lançado o desafio.




