Ninguém imaginava que a geração que fez a Itália inteira chorar de alegria pelas ruas de Berlim em 2006, com a conquista da Copa do Mundo, se tornaria, vinte anos depois, um símbolo do fracasso coletivo. Uma geração que ergueu a taça sob o comando de Marcello Lippi acreditava ser capaz de repetir a glória a partir dos bancos de reservas, mas descobriu que a genialidade em campo não significa necessariamente genialidade na beira do gramado.
A gota d'água para essa geração veio esta semana de onde ninguém esperava. Andrea Pirlo, o maestro tranquilo e autor da cobrança icônica na semifinal daquela Copa, estava a um passo de realizar o sonho de retornar para comandar a Azzurra, antes de ser afastado no último momento sob a acusação de "ligações russas", uma exclusão humilhante que não passou de mais um capítulo em uma longa novela de quedas.
De Gattuso, que perdeu o sonho da terceira Copa do Mundo consecutiva, a Cannavaro, perdido nas selvas da Ásia, passando por grandes nomes que buscam uma chance na segunda ou na quarta divisão, parece que a maldição da "geração Lippi" não poupa ninguém. Como foi que a geração dourada que eliminou a França e Zidane se transformou em uma geração que fracassa até em salvar a si mesma?
