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Mario RosasImago Images

Para Xavi, ele era "o melhor" de uma geração de ouro: hoje quase ninguém se lembra da revelação do Barcelona que não deslanchou

Xavi Hernandez é um dos maiores jogadores da história. Ele não apenas ganhou incríveis 33 títulos, mas também ajudou a moldar um dos estilos de jogo mais bem-sucedidos e revolucionários no futebol moderno. Ele foi o rosto de uma geração que, já agora, poucos anos após o auge de sua carreira, possui o status de lenda viva.

Ele jogou ao lado de artistas como Lionel Messi e Andres Iniesta. E ainda assim, Xavi, que como treinador ainda não conseguiu alcançar a mesma glória de sua carreira como jogador, ao ser perguntado sobre o melhor meio-campista, menciona outro: "O realmente bom era Mario Rosas. Ele foi o melhor da minha geração." Mesmo que ele tenha revisado essa declaração de 2009, mais tarde, nomeando Messi e Iniesta como os melhores companheiros de equipe, isso levanta uma questão: Mario quem?

Este artigo foi publicado pela primeira vez em 2017 e agora foi revisado.

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  • Louis van Gaal FC BarcelonaIMAGO / Photo News

    Talento excepcional

    Mario Rosas nasceu, assim como Xavi, em 1980. Ele cresceu sob o sol andaluz em Málaga, o futebol era a primeira coisa que ele pegava de manhã e a última que tocava antes de dormir à noite. E como ele conseguia tocar o objeto de desejo de milhares. Ele sempre foi um dos menores – e ainda assim melhor do que todos juntos. Rosas, que como adulto mediria apenas 1,67 metros, era o que hoje chamamos de "talento excepcional".

    E ele teve sorte, pois a mais de 900 quilômetros de distância, na costa da Catalunha, alguns homens decidiram revolucionar o futebol. Liderados por Johan Cruyff, construíram, baseando-se no sistema do Ajax, uma academia que visava formar o maior número possível de jogadores de alta qualidade. A novidade: o que importava era apenas o futebol e não, por exemplo, a estatura física. Algo que beneficiou Xavi, Messi e Iniesta, que talvez fossem descartados em outros lugares devido ao seu tamanho. Mario Rosas estava neste grupo.

    Em 1994 ele foi descoberto e se transferiu, aos 14 anos, para o Barcelona. Lá, ficaram admirados com este pequeno armador com qualidades incríveis. Ele amadureceu, moldado pelo futebol de passe curto, tornando-se um dos maiores talentos da Europa, de quem até os especialistas esperavam grandes feitos.

    Em 1998, sete dias antes de seu 18º aniversário, ele teve a chance de estrear sob o comando de Louis van Gaal. Embora o jogo insignificante contra o Salamanca tenha sido perdido por 4 a 1, ninguém duvidava que aquele seria apenas um de muitos outros jogos de Rosas.

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  • Mario RosasIMAGO / Cordon Press/Diario AS

    Mario Rosas joga apenas uma única vez pelo FC Barcelona e se torna um nômade.

    E ainda assim, esse foi seu único jogo na primeira divisão pelo Blaugrana. A razão foi simplesmente porque ele era jovem demais, inexperiente demais para conseguir participações regulares. Ele amava o jogo mais do que qualquer outra coisa. Ele amava o lado lúdico, os truques, a beleza do jogo. O que ele não amava era o outro lado: defender, lutar, batalhar. Exatamente o que se espera de talentos que querem ter sucesso no início. Que eles dêem mais do que alguns passes bonitos e recepções de bola tecnicamente sofisticadas.

    E assim, já em 2000, apenas dois anos após sua estreia, ele não recebeu um novo contrato. Porque ele não acompanhou o passo que um Xavi deu. E porque van Gaal esperava perfeição tática. Mas Rosas não era um jogador de posição, mas alguém que intuitivamente domina o jogo. Que pode aparecer em qualquer lugar, cuja qualidade é a surpresa.

    O problema: em um time com técnicos como Jari Litmanen, Rivaldo e Luis Figo, que também tinha estrategistas como Pep Guardiola ou Phillip Cocu, isso simplesmente não era possível. Alguém que devido ao seu estilo de jogo não pode se subordinar, teve que se subordinar – uma tarefa impossível.

    Ele deixou o Barça e começou uma odisseia. Alavés, Salamanca, Numancia, Cádiz, Girona, Castellón, Múrcia, novamente Salamanca, o clube azeri Khazar, Huesca, Hércules, Eldense. Uma trajetória que também poderia pertencer a um zagueiro mediano de segunda divisão. Que ele também teve dificuldades na Liga dois e conseguiu apenas mais seis aparições na LaLiga, além das expectativas altas demais para o "prodigioso", deve-se principalmente à adaptação a outros estilos de jogo distantes da abordagem catalã que tanto lhe agradava.

  • Xavi Barcelona 2013Getty

    O destino de Rosa torna Xavi humilde

    "Não teve nada a ver com sorte ou treinadores errados. A culpa de eu não jogar na Primera Division é minha. Todos os jogadores do Barça são do mesmo estilo, muito ofensivos, focados na posse de bola e sempre voltados para o ataque", disse o próprio Rosas. "Quando tive que sair, não consegui me adaptar às novas exigências que surgiram. Tive que defender mais e assumir outras responsabilidades, diferente do que estava acostumado no Barça."

    Em 2014, exatamente 20 anos depois de realizar um sonho aos 14 anos ao entrar para o Barça, ele encerrou sua carreira e voltou para Málaga, onde tudo começou. Um retorno às origens de um fracassado, cujo destino torna Xavi e companhia humildes. "Tive sorte de chegar tão longe e, quando penso em Mario Rosas, sei quanta sorte realmente tive", diz Xavi, que continua amigo de Rosas até hoje.

    E assim terminou a história de uma das promessas mais promissoras das últimas décadas em 2014 em Elda, uma cidade na província de Alicante, perto da costa leste. 3ª divisão, o estádio comporta 4000 pessoas. Hoje, ele é até presidente do CD Eldense. 

    O jogador Rosas, que Cruyff uma vez pessoalmente descreveu como "brilhante" e que também recebeu de Iniesta a aclamação de ser incrível, teve, no entanto, uma carreira insignificante, enquanto Xavi se tornou uma estrela mundial. Ambos sabem que poderia ter sido diferente.

  • Ele deveria estar aqui!"

    Em 2012, antes da eleição de melhor jogador do mundo, Xavi disse o seguinte sobre Rosas: "Ele deveria estar aqui!" Uma frase da boca de um dos maiores de todos os tempos, que mostra que a vida é assim. Que nem sempre segue o plano. Que se precisa de sorte e que "o destino às vezes tem outros planos", como Rosas expressou.

    E assim deveria ter sido com Mario Rosas, que ele não impressionasse as pessoas com seu talento. Vê-lo em sua juventude acariciar a bola, é saber como isso é lamentável. Para ele, é claro, mas também para todos que gostam de futebol estético.

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