O Tottenham teve sua chance de tirar definitivamente o controle do norte de Londres do Arsenal. Eles tinham um dos treinadores mais promissores do mundo, Pochettino, que formou um núcleo jovem de estrelas como Harry Kane, Dele Alli, Son Heung-min e Christian Eriksen, misturado com a experiência de Hugo Lloris, Jan Vertonghen, Toby Alderweireld e Mousa Dembele.
O time titular do Spurs, que havia flertado com o título, estava entre os melhores da Europa, mas ainda carecia de profundidade. Não ajudou o fato de terem que deixar White Hart Lane, onde ficaram invictos durante toda a temporada 2016-17, para passar um ano e meio em Wembley antes de retornar ao Tottenham Hotspur Stadium.
Enquanto isso, parecia haver sempre algum tipo de guerra civil dentro do Arsenal, antes e depois da saída de Wenger em 2018. Jack Wilshere era melhor do que Aaron Ramsey, apesar de ambos estarem constantemente lesionados? A equipe deveria ser construída em torno de Mesut Ozil ou Alexis Sanchez? Por que Shkodran Mustafi ainda está jogando? Unai Emery era o homem certo para assumir o cargo de Wenger?
Havia um senso de união no Tottenham que havia se desgastado no Arsenal desde a conquista do título em 2004. Todos no Spurs pareciam estar na mesma página, até que Pochettino, em maio de 2018, pela primeira vez como técnico, pediu à diretoria que o ajudasse no mercado de transferências. Eles responderam não contratando nenhum jogador novo nas duas janelas de transferências seguintes.
No entanto, contra todas as expectativas, o Tottenham chegou à sua primeira final da Liga dos Campeões em 2018-19, escapando de um grupo difícil após conquistar um ponto em três jogos, eliminando o favorito Manchester City por meio de uma decisão controversa do VAR e marcando com o último chute da semifinal contra o Ajax. O Arsenal também se classificou para a final da Liga Europa, mas o clima entre seus torcedores não melhorou.
Nas três semanas que antecederam as duas finais, muitos torcedores do Arsenal ficaram inquietos com a possibilidade de o Tottenham vencer a Liga dos Campeões antes deles. O que aconteceu na Liga Europa foi insignificante em comparação com a ideia de o Spurs se tornar o rei da Europa. Foi um grande alívio quando a equipe de Pochettino perdeu por 2 a 0 para o Liverpool, amenizando o golpe da derrota do Gunners por 4 a 1 para o Chelsea.
Essa foi a oportunidade mais clara e próxima que o Tottenham já teve de dominar o norte de Londres em uma escala tão significativa.