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Entre o medo e a convicção... Será que Donis tem uma visão clara da seleção saudita?

Em torneios do porte da Copa do Mundo, pode-se perder uma partida ou sofrer uma derrota pesada diante de uma grande seleção, mas o que preocupa mais a torcida do que o próprio resultado é a sensação de que a equipe não possui uma identidade clara nem um projeto técnico previsível.

E é exatamente isso que envolve a seleção saudita antes do confronto contra Cabo Verde, na madrugada de sábado, pela terceira e última rodada da Copa do Mundo de 2026.

Em apenas alguns dias, o discurso passou de uma convicção total em um determinado estilo de jogo para fortes indícios de uma mudança completa, como se a comissão técnica ainda estivesse buscando respostas, apesar de o torneio ter chegado às suas fases decisivas.

A questão aqui não diz respeito a cinco ou quatro zagueiros, mas sim à pergunta mais importante: o que Donis pretende fazer?

  • Spain v Saudi Arabia: Group H - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    Identidade instável

    Quando Donis assumiu o comando da seleção saudita, a maior esperança da torcida era que ele conseguisse rapidamente construir uma identidade clara para a equipe e deixar sua marca técnica em um grupo de jogadores com vasta experiência nos âmbitos internacional e continental.

    Mas, com o passar do tempo, a mesma pergunta continua em aberto: qual é a verdadeira identidade da seleção saudita sob o comando de Donis?

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    No futebol moderno, não se exige que o técnico se apegue a um único estilo de jogo o tempo todo; pelo contrário, a flexibilidade tornou-se um elemento essencial para o sucesso de qualquer time, mas flexibilidade é algo totalmente diferente da falta de identidade.

    Até agora, a seleção saudita parece estar passando de uma ideia para outra em busca da solução ideal: em uma partida, ela se baseia no bloco defensivo e no recuo; em outra, o técnico fala sobre a importância da pressão e do ataque; jogadores entram no time titular e logo desaparecem; e as funções mudam de uma partida para outra, a ponto de se tornar difícil prever como a seleção entrará em campo em qualquer confronto.

    Essas mudanças rápidas não só causam uma sensação de instabilidade nos jogadores, como também impedem que a torcida compreenda o projeto técnico que o técnico está tentando construir.

    O mais preocupante é que essa situação não ocorre durante a fase de preparação ou em jogos amistosos, nos quais as ideias poderiam ser testadas livremente, mas sim durante a própria Copa do Mundo, torneio no qual qualquer seleção deveria entrar sabendo muito bem o que pretende apresentar em campo.

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  • Spain v Saudi Arabia: Group H - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    Será que a reação se tornou o principal motor?

    Após a dura derrota por 4 a 0 para a Espanha, Donis foi alvo de duras críticas da torcida e da mídia; as críticas não se limitaram apenas ao resultado, mas se estenderam ao próprio estilo de jogo, às escolhas da escalação, à natureza das funções atribuídas aos jogadores e até mesmo à maneira como a seleção lidou com o desenrolar da partida.

    É digno de nota que o técnico saiu logo após a partida para defender suas decisões técnicas, afirmando que não se arrepende da estratégia adotada e que o que aconteceu foi resultado da superioridade do adversário, mais do que um erro tático.

    No entanto, poucos dias depois, começaram a surgir fortes indícios de um retorno à defesa com quatro jogadores e do abandono da ideia de jogar com cinco defensores.

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    E é aí que surgem os pontos de interrogação: se o técnico estava realmente convencido do que apresentou contra a Espanha, por que mudou de ideia tão rapidamente? E se não estava convencido, por que apareceu diante da mídia com tanta confiança?

    Essas contradições abrem espaço para outra interpretação: a intensidade da pressão da torcida e da mídia após a goleada sofrida contra a Espanha talvez tenha influenciado a reformulação das ideias do técnico.

    Não se pode negar que qualquer técnico no mundo é influenciado pelo ambiente ao seu redor, mas as grandes seleções costumam ser conduzidas por convicções técnicas, e não por reações impulsivas.

  • Saudi Arabia Training And Press Conference - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    Cabo Verde não vai testar o esquema... mas sim o técnico

    Alguns podem achar que a partida contra Cabo Verde será um teste à capacidade da seleção saudita de se recuperar após a derrota para a Espanha, mas a verdade é que o maior desafio será para o próprio Donis.

    Como o resultado por si só não será suficiente para avaliar o que está acontecendo, a seleção saudita pode vencer, mas se voltar a mostrar falta de identidade ou um estilo totalmente diferente das partidas anteriores, as dúvidas permanecerão.

    Já se os “Verdes” apresentarem uma partida equilibrada, com organização clara, jogadas compreensíveis e personalidade estável em campo, o técnico poderá finalmente conseguir convencer a torcida de que tem um projeto concreto em andamento.

    O problema é que a torcida saudita não busca mais apenas a vitória ou a classificação, mas quer ver uma seleção cujas características sejam reconhecíveis e cuja filosofia do técnico possa ser compreendida.

    Por isso, o confronto contra Cabo Verde pode ser o jogo mais importante da trajetória de Donis até agora, pois não determinará apenas o destino da seleção no torneio, mas talvez também defina o grau de convicção da torcida de que o técnico possui uma visão clara do futuro.

    Se ele tiver sucesso, sairá do círculo de dúvidas pela primeira vez desde que assumiu o cargo; já se a mesma confusão persistir, as discussões sobre planos e escalações se tornarão meros detalhes diante de uma crise muito maior.

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