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Philippe Coutinho e o All In psicológico no Vasco: no final, não deu certo

Philippe Coutinho não é mais jogador do Vasco. A decisão foi surpreendente por ter sido inesperada. O camisa 10 negociava a extensão de seu contrato, que ia até junho de 2026, mas acabou mudando de ideia. Optou pela rescisão. Fernando Diniz, técnico do Cruz-maltino, tentou, sem sucesso, demovê-lo da ideia. Quando a notícia já vinha sendo repercutida em todos os tipos de telas e conversas, o próprio Philippe se justificou.

A mensagem, publicada em sua conta de Instagram, citava o amor e orgulho de Coutinho pelo Vasco, e que nunca faltou empenho. Mas que “ser julgado por inúmeras pessoas por algo que não faz parte do meu caráter é difícil demais”. As críticas recebidas em profusão em redes sociais, em maior medida que na vida real, pesaram.

Mas pesou também a vaia recebida no intervalo do jogo contra o Volta Redonda, pelas quartas de final do Campeonato Carioca. O Vasco terminou os primeiros 45 minutos perdendo por 1 a 0, e só conseguiu avançar depois das disputas de pênaltis. Coutinho não viu o empate de seu time, o gol do estreante Claudio Spinelli, porque não estava nem mesmo no banco de reservas. Após ser substituído no intervalo, sendo alvo de vaias, ele concluiu, em meio a lágrimas solitárias, que não aguentava mais.

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  • "Estou muito cansado mentalmente"

    “Eu não voltei para priorizar minha saúde mental. Isso dói muito. A verdade é que estou muito cansado mentalmente. Sempre fui muito reservado, então falar isso aqui não é fácil, mas eu preciso ser honesto”, revelou o meia.

    Falar de saúde mental passou a ser, cada vez mais, tão comum quanto necessário. E no esporte de alto rendimento não tem sido diferente. Diversos atletas, de todos os esportes, relatam um esgotamento mental em meio às cobranças. O caso da ginasta Simone Biles foi um dos mais famosos. As críticas ácidas das redes sociais têm papel também nisso. E a carreira de Coutinho mostra que o peso das altas expectativas sempre o afetou.

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  • FC Bayern München v FC Barcelona: Group E - UEFA Champions LeagueGetty Images Sport

    Altas expectativas: o grande desafio

    Philippe Coutinho não conseguiu entregar quando as expectativas eram mais altas. Na Inter de Milão, entre 2010 e 2011, logo após deixar o Vasco rotulado como uma das maiores joias do futebol brasileiro, o menino não conseguiu engrenar. Tudo bem: a Internazionale começava a descer uma grande ladeira justamente a partir daquele momento. Emprestado, sem grandes expectativas, para o Espanyol, Coutinho teve o primeiro brilho mais notável na Europa.

    O desempenho na Espanha encorajou um Liverpool ainda mal das pernas a apostar no brasileiro. E o negócio deu certo: vestindo a camisa dos Reds, Coutinho viveu seu auge como jogador. Ganhou o apelido de “Little Magician”, o Pequeno Mágico.

    Não ganhou títulos. Acabou sendo craque de uma época de vacas magras. Foi apenas quando saiu, para o Barcelona, que o Liverpool voltou a ser uma grande potência na Inglaterra e na Europa. No Barça, aliás, chegou com grandes expectativas mas falhou em estar à altura delas. É difícil, claro, mas faz parte do espetáculo.

    Emprestado ao Bayern de Munique, oscilou. Foi campeão da Champions League em 2020, mas não era titular absoluto. Estava no banco de reservas na final vencida sobre o PSG. O clube alemão avaliou que não valia a pena investir para comprar o camisa 10 em definitivo. E lá foi Coutinho ser emprestado ao Aston Villa, da Inglaterra.

    Sob baixas expectativas, teve um início excelente. Mas foi sumindo na medida em que os investimentos e expectativas do Villa iam crescendo. Acabou sendo emprestado para o futebol do Qatar, o que já mostrava o rumo que sua carreira vinha tomando.

  • Vasco Da Gama Presents New Sign Philippe Coutinho Before FansGetty Images Sport

    Em busca de carinho

    Em 2020, quando Philippe Coutinho estava no Bayern de Munique e ainda figurava na seleção brasileira, Tite falou o seguinte sobre o meia-atacante: “Coutinho precisa de carinho, de conversa, precisa ser mimado. Sua personalidade é um pouco frágil. Não temos que ser paternalistas, temos que entender a forma de tirar o melhor de cada jogador. Os atletas são diferentes e não podemos tratá-los da mesma forma”.

    É por isso que o retorno ao Vasco, em 2024, soou como decisão perfeita para ambos os lados: a maior joia revelada pelo clube nas últimas décadas voltaria para o lugar onde não lhe faltaria carinho. E daria sua habilidade a uma equipe que, todos sabiam, vinha sofrendo na parte de baixo das tabelas nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que havia grande expectativa, a expectativa poderia não ser tão alta assim. Parece o melhor dos cenários para alguém como Philippe Coutinho render seu máximo.

    Só que a segunda passagem dele por São Januário não foi das melhores. Oscilou mais do que encantou. Fez 17 gols e deu sete assistências em 81 jogos. No final de 2025, o título de Copa do Brasil, tão sonhado, não veio. Philippe Coutinho tentou alguns passes, mas não conseguiu nem ser o melhor de seu time na derrota por 2 a 1 para o Corinthians. Ver fugir a taça que iria lhe colocar, indubitavelmente, como um dos grandes ídolos de um clube cuja torcida o ama, doeu para Coutinho.

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  • Vasco Da Gama v Bahia - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    E agora?

    A temporada 2026 começou com jejum de 15 anos sem grandes títulos para o Vasco e uma década sem troféus minimamente relevantes. O último foi o Carioca de 2016.

    O peso dos últimos anos fica cada vez mais difícil de suportar, e a equipe de Fernando Diniz tem oscilações que só ficaram maiores após a saída de Rayan para o Bournemouth. Quando um time como o Vasco enfrenta dificuldades até contra um Volta Redonda, inevitável a pressão acabar não recaindo, também, sobre o craque deste time. E o craque do time era Coutinho.

    Considerando o ambiente do futebol e das torcidas, a verdade é que até demorou para os vascaínos demonstrarem insatisfação dentro dos estádios. O vascaíno ama Coutinho e protegia Coutinho. Até encontrar seu limite para isso.

    O peso das redes se encontrou com as vaias fora delas e o Pequeno Mágico não conseguiu tirar um coelho da cartola. No final, o que parecia uma última cartada para recuperar seu brilho, uma espécie de All In para vencer seus fantasmas psicológicos, acabou não dando certo.

    Fora do Vasco, Coutinho vai iniciar uma outra batalha agora. E fica a reflexão: no mundo de hoje, é possível ser um dos grandes craques de um grande time sem conseguir aguentar o peso psicológico a que este tipo de personagem estará sempre sujeito?