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Jorginho Pepe Thiago Getty Images

Vira-casaca? Os brasileiros que escolheram defender seleções estrangeiras no futebol

O Brasil há décadas é reconhecido como uma das maiores fábricas de talentos do futebol mundial. Em praticamente todas as gerações, o país revela jogadores capazes de brilhar nos maiores clubes do planeta e marcar época com a camisa da seleção. Essa abundância de qualidade, porém, também cria um cenário de concorrência extremamente acirrada para quem sonha em vestir a amarelinha.

Com tantos nomes disputando poucas vagas, alguns atletas acabam buscando caminhos alternativos para viver o sonho de jogar uma Copa do Mundo ou representar uma seleção nacional. Ao longo dos anos, diversos jogadores nascidos em território brasileiro decidiram adotar outras nacionalidades e aceitar convites para defender países estrangeiros, seja por laços familiares, tempo de residência ou oportunidades esportivas.

O resultado é um fenômeno cada vez mais comum no futebol globalizado: brasileiros espalhados por seleções ao redor do mundo. A seguir, a GOAL relembra alguns dos principais casos de jogadores que nasceram no Brasil, mas optaram por construir suas trajetórias internacionais defendendo outras bandeiras.

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  • Jorginho Italy 2024Getty Images

    Jorginho (Itália)

    Nascido em Imbituba, em Santa Catarina, Jorginho se mudou ainda adolescente para a Itália, onde iniciou sua carreira nas categorias de base do Hellas Verona. O volante construiu toda a sua trajetória profissional no futebol italiano antes de ganhar projeção internacional em clubes como Napoli, Chelsea e Arsenal. 

    Graças à ascendência familiar italiana, ele pôde defender a seleção da Itália, pela qual estreou em 2016. Jorginho se tornou uma peça fundamental da equipe e viveu seu principal momento em 2021, quando foi peça-chave na campanha do título da Eurocopa, conquistada diante da Inglaterra. Sua última participação no time da Azzurra foi na Eurocopa de 2024, quando a seleção foi eliminada nas oitavas de final para a Suíça. 

  • Publicidade
  • Pepe PortugalGetty Images

    Pepe (Portugal)

    Pepe, cujo nome completo é Képler Laveran Lima Ferreira (sabia dessa?), nasceu em Maceió, em Alagoas, e deixou o Brasil ainda jovem para jogar em Portugal. Após se destacar por clubes como Marítimo e Porto, ele se naturalizou português em 2007, passando a defender a seleção europeia. 

    Pepe se tornou um dos maiores defensores da história da seleção portuguesa. Ele foi titular na conquista da Eurocopa de 2016, o primeiro grande título da história de Portugal, além de disputar quatro Copas do Mundo (2010, 2014, 2018 e 2022) com os lusitanos, se tornando o brasileiro com mais participações em Mundiais por outra nação desta lista.

  • FBL-EURO-2008-CZE-POR-MATCH 9AFP

    Deco (Portugal)

    Outro brasileiro que marcou época pela seleção portuguesa — e anos antes de Pepe — foi Deco, nascido em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O meia se destacou no futebol português atuando pelo Porto, clube pelo qual conquistou títulos importantes, incluindo a Liga dos Campeões de 2004. 

    Após se naturalizar português, Deco passou a defender a seleção de Portugal, participando de competições importantes como a Eurocopa de 2004, quando Portugal foi finalista, e a Copa do Mundo de 2006, quando os portugueses terminaram em quarto lugar, a melhor colocação da seleção em Copas na história. 

    Em entrevista à Romário, Deco foi perguntado porque decidiu se naturalizar e respondeu: "Eu fui para Portugal muito cedo, quando fiz 18 anos. Então praticamente fiz minha vida em Portugal. E aí em 2002, depois da Copa, como eu não fui convocado [...] a galera que jogava comigo no Porto insistia pra eu tomar a decisão [de me naturalizar]. E aí eu tomei, arrependimento zero. Fui muito feliz na seleção."

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  • Thiago Alcantara SpainGetty Images

    Thiago Alcântara (Espanha)

    Filho do ex-jogador brasileiro Mazinho, campeão do mundo com o Brasil em 1994, Thiago Alcântara cresceu entre diferentes países e acabou optando por defender a seleção da Espanha — decisão que tomou, em parte, pela recusa da CBF em aceitar jovens brasileiros com formação em clubes estrangeiros, como informou seu pai, Mazinho, em entrevista ao Charla Podcast. 

    Formado nas categorias de base do Barcelona, o meio-campista se destacou rapidamente no futebol europeu e passou a integrar a seleção espanhola principal. Ele participou de grandes competições internacionais, incluindo as Eurocopas de 2016 e 2021 (em 2012, foi cortado por lesão) e a Copa do Mundo de 2018 (na de 2014, foi novamente cortado por lesão), representando a nova geração do meio-campo espanhol, após a época de ouro de La Roja entre 2008 e 2012.

  • Diego Costa - SpainGetty Images

    Diego Costa (Espanha)

    Nascido em Lagarto, em Sergipe, o atacante Diego Costa construiu sua carreira principalmente no futebol espanhol, com destaque para o Atlético de Madrid e Chelsea. 

    Em 2013, o jogador tomou a decisão de defender a seleção da Espanha, mesmo após ter sido convocado para amistosos pela seleção brasileira. A escolha ocorreu pouco antes da Copa do Mundo de 2014, quando Costa optou por aceitar o convite da federação espanhola. 

    Ele acabou disputando duas Copas do Mundo pela Espanha, em 2014 e 2018, consolidando seu nome como um dos principais brasileiros que fizeram carreira internacional defendendo outra seleção.

  • Russia v Denmark - UEFA Euro 2020: Group BGetty Images Sport

    Mário Fernandes (Rússia)

    Se você assistiu a Copa do Mundo de 2018, certamente se lembra de Mário Fernandes. Nascido em São Caetano do Sul, em São Paulo, o lateral-direito iniciou sua carreira no futebol brasileiro, revelado pelo Grêmio. Em 2012, transferiu-se para o CSKA Moscou, clube pelo qual atuou por uma década. 

    Mário se naturalizou russo em julho de 2016 e passou a defender a seleção nacional focando na Copa de 2018. No torneio, foi um dos destaques da equipe e marcou o gol na prorrogação que levou sua seleção aos pênaltis nas quartas de final contra a Croácia. Hoje aos 35 anos, o lateral está aposentado do futebol. 

  • FBL-EURO-2024-MATCH23-TUR-PORAFP

    Matheus Nunes (Portugal)

    Nascido no Rio de Janeiro, Matheus Nunes mudou-se ainda criança para Portugal e foi no país europeu que construiu sua carreira como jogador, ganhando destaque no Sporting. Em 2023, foi contratado pelo Manchester City, clube no qual atingiu sua melhor versão; atualmente, Nunes joga na lateral-direita sob o comando de Pep Guardiola, posição que reforçou suas melhores características dentro de campo.

    Antes de se firmar internacionalmente, o jogador chegou a ser procurado pelo então técnico da seleção brasileira, Tite, em 2021. Matheus Nunes, porém, recusou o convite e optou por seguir defendendo Portugal. Pela seleção portuguesa, ele integrou o elenco que disputou a Eurocopa de 2024.

  • Internacional v Palmeiras - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Mauricio (Paraguai)

    O caso mais recente é o do meia Maurício, do Palmeiras, que decidiu se naturalizar paraguaio após concluir um processo que envolveu laços familiares com o país. O jogador tem pai nascido no Paraguai, o que facilitou a obtenção da cidadania e permitiu que ele solicitasse a mudança na Fifa para poder defender a seleção paraguaia. 

    A decisão também foi influenciada por sua relação com o país e pela oportunidade de disputar competições internacionais. Maurício viveu parte da adolescência no Paraguai e já avaliava essa possibilidade desde 2022, quando ainda atuava pelo Internacional. Com a naturalização homologada pela Fifa em fevereiro de 2026, o meia passou a ficar apto para ser convocado pela seleção comandada por Gustavo Alfaro e até disputar a Copa do Mundo de 2026.