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FC Barcelona v RCD Espanyol de Barcelona - LaLiga EA SportsGetty Images Sport

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Com o empate no clássico e o tropeço do Real Madrid, o Barcelona vai tecendo calmamente sua trajetória rumo ao título da La Liga

Há um padrão que os torcedores do Barcelona conhecem bem nesta temporada, e que, na verdade, já conhecem desde a temporada passada, pois se repete incessantemente da mesma forma: o time abre o placar, sofre pressão, a respiração fica ofegante, o coração bate mais forte e, no momento em que a dúvida se insinua, o Blaugrana fecha o caminho à frente e espalha alegria entre seus torcedores.

Na partida de hoje contra o Espanyol, as coisas não saíram do habitual; foi, na verdade, uma versão em miniatura de toda esta temporada. O time catalão abriu dois gols de vantagem no primeiro tempo e, no início do segundo, o adversário acordou e diminuiu a diferença, criando momentos de apreensão que se estenderam por minutos que pareceram mais longos do que deveriam.

Esses momentos específicos, quando os sussurros da torcida se intensificam por medo dos cenários inesperados do futebol, são exatamente o “ponto crucial” da história do Barcelona nesta temporada, que geralmente termina da mesma maneira: um gol nos minutos finais traz de volta a tranquilidade, e outro gol transforma essa tranquilidade em comemoração.

O placar final é 4 a 1, e a tabela de classificação se prepara, talvez para a cerimônia de comemoração do título: 79 pontos para o Barça contra 70 do Real. Nove pontos separam as duas equipes, faltando sete rodadas.

  • Os números não são tudo

    O Barcelona registrou esta noite 26 vitórias, contra apenas 4 derrotas e um empate em 31 partidas; estamos, portanto, diante de uma temporada extraordinária que o Barcelona vem tecendo com maestria, em um dos seus momentos de maior estabilidade técnica da última década.

    Mas, além dos cálculos de que o time catalão precisa para garantir o título — e que são bem conhecidos —, os números às vezes enganam e não são confiáveis para resumir o quadro completo.

    O que não aparece nas estatísticas é como essa equipe construiu sua vantagem com uma solidez mental rara, um meio-campo que domina a condução das partidas e não se limita a apenas se adaptar à pressão dos adversários, e uma filosofia de ataque coletivo, onde não há espaço para um único astro, com jogadores de sangue-frio que sabem como decidir as partidas nos momentos decisivos.

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  • O clássico catalão não é moleza... Um forte indício

    O que aconteceu hoje no Camp Nou fornece indícios a favor do Barcelona, talvez mais do que a própria vitória. O Espanyol não é um grande time, mas conseguiu diminuir a diferença no segundo tempo e criou um momento de verdadeira pressão. O Barcelona não recuou, mas respondeu com dois gols aos 87 e 89 minutos. Considerando que registrou 19 chutes contra 11 do adversário, sendo 11 deles no alvo, e com 58% de posse de bola, isso é prova de que a equipe sabe como conduzir a partida mesmo quando ela não está indo conforme o planejado.

  • Sistema Fleck... Construa com tranquilidade

    Desde o início da temporada, Hans Flick tem enfrentado grande pressão e especulações de que talvez não consiga repetir o que conquistou na temporada passada. Agora, após a 31ª rodada, seu sistema de jogo está mais claro do que nunca: uma pressão alta organizada, um meio-campo que recupera a bola antes que o adversário a perceba e linhas próximas que reduzem ao adversário os espaços para pensar antes mesmo dos espaços para se movimentar. No centro desse sistema está Marc Cassado, que se tornou um dos meio-campistas mais influentes e equilibrados da Europa nesta temporada, sem ser o mais presente sob os holofotes da mídia.

    Flick criou um campeão com calma, persistência e trabalho árduo diário, não com barulho e alarde — e isso é muito mais difícil.

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  • A imagem principal: quando a única estrela se apaga

    O Barcelona continua sua campanha vitoriosa rumo ao título com um estilo organizado que não se abala nem pela ausência de uma única estrela, nem por conflitos de papéis ou disputas entre os astros pela atenção; o panorama geral mostra que, nesta temporada, o Barcelona é um time que distribui as responsabilidades, participa da criação de oportunidades e marca gols de várias fontes: Lewandowski finaliza com eficiência, Yamal cria ondas de oportunidades, Rafeinha pressiona e cria jogadas, e Olmo aparece nos momentos decisivos.

    Esse modelo, quando funciona com eficiência, é mais difícil de parar do que o modelo do único astro, pois não possui um único ponto fraco no qual se concentrar.

  • Entre o Barcelona e o título... é só uma questão de tempo!

    Por outro lado, o Real Madrid continua a mostrar o seu melhor nos grandes jogos e o seu pior naqueles que não deveriam ser difíceis, como aconteceu ontem contra o Girona e, antes disso, contra o Maiorca e o Getafe, ao passo que conseguiu superar o Benfica, o City e o Atlético de Madrid.

    Essa contradição acentuada não cria — na maioria das vezes — um campeão, mas sim uma equipe confusa e com mais dúvidas do que o habitual. Com 9 pontos de diferença entre os rivais e 7 rodadas restantes, não é possível diminuir a diferença apenas com emoção e entusiasmo forçados, mas sim com consistência, equilíbrio e continuidade — exatamente o que o Real Madrid tem claramente perdido.

    O título está nas mãos do Barcelona, a menos que o próprio clube o abra mão, ou que ocorram outros cenários.