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Gianni Infantino Getty

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Presidente da Fifa, Gianni Infantino, é acusado de "enganação" em ataque conjunto sensacional de Uefa, Concacaf e AFC

  • Infantino é acusado de abandonar seu dever

    A guerra civil no coração do futebol mundial chegou ao ponto de ebulição, com UEFA, CONCACAF e AFC divulgando uma contundente carta aberta direcionada a Infantino. O documento, assinado pelos presidentes e secretários-gerais das três entidades continentais, não poupa críticas em sua avaliação da atual administração da FIFA.

    Em um ataque direto à conduta pessoal de Infantino, as três confederações sugerem que Infantino priorizou o poder pessoal acima dos interesses coletivos das associações membros, afirmando: "Quando a confiança é quebrada por meio da decepção, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado."

    O texto continuou: "A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de manter, ou exigir, poder para ser mantido. É um dever de serviço à família do futebol que a confia."

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  • Ceferin InfantinoGetty

    A polêmica da FFE

    A raiz da revolta está no que a carta descreveu como uma "profunda falha de julgamento" em relação ao projeto FFE. Eles criticaram especificamente a conduta de Infantino durante uma reunião em Rabat, no Marrocos, na qual ele supostamente excluiu membros do Conselho da Fifa e associações filiadas, optando, em vez disso, por convocar apenas funcionários de alto escalão empregados diretamente pela Fifa.

    A carta também deixa claro que as recentes admissões da Fifa de erros processuais em relação ao processo do FFE não chegam nem perto de reparar os danos causados. A carta acrescentou: "Ela não reconheceu que a própria proposta era inerentemente errada. Ainda não há reconhecimento de que tentar vender uma participação na Copa do Mundo da Fifa foi uma profunda falha de julgamento.

    "Não apenas um erro processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a Fifa existe para servir."

    Apesar de a Fifa ter se comprometido com um relatório para a próxima reunião do Conselho, em outubro, as três confederações exigem uma investigação muito mais rigorosa e transparente. Elas argumentam que a atual revisão interna não tem a independência necessária para ser crível. A carta delas acrescenta: "Há silêncio onde deveria haver responsabilização, distância onde deveria haver abertura." A tensão chegou a um ponto em que advertências legais foram emitidas, com a Uefa alertando explicitamente a Fifa de que ela não deve apagar ou destruir quaisquer documentos relacionados aos planos abandonados para o acordo de investimento privado.

  • A ameaça de competições dissidentes

    Talvez o desdobramento mais significativo seja a ameaça iminente de uma ruptura total no cenário global do futebol. De acordo com o Telegraph, discussões preliminares já aconteceram entre UEFA, CONCACAF e AFC sobre a criação de competições dissidentes caso Infantino permaneça em seu cargo. Embora as partes ainda não tenham fornecido detalhes específicos sobre como esses torneios seriam ou quando poderiam começar, a simples menção de um movimento desse tipo serve como opção nuclear no impasse com a FIFA.

    A UEFA tem sido a mais vocal em sua oposição, tendo ameaçado anteriormente boicotar todas as competições da FIFA. Apesar das tentativas da FIFA de defender o histórico de Infantino, a entidade europeia insiste que essas defesas "não mudam nada" em relação à sua possível recusa em participar de futuras Copas do Mundo ou de outros eventos chancelados pela FIFA.


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  • Gianni InfantinoGetty Images

    Uma casa dividida e os próximos testes

    No entanto, apesar da força da carta conjunta, a oposição a Infantino não é totalmente unânime dentro das próprias confederações. Embora as lideranças da CONCACAF e da AFC tenham assinado a carta, vários de seus países-membros já declararam publicamente apoio ao atual presidente da FIFA. Na América do Norte, o México se manifestou em apoio a Infantino, enquanto, na Ásia, oito países, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Sri Lanka, Líbano, Kuwait, Mongólia, Filipinas e Butão, o apoiaram oficialmente.

    O primeiro verdadeiro teste dessa rebelião em formação está a menos de um mês. A Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA está programada para começar na Polônia, com a participação de cinco seleções europeias, incluindo a Inglaterra. Embora a UEFA tenha levantado a ideia de um boicote, a implementação segue sendo um campo minado logístico e político. A França já indicou que ainda pretende disputar o torneio, segundo a BBC, destacando o potencial para rachaduras na frente unificada.