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محمد صلاح

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Xeque-mate... O jogo acabou: Salah cai na armadilha da grande farsa

No futebol, assim como no xadrez, as batalhas nem sempre são decididas pelo ataque direto, mas por uma série de jogadas calculadas; e quando a sacrifício de uma peça valiosa parece uma derrota momentânea, abre-se o caminho para derrubar o rei.

No território do Liverpool, tudo depende do sistema, não das estrelas, por mais brilhantes que sejam, e só ele sabe quando criar seus heróis... e quando escrever para eles o último ato.

Hoje, com a jornada do “Rei Egípcio” Mohamed Salah chegando ao fim, a história não parece um choque tão repentino, mas sim o resultado inevitável de muitos pequenos detalhes acumulados que remodelaram o destino da lenda dos Reds nos momentos em que ele mais sentiu a vitória pessoal.

  • O momento do início... O nascimento da lenda

    Tudo remonta ao verão de 2017. Jürgen Klopp estava inclinado a contratar Julian Brandt, do Bayer Leverkusen, mas, nas salas fechadas de Melwood, Michael Edwards — então diretor esportivo — apresentou um relatório estatístico decisivo. Edwards não viu em Salah um ala que fracassou no Chelsea, mas sim um “índice de gols esperados” elevado e uma capacidade física que evoluiu de forma impressionante desde sua saída de Stamford Bridge para a Fiorentina e a Roma, onde seu talento foi lapidado com paciência sob os olhos de especialistas como Spalletti.

    Essa capacidade física e explosiva de finalização que ele viu se encaixava perfeitamente no “pressing alto” adotado por Klopp.

    O jogador egípcio chegou por apenas 42 milhões de euros e se transformou em uma máquina de gols que quebrou todos os recordes. Esse foi o momento em que os dados provaram seu valor.

    Mas a ironia dramática – como no xadrez – é que a mesma mão que confiou no “rei” e o colocou no tabuleiro foi a que decidiu desmontar sua lenda quando as curvas estatísticas começaram a cair.

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  • Uma virada estratégica... O truque da renovação

    Na primavera de 2025, o contrato de Salah estava chegando ao fim, e a pressão da torcida aumentava. Rami Abbas, agente do jogador, dava a entender, através da plataforma X, que havia ofertas sauditas astronômicas. Nesse clima tenso, Michael Edwards retornou à estrutura do grupo Finway, proprietário do clube, no cargo de diretor de operações de futebol: foi aí que a ambição, o papel e a visão também mudaram, levando à contratação de Richard Hughes como diretor esportivo, para dar início à era pós-Klopp, que já havia anunciado sua saída antes da chegada dos dois.

    Em termos mais claros, Edwards não era mais responsável por apenas um time, mas por todo um sistema (do grupo Finway) e pela sustentabilidade financeira e técnica ao longo de vários anos e, talvez, em vários clubes.

    A saída de Salah naquele momento, sem indenização, significava uma grande perda financeira que coincidia com a chegada deles e poderia atrapalhar tudo; por isso, todos os indícios apontam que Edwards tomou uma decisão tática: renovar o contrato e ceder um pouco à pressão, custe o que custar, especialmente porque Salah e seu agente colocaram o clube e sua diretoria sob pressão da torcida, tendo em vista seus números impressionantes no final da última temporada.

    Salah assinou um novo contrato de dois anos em abril de 2025, com um salário de até 400 mil libras por semana, além de bônus vinculados ao desempenho.

    As fotos oficiais pareciam festivas, mas nos bastidores o objetivo era claro: proteger o valor do “ativo”, e então a decisão técnica em campo decidirá o desfecho da história.

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  • Uma mudança tática... e uma acusação direta

    Com a chegada de Arne Slot como técnico, a filosofia mudou. A equipe passou a adotar o "bloco único", onde não há espaço para "estrelas fora do comum", com contratações de peso e gastos financeiros vultosos na janela de transferências de verão.

    Com o passar do tempo, os dados físicos de Salah – monitorados semanalmente pela diretoria – começaram a mostrar um declínio em alguns indicadores ofensivos, como seus toques dentro da área (uma queda de até 25%, segundo algumas análises). Não era uma questão pessoal, mas tática: o sistema em primeiro lugar.

    Slott aplicou a rotação de forma sistemática. Salah ficou no banco em partidas decisivas, e seu papel foi diminuindo. 

    Então, em dezembro de 2025, após o empate em 3 a 3 contra o Leeds United, em que permaneceu no banco por um longo período, Salah explodiu em declarações públicas nas quais acusou diretamente o clube: “O clube quis me jogar debaixo do ônibus como se eu fosse o problema aqui. Eu não sou.”

    Em seguida, ele proferiu a frase decisiva que revelou a conspiração, após ter sido levado a acreditar que seu desejo de renovar o contrato havia sido atendido: “É muito claro que alguém quer que eu receba toda a culpa. Alguém não me quer no clube”, apontando o dedo acusador para aqueles que, nos bastidores, executavam um plano de marginalização cuja verdadeira natureza ele não havia percebido inicialmente.

    O jogador sentiu-se desrespeitado, enquanto a imprensa próxima ao clube se concentrava na melhora dos resultados da equipe em alguns períodos, sem depender totalmente dele.

    A imagem mudou gradualmente de “o rei injustiçado” para “o astro que recebe um salário astronômico e tem dificuldade em se adaptar às exigências defensivas”, e ele era diariamente alvo de um bombardeio midiático violento liderado por Jamie Carragher, Rooney, Scholes e outros.

    No fim, Salah perdeu parte do apoio incondicional da torcida, e a diretoria conseguiu mudar o debate de “por que marginalizar a lenda do time?” para “o interesse do jogador é mais importante do que o do time?”.

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  • Uma demissão inteligente... Um plano bem-sucedido e uma vitória financeira

    Do ponto de vista econômico, o plano foi bem-sucedido. Se Salah tivesse saído de graça em 2025, o clube teria perdido seu valor de mercado, estimado entre 70 e 100 milhões de euros; mas, com a renovação, Edwards manteve o “valor de revenda” teórico, e o acordo mútuo entre o clube e o jogador permitiu a saída antecipada sem taxa de transferência.

    De acordo com o que publicou o jornal britânico “The Sun”, durante as negociações que levaram à renovação do contrato de Salah no verão passado, o jogador egípcio solicitou um bônus de fidelidade no valor de 20 milhões de libras esterlinas (cerca de 23 milhões de euros), já que o contrato se estenderia até o verão de 2027.

    No novo acordo alcançado pelas partes para rescindir o contrato, Salah abriu mão desse bônus em troca da permissão para se transferir neste verão.

    Qual o resultado? Uma economia de milhões na folha de pagamento, além de maior flexibilidade em relação às regras do fair play financeiro no final da temporada, e tudo isso abre caminho para o verão de 2026, que poderá testemunhar gastos significativos na construção de um time “pós-Salah” e a saída definitiva da sombra de Klopp.

  • Xeque-mate... O fim da lenda

    No fim das contas, a trajetória de Mohamed Salah não terminou com as habituais lágrimas em Anfield; pelo contrário, o anúncio da saída do “Rei Egípcio” foi como um aperto de mão formal e discreto.

    Edwards lançou o “monstro goleador” em 2017, confiando na precisão dos dados, e quando ele começou a consumir os recursos do clube e seus espaços táticos de um ponto de vista puramente administrativo e econômico, decidiu desmontá-lo com a mesma precisão.

    Salah parte acreditando ter escolhido o momento, mas a verdade – como nos corredores do Liverpool – é que foi o “sistema” que traçou as linhas para, no fim, dizer com total tranquilidade: xeque-mate... o jogo acabou.