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Di María ou Messi... quem é o verdadeiro herói das glórias da Argentina?

A queda da Argentina diante da Espanha na final do Mundial de 2026 trouxe de volta à ribalta uma pergunta que ficara adiada desde que Ángel Di María se retirou da seleção há dois anos: terá faltado à equipa de Lionel Scaloni o verdadeiro herói dos bailarinos do tango nos grandes momentos?

Após a derrota por um golo apontado por Ferran Torres aos 106 minutos do prolongamento, surgiu uma série de números que estabelecem uma ligação entre a presença de Di María nas grandes finais e os resultados da seleção, reabrindo um velho debate sobre o seu impacto nos maiores compromissos, tanto a nível estatístico como no plano tático.

  • Última tentativa que não deu certo

    Meses antes do início do Mundial, vários jogadores da seleção argentina pediram a Di María que revertesse a sua decisão de se aposentar e participasse no torneio, mas o jogador manteve-se firme na sua posição.

    E quando a seleção argentina anunciou a sua lista preliminar em maio de 2026, o nome do experiente extremo esteve ausente de forma definitiva.

    O treinador Lionel Scaloni revelou posteriormente que a comissão técnica tentou convencer Di María a regressar, mesmo que fosse para disputar um jogo de despedida perante os adeptos, mas ele recusou.

    O jornal espanhol AS citou Scaloni: "Pedimos-lhe que viesse despedir-se dos seus adeptos. Ele foi-se embora, e não há forma de o convencer. Tentámos, mas a sua decisão é definitiva".

    E acrescentou: "Aposentou-se como vencedor, e é um dos melhores jogadores de futebol da nossa história".

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  • Final de 2026... números sem precedentes

     A final contra a Espanha deixou números ofensivos que talvez sejam os piores da história da Argentina em jogos decisivos de Copa do Mundo. A seleção não conseguiu efetuar um único remate ou uma tentativa de golo durante o tempo regulamentar da partida (90 minutos), pelo menos.

    Ao longo de todo o encontro, a Argentina limitou-se a apenas dois remates (para fora do alvo), contra 20 da Espanha (12 deles à baliza), enquanto a Espanha teve 65% de posse de bola, contra 35% da Argentina.

    A situação complicou-se ainda mais após a expulsão de Enzo Fernández aos 90+3 minutos, deixando a equipa a disputar o prolongamento com dez jogadores, num momento em que o guarda-redes Emiliano Martínez se agigantou com 11 defesas ao longo da partida, num claro indicador da dimensão da pressão defensiva a que a seleção argentina foi submetida.

    Estes números fazem da final de 2026 a pior ofensivamente para a Argentina na era de Lionel Messi, mesmo em comparação com a derrota na final do Mundial de 2014 diante da Alemanha.

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  • Efeito Di María?... Um registo que alimenta a polémica

    O registo de Di María nas finais reforça a polémica gerada após a derrota de 2026.

    Na final do Mundial de 2014, ficou de fora — devido a uma lesão muscular sofrida diante da Bélgica nos quartos de final — e a Argentina perdeu para a Alemanha. Depois, saiu lesionado durante a final da Copa América de 2015, que terminou com a derrota frente ao Chile nas grandes penalidades, antes de disputar a final da edição do Centenário em 2016 sem estar totalmente pronto, repetindo-se a derrota da mesma forma.

    Em contrapartida, Di María regressou em plena forma na final da Copa América de 2021 e marcou o golo da vitória sobre o Brasil. Voltou a balançar as redes também na final do Mundial de 2022 frente à França, antes de ser titular na final da Copa América de 2024, que a Argentina venceu diante da Colômbia.

    Já no Mundial de 2026, o jogador esteve totalmente ausente após a sua aposentadoria da seleção, e o torneio terminou com uma nova derrota na final.

    Esta sequência significa que a Argentina perdeu todas as finais em que Di María esteve ausente ou que disputou sem estar em plena condição física, enquanto venceu todas as finais em que participou no seu melhor estado.

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  • Números que vão além dos golos... consequências psicológicas

    O valor de Di María não se limitou à sua presença nas finais, pois o seu nome ficou associado a golos nas ocasiões mais decisivas. Marcou o golo da vitória na final dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 diante da Nigéria, depois marcou o golo do título na final da Copa América 2021 frente ao Brasil e acrescentou um golo na final do Mundial 2022 contra a França, um registo dificilmente igualável entre os jogadores da Argentina na era moderna, à exceção de Lionel Messi.

    A nível individual, Di María terminou o seu percurso internacional após 145 jogos, nos quais marcou 31 golos e distribuiu 32 assistências, ocupando ainda o segundo lugar na lista dos jogadores com mais participações na história da Copa América, com 28 jogos, atrás de Messi.

    O jogador tinha revelado em declarações anteriores ao site Infobaeque chegou a tomar medicamentos durante algum tempo devido ao impacto psicológico que lhe deixaram as derrotas nas finais de 2014, 2015 e 2016, apesar das conquistas alcançadas posteriormente.

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  • Um papel difícil de medir em números

    A comissão técnica não conseguiu encontrar um substituto fixo para o papel de Di María durante a Copa do Mundo de 2026. Scaloni experimentou mais do que uma opção no lado esquerdo, entre elas Thiago Almada, Giovani Lo Celso e Nicolás González, antes de mudar completamente o desenho tático na final, de um 4-3-3 para um 4-4-2, com a passagem de Alexis Mac Allister para a ponta esquerda, o que refletiu a continuidade da busca por uma fórmula que compensasse a ausência do jogador já aposentado.

    Reportagens da imprensa, citando membros da comissão técnica, também apontaram que Di María desempenhava um papel de liderança dentro do grupo e transmitia tranquilidade aos jogadores nos momentos decisivos, uma influência difícil de medir apenas pelos números.

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  • Os números não decidem tudo

    Apesar da forte correlação estatística, atribuir à ausência de Di María a responsabilidade pela derrota em 2026 e exagerá-la para diminuir o papel de Messi continua a ser uma simplificação do cenário. O Mundial de 2018 apresenta uma exceção clara, já que o jogador esteve presente e fisicamente apto, e ainda assim a Argentina foi eliminada nos oitavos de final diante da França, num contexto de problemas técnicos e de um evidente desequilíbrio da equipa na altura.

    Além disso, as conquistas da Argentina em 2021, 2022 e 2024 não dependeram apenas de Di María, mas surgiram também graças às defesas decisivas de Emiliano Martínez, aos golos de Lautaro Martínez e Julián Álvarez, e à estabilidade que Scaloni alcançou desde que assumiu o cargo.

    E na própria final de 2026, fatores diretos tiveram um papel influente, com destaque para a expulsão de Enzo Fernández e a lesão precoce de Lisandro Martínez, além da solidez da seleção espanhola, que entrou na partida com uma longa série de jogos sem derrota e manteve a baliza inviolada em cinco jogos consecutivos das fases eliminatórias.

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  • Messi impõe a sua palavra

    Por outro lado, os números de Lionel Messi apresentam uma hipótese completamente diferente, segundo a qual o capitão da Argentina continuou a ser o fator mais influente nos resultados da equipa albiceleste, e a sua presença individual permaneceu decisiva independentemente de Di María participar ou não, enquanto os resultados da equipa estiveram mais ligados ao nível do sistema como um todo do que à ausência de um único jogador.

    No Mundial de 2026, Messi, de 39 anos, protagonizou um dos seus melhores torneios individuais, depois de marcar 8 golos e servir outros 4 em 8 jogos.

    Elevou também o seu registo para 21 golos, tornando-se com eles o segundo melhor marcador da história do Mundial, atrás de Kylian Mbappé (22).

    Tornou-se ainda o primeiro jogador a servir pelo menos uma assistência em seis edições diferentes do torneio (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026), e o primeiro a marcar em sete jogos consecutivos nas fases eliminatórias.

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    Estes números confirmam que o recuo coletivo da Argentina na final não se refletiu no nível individual do seu capitão. O impacto acumulado pende a favor de Messi: ao comparar a carreira internacional dos jogadores, torna-se claro que Messi supera por larga margem em número de jogos, golos e assistências, para além de ter liderado a Argentina a três finais de Campeonato do Mundo, nos anos de 2014, 2022 e 2026, um feito sem precedentes para qualquer jogador na história do torneio.

    Além disso, os fracassos da Argentina nas finais não começaram com a ausência de Di María, já que Messi perdeu a final da Copa América de 2007 frente ao Brasil por 3-0, um ano inteiro antes da estreia internacional de Di María, em 2008.

    Isto indica que a dificuldade em decidir as finais já existia antes da entrada do experiente extremo na seleção, e prosseguiu depois por razões que ultrapassam a presença de um jogador específico.

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