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Lembrem-se de 2006... Haaland e Yamal refletem a imagem do “Messi protegido” e do “Ronaldo aventureiro”

Erling Haaland e Lamine Yamal se preparam para disputar a primeira Copa do Mundo de suas carreiras no verão de 2026, e chegam ao torneio com um prestígio que uma geração inteira não conhecia há 20 anos.

O primeiro chega aos 25 anos como o atacante mais letal da Europa, carregando nas costas o sonho da Noruega, ausente da Copa do Mundo desde 1998; o segundo completará 19 anos durante o torneio, depois de já ter sido coroado campeão da Europa com a Espanha enquanto ainda era estudante.

O mundo trata Haaland e Yamal hoje como se fossem os herdeiros naturais do trono do futebol; os jornais falam da “disputa da próxima década”, e as torcidas comparam seus números antes mesmo de eles tocarem na primeira bola da Copa do Mundo... Mas a história sussurra uma verdade diferente: nem mesmo os maiores que jogaram o esporte começaram como lendas.

Antes de Haaland e Yamal, outros dois jogadores se encontravam exatamente na mesma encruzilhada no verão de 2006, na Alemanha; Lionel Messi tinha 18 anos e buscava minutos com a Argentina, e Cristiano Ronaldo era um ponta de 21 anos em busca de reconhecimento com a Portugal... Nenhum dos dois ganhou a Copa naquele ano, e nenhum deles foi a estrela do torneio. Então, o que eles realmente mostraram em sua estreia? E qual é a lição que aguarda a nova geração?

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  • Idade e contexto... A primeira entrada sob pressão

    Messi não era uma estrela em 2006, mas sim um jovem em busca de minutos em campo; ele chegou à Alemanha com 18 anos e 357 dias, após uma primeira temporada notável no Barcelona, marcada por uma longa lesão.

    José Pékerman o convocou como um “projeto para o futuro”, e não como uma solução imediata, e sua primeira participação na Copa do Mundo aconteceu na segunda partida, contra a Sérvia e Montenegro, quando entrou como substituto aos 75 minutos.

    Ronaldo estava em uma situação um pouco diferente: aos 21 anos, ele já havia conquistado a Premier League com o Manchester United e chegado à final da Euro 2004 em casa.

    Luís Filipe Scolari lhe deu a camisa número 17 e total confiança, e ele jogou quase todas as partidas, mas ainda era aquele ponta magro que driblava muito e caía muito, e ainda não era a “máquina” que conhecemos.

    Haaland e Yamal entram em 2026 sob uma pressão muito maior... Haaland carrega o fardo de uma nação inteira que não se classifica desde 1998, e Yamal carrega o título de campeão europeu com a Espanha, mesmo não tendo completado 18 anos. 

    O contexto mudou: Messi e Ronaldo entraram em relativo silêncio, mas hoje cada toque será transmitido ao vivo para milhões de espectadores.

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  • Messi Ronaldo split 2025Getty/GOAL

    Os números não mentem... O que "O Don e O Pulga" realmente fizeram?

    Os números de Messi em sua primeira Copa do Mundo foram modestos no papel, mas brilham na memória; ele jogou apenas 121 minutos, distribuídos por três partidas, nenhuma das quais como titular.

    Ele marcou um gol e deu uma assistência na histórica vitória por 6 a 0 contra a Sérvia, tornando-se o mais jovem artilheiro argentino na história do torneio, mas ficou de fora da partida das quartas de final contra a Alemanha, em uma decisão que os argentinos ainda consideram o grande erro de Beckerman.

    Já Ronaldo jogou muito mais: 6 partidas completas, 480 minutos, marcou um único gol de pênalti contra o Irã e criou uma chance decisiva contra a Holanda.

    Mas sua participação ficou marcada por um único momento: a famosa piscadela após a expulsão de Wayne Rooney nas quartas de final contra os Três Leões. A Inglaterra o odiou, e Portugal chegou às semifinais pela primeira vez em 40 anos.

    O resumo numérico é claro: nem Messi nem Ronaldo foram os artilheiros do torneio, nem mesmo as estrelas de suas seleções em 2006; eram apenas jogadores promissores que davam lampejos, e essa é a primeira lição para Haaland e Yamal: a estreia não se mede apenas pelos gols, mas pelo impacto.

  • Spain v Iraq - International FriendlyGetty Images Sport

    O papel do técnico... Yarmal e Haaland: proteção ou ousadia?

    Beckerman optou pela segurança; preferiu a experiência de Crespo, Riquelme e Saviola à ousadia de Messi; e quando a Argentina precisava de um gol contra a Alemanha, com o placar em 1 a 1, tirou Riquelme e colocou Campiasso, deixando Messi no banco; naquele momento, a Argentina perdeu nos pênaltis, e Beckerman saiu pela porta dos fundos.

    Já Scolari fez exatamente o contrário; apostou em Ronaldo como titular em todas as partidas, mesmo quando seu nível físico caiu, deu-lhe liberdade de movimento e permitiu que ele cobrasse as jogadas de bola parada... E o resultado? Ronaldo saiu chorando após a derrota para a França na semifinal, mas também saiu como um grande jogador.

    Hoje, Ståle Solbakken e Luis de la Fuente enfrentarão o mesmo dilema. Será que vão escalar Haaland e Yamal por 90 minutos em todas as partidas e arcar com o desgaste mental? Ou vão protegê-los, como fez Beckerman? A decisão do técnico na primeira Copa do Mundo muitas vezes define a trajetória do jogador por uma década inteira.

  • TOPSHOT-FBL-RIYADH-CUPAFP

    A imagem mental... a primeira impressão enganosa

    O mundo não saiu de 2006 gritando “Messi é o melhor”, mas sim se perguntando: “Por que ele não jogou mais?”, enquanto a imprensa argentina o descreveu como “o tesouro enterrado” e a espanhola escreveu: “O Barcelona tem o novo Maradona, mas a Argentina não o vê”. Era uma impressão de surpresa misturada com frustração.

    Já Ronaldo saiu com uma imagem ainda pior; na Inglaterra, chamaram-no de “trapaceiro”, e em Portugal consideraram-no um herói nacional. Não houve neutralidade, já que seu primeiro Mundial não criou uma lenda mundial, mas sim uma figura controversa; aquela piscadela continuou a persegui-lo até 2008.

    É exatamente isso que espera por Yamal e Haaland; o espanhol entrará como o “menino prodígio” que pode ser acusado de egoísmo se driblar demais, e o norueguês entrará como a “máquina” que pode ser criticada se não marcar nos dois primeiros jogos... A primeira impressão na Copa do Mundo raramente é justa, mas permanece.

  • Erling Haaland Norway 2026Getty Images

    Depois da estreia... o longo caminho

    A principal lição de 2006 é que a primeira Copa do Mundo não garante o título; Messi precisou de mais quatro participações e 16 anos de decepções até levantar a taça no Catar em 2022. Já Ronaldo disputou cinco edições, chegou às semifinais apenas uma vez e nunca chegou à final.

    Eles não se tornaram lendas na Copa do Mundo da Alemanha, mas começaram lá; Messi aprendeu com a reserva de Beckerman que o talento por si só não basta, e Ronaldo aprendeu com as lágrimas de 2006 que a liderança traz responsabilidade... Ambos voltaram mais fortes.

    Portanto, julgar Haaland e Yamal em 2026 seria precipitado; se Haaland marcar cinco gols e for eliminado nas oitavas de final, ou se Yamal der três assistências e a Espanha não vencer, isso não será um fracasso... Messi e Ronaldo nos ensinaram que a estreia na Copa do Mundo não é o fim da história, mas apenas a primeira página.