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Markus MerkIMAGO / Eibner

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Lenda do arbitragem revela: a FIFA ameaçou a Alemanha com a exclusão da Copa do Mundo

Pelo menos é o que afirma a lenda alemã do arbitragem, Markus Merk. “Já estamos acostumados a muitas coisas da FIFA nos últimos anos e sabemos muito bem: o que é dito hoje pode não valer mais amanhã. Mas acho que, no geral, isso é o cúmulo”, disse Merk em entrevista ao programa “Sportschau” sobre os acontecimentos de alguns dias atrás, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu ter intercedido junto ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para que fosse revogada a suspensão por cartão vermelho imposta ao melhor atacante dos EUA, Balogun (três gols).

  • Na sequência do telefonema de Trump para Infantino — segundo a interpretação mais comum dos acontecimentos —, a pressão sobre a comissão disciplinar responsável aumentou e a pena mínima pela expulsão de Balogun — que ele recebeu, em conformidade com as regras, após uma entrada infeliz contra Tarik Muharemovic, da Bósnia — foi, de forma totalmente inesperada, suspensa com condicional, em vez de resultar em uma suspensão de um jogo para as oitavas de final contra a Bélgica. Para Merk, isso não passou de uma “distorção da competição”.

    “Está claramente estabelecido, para todas as federações nacionais, em todas as ligas: um cartão vermelho significa suspensão de uma partida. Nos últimos anos, a FIFA tem ameaçado com frequência as federações nacionais, dizendo que, caso não cumpram essa regra, a seleção nacional será excluída da próxima competição. Isso já aconteceu na Alemanha também”, continuou Merk, lembrando-se então, em entrevista à Sport1, de um incidente não detalhado ocorrido em 2006.

    “Isso também já nos atingiu na Alemanha. Acho que foi antes da Copa do Mundo de 2006; houve uma situação na Bundesliga em que o árbitro cometeu um erro claro de arbitragem. O cartão vermelho foi claramente errado, e o Tribunal Desportivo chegou a considerar a absolvição do jogador. A FIFA ameaçou dizendo que, se fizessem isso — e isso não se aplicava apenas à DFB, mas também a outras federações —, a seleção nacional seria excluída da próxima competição. Ou seja, a própria FIFA defendeu esse parágrafo com veemência”, explicou o homem de 64 anos. 

    A decisão de “perdoar” Balogun para as oitavas de final da seleção anfitriã da Copa do Mundo contra a Bélgica, portanto, “deixa sem palavras; ela ataca a integridade do futebol, ataca a base do regulamento”.

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  • USA v Belgium: Round of 16 - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    A Bélgica arrasa os EUA com “motivação extra” após o caso Balogun: “Overturn this!”

    No fim das contas, o escândalo acabou beneficiando apenas os belgas, que até então vinham apresentando um desempenho bastante decepcionante. Contra os EUA, os Diabos Vermelhos fizeram, de longe, sua melhor partida nesta fase final da Copa do Mundo e derrotaram os americanos por 4 a 1, enquanto Balogun passou completamente despercebido. Depois do jogo, fontes da equipe afirmaram que o caso Balogun teria servido como uma espécie de motivação extra.

    “Acho que na vida sempre existe uma certa justiça. Pode-se chamar o que aconteceu do jeito que quiser, mas não tivemos a sensação de que fosse justo”, disse o meio-campista Nicolas Raskin. Ele acredita “que isso talvez tenha nos dado um pouco de energia extra”.

    Essa “energia extra” ficou especialmente evidente quando Romelu Lukaku comemorou seu gol, que fechou o placar em 4 a 1, junto com o resto da equipe com a chamada “dança do Trump”, para enviar uma mensagem clara ao presidente dos EUA, que se intrometeu no assunto. 

    “Prezado senhor presidente, saudações da Bélgica. O que Donald Trump achará disso? Os Demônios Vermelhos comemoram um gol imitando a famosa dança do presidente dos EUA”, escreveu o jornal belga Het Laatste Nieuws sobre o assunto. O Voetbalkrant também comentou: “Os Diabos Vermelhos zombam de Trump. Após o apito final, houve uma comemoração notável em campo.”

    Até mesmo a conta oficial da seleção belga noX não resistiu a dar uma alfinetada em Trump e Infantino. Após o fim da partida, os Red Devils divulgaram uma foto de Lukaku comemorando, acompanhada da frase: “Overturn this” (em português: “Anulem isso”) — uma alusão óbvia à suspensão imposta a Balogun.

  • Gianni InfantinoGetty Images

    "Caso Balogun": Gianni Infantino corre o risco de enfrentar problemas?

    Especialmente para o presidente da FIFA, Infantino, o caso Balogun ainda pode ter consequências desagradáveis em seu caminho rumo à reeleição em 2027, embora o próprio Infantino, de 56 anos, tenha, naturalmente, negado qualquer envolvimento no caso e tenha se referido à decisão “independente” da Comissão Disciplinar. É possível que, no futuro, se forme uma resistência significativamente maior contra as manobras de Infantino; pelo menos foi o que deu a entender o presidente da DFB, Bernd Neuendorf, que faz parte do Conselho da FIFA.

    “Concordo com a UEFA que esse caso não deve ser arquivado, mas precisa, em primeiro lugar, ser discutido mais a fundo entre as federações europeias de futebol”, disse Neuendorf. 

    No entanto, a possibilidade de realmente ocorrer uma destituição do presidente da FIFA, ávido por poder, ou de uma denúncia à Comissão de Ética da FIFA e uma suspensão parece praticamente impossível, dada a popularidade comprada por Infantino junto às muitas federações menores.

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