A geração mais jovem de torcedores talvez nem saiba o que foi o lendário Highbury. Muitos dos jogadores atuais do Arsenal — como Max Dowman, Myles Lewis-Skelly e Ethan Nwaneri — nasceram depois que o clube deixou sua antiga casa. Hoje, grande parte do terreno foi transformada em apartamentos, mas alguns ainda preservam elementos da arquitetura original por causa do valor histórico do estádio.
O Arsenal começou a cogitar uma mudança de casa entre 1996 e 1998, quando Arsène Wenger assumiu o comando e conquistou seu primeiro título da Premier League. As novas regras que exigiam estádios com todos os assentos reduziram bastante a capacidade de Highbury, o que impactava diretamente as finanças do clube — especialmente em uma época em que a renda dos jogos se tornava um diferencial importante, como mostrava o sucesso do Manchester United e sua ampliação de Old Trafford.
Curiosamente, o Arsenal chegou a considerar a compra de Wembley, que seria demolido e reconstruído na época. O clube poderia até ter mudado de bairro sem alterar o nome “Arsenal”, o que tornava a ideia viável — embora impopular entre os torcedores locais. O time, inclusive, mandou jogos da Champions League em Wembley entre 1998 e 2000 para aumentar a receita, mas a FA (Federação Inglesa) vetou o acordo.
Pouco depois, o clube encontrou um novo local — a apenas 500 metros de Highbury — e começou o projeto do estádio que hoje é o Emirates. A aprovação final veio em 2001, com a exigência de o clube ajudar na modernização do bairro e realocar empresas locais. “Este é o projeto de estádio mais complicado do mundo”, disse o então diretor Danny Fiszman. Para Wenger, foi “a maior decisão da história do Arsenal”.
A mudança definitiva aconteceu em 2006. A Emirates Airlines comprou os direitos de nome do estádio por 100 milhões de libras (R$ 725,6 milhões) o que cobriu cerca de um quarto do custo total da obra. Mesmo assim, o Arsenal só começou a sentir os benefícios financeiros da mudança em 2014, quando quitou as dívidas. Hoje, o clube tem a segunda maior arrecadação de bilheteria da Premier League, atrás apenas do United — mas Tottenham, Liverpool e Manchester City já ameaçam ultrapassá-lo, o que reacende a ideia de expansão.