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O que piorou tanto no Flamengo de Filipe Luís de 2025 para 2026?

Uma decepção chamada Flamengo. O time dominante de 2025, campeão da Libertadores e do Brasileirão, começou 2026 irreconhecível. Reforçado, mais caro e teoricamente mais forte, o elenco perdeu rumo, padrão tático e confiança sob o comando de Filipe Luís.

A derrota por 1 a 0 para o Lanús, na Argentina, na primeira partida da Recopa Sul-Americana, foi assustadora. E o placar foi generoso com os brasileiros. Dominado do início ao fim pelo campeão da Sul-Americana, o Flamengo poderia ter saído goleado. Foram 17 finalizações sofridas contra apenas oito produzidas. Castillo marcou três vezes, dois gols anulados por impedimento, e expôs uma defesa mal posicionada, especialmente no lance em que Léo Ortiz perdeu o tempo da bola.

"Precisamos melhorar urgentemente", desabafou Filipe Luís, cada vez mais criticado pela imprensa carioca e pela torcida.

Não podemos deixar de pontuar as dificuldades de um time que, fez seu último jogo da temporada passada no dia 17 de dezembro e seu primeiro jogo de 2026 já no dia 11 de janeiro, pouco mais de um mês de diferença. A equipe ainda busca reencontrar seu físico ideal, mas a grande sequência de jogos entre Campeonato Carioca, Campeonato Brasileiro, Supercopa do Brasil e Recopa, tem complicado a situação.

Mas afinal, o que piorou tanto de um ano para o outro?

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  • Lanus v Flamengo - CONMEBOL Recopa 2026Getty Images Sport

    Do time dominante à equipe sem profundidade

    Em 2025, o Flamengo se impunha pela intensidade, ocupação inteligente de espaços e agressividade ofensiva. Em 2026, falta profundidade, articulação e ambição.

    Contra o Lanús, a equipe foi burocrática, previsível e recuada. Os laterais pouco apoiaram. Luiz Araújo e Cebolinha centralizavam, embolando o jogo. Arrascaeta e Carrascal foram improvisados mais à frente, enquanto Pedro, principal esperança de gols da equipe, começou no banco.

    A tentativa de colocar um homem a mais no meio-campo não gerou superioridade. Pelo contrário, tirou oxigênio da equipe e isolou suas principais referências técnicas. A bola simplesmente não chegava ao ataque.

    O próprio treinador reconheceu: "Não conseguimos circular a bola quase nunca, não tivemos profundidade. Vitória justa, agora temos que reverter isso na nossa casa".

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  • FBL-BRA-SUPERCOPA-FLAMENGO-CORINTHIANSAFP

    O dilema Lucas Paquetá: R$ 260 milhões sem posição

    Há um personagem central nesse enredo: Lucas Paquetá.

    Talvez possa ser cedo para dizer, mas a maior contratação da história do futebol brasileiro, custando R$ 260 milhões, ainda não encontrou seu espaço. Filipe Luís já o testou como segundo volante, mais aberto pela direita e como meia central. Em ambas as funções, Paquetá não rendeu o esperado.

    Mesmo com o seu primeiro gol desde o retorno, na partida diante do Botafogo, contra o Lanús, mais uma partida abaixo do seu nível: burocrático, sem ousadia e improdutivo. Seu potencial é muito maior, mas falta um sistema que o potencialize.

    A marcação argentina foi forte, porém previsível. O problema maior esteve na postura tática do Flamengo, excessivamente recuada e pouco vertical para um elenco tão qualificado. Paquetá ficou encaixotado, sem linhas de passe e sem liberdade criativa.

    A pergunta que fica é simples e incômoda: onde vai jogar o homem de R$ 260 milhões?

  • Flamengo v Racing Club - Copa CONMEBOL Libertadores 2025Getty Images Sport

    Peças sem encaixe

    Outro sintoma da perda de identidade é a dificuldade em potencializar Arrascaeta. O uruguaio, decisivo em 2025, parece deslocado, sem função clara e ainda não encontrou sua melhor forma.

    Já Pedro virou incógnita. Artilheiro, referência técnica e goleadora, começa partidas decisivas no banco. Na Supercopa do Brasil, o Flamengo já havia sido derrotado pelo Corinthians mesmo entrando como favorito. O padrão se repetiu: favoritismo no papel, fragilidade no campo.

    Nas nove partidas do time titular em 2026, foram nove gols sofridos. A equipe não domina, não controla e não define jogos como antes. E mais do que isso, a sua defesa, que foi um pilar durante toda a temporada passada, não parece mais ser a mesma. Léo Ortiz e Léo Pereira não são mais incontestáveis, Danilo não ameaça a titularidade e Vitão não chegou como se esperava.

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    Procurando o encaixe ideal

    O Flamengo ostenta mais de R$ 2 bilhões em receitas anuais. O elenco é estrelado e a estrutura é de primeiro mundo, mas dinheiro não organiza o time.

    Filipe Luís ainda busca o encaixe ideal. As peças estão lá: Paquetá, Arrascaeta, Pedro, Carrascal, Samuel Lino, Bruno Henrique, Cebolinha, Luiz Araújo... O que falta é desenho, convicção e coragem.

    A atuação na Argentina foi definida pelo próprio treinador como "abaixo", e o torcedor concorda.

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    Madureira como respiro?

    No próximo domingo (22), o Flamengo enfrenta o Madureira, às 20h30 (de Brasília), pelo primeiro jogo da semifinal do Campeonato Carioca. Em tese, o cenário ideal para recuperar confiança e ajustar o sistema.

    Porque, mantendo esse nível de atuação, é difícil imaginar que o Flamengo possa brigar por títulos nesta temporada.

    O time que se tornou tetra campeão da América em 2025 virou uma equipe insegura, sem profundidade e sem identidade em 2026, e a responsabilidade recai sobre o treinador. Filipe Luís precisa responder, taticamente e emocionalmente. Antes que a temporada desande de vez.

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