Zidane fará seus primeiros testes oficiais diante da Turquia, depois da Bélgica e, em seguida, da Itália. Três partidas que definirão rapidamente os contornos do novo projeto.
A seleção francesa não concede a seus treinadores o luxo do tempo, e a imprensa francesa não trata Zidane como um técnico iniciante, mas como uma lenda de quem se espera sucesso desde o primeiro dia.
Por isso, qualquer tropeço precoce trará de volta imediatamente as comparações com Deschamps, ao passo que um início forte poderá dar ao projeto um enorme impulso.
É pouco provável que Zidane promova uma revolução tática completa. O mais próximo da realidade é que ele mantenha o mais importante daquilo que Deschamps deixou, ou seja, a disciplina defensiva, acrescentando elementos de que a seleção sentiu falta nos últimos anos, como a posse de bola eficaz, a flexibilidade tática e uma maior liberdade para os talentos ofensivos.
Em outras palavras, podemos ver uma seleção que preserva sua solidez, mas que se torna mais capaz de impor sua personalidade, em vez de se contentar em apenas reagir.
No fim das contas, Zinedine Zidane não inicia seu projeto com a seleção francesa a partir do zero, mas sim a partir de um cume que Didier Deschamps construiu ao longo de 14 anos.
E seu sucesso estará condicionado à sua capacidade de alcançar uma equação rara no futebol moderno: respeitar o legado sem cair prisioneiro do passado e apresentar uma nova identidade sem sacrificar a estabilidade.
Se conseguir combinar sua flexibilidade tática, sua experiência na gestão de estrelas e a solidez mental que adquiriu durante seus anos no Real Madrid, a seleção francesa poderá ingressar em uma nova era não menos bem-sucedida do que a época de Deschamps, e talvez mais convincente no aspecto técnico.