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Brazil v Morocco: Group C - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

De contestado a indispensável: como Danilo virou peça-chave da seleção de Ancelotti

A convocação de Danilo para a Copa do Mundo foi cercada por desconfiança. Reserva no Flamengo, o defensor teve sua presença na lista questionada por parte da torcida e da imprensa, sobretudo após Carlo Ancelotti afirmar, semanas antes da convocação oficial, que o experiente jogador estaria no Mundial. Para muitos, o treinador italiano apostava em um atleta que já não parecia viver seu melhor momento.

Pouco tempo depois, o cenário mudou completamente. Bastaram três partidas para Danilo transformar a desconfiança em reconhecimento. Desde que entrou no intervalo da estreia diante do Marrocos, substituindo Ibañez após um primeiro tempo inseguro, o camisa 13 não deixou mais a equipe titular.

Hoje, é difícil imaginar a seleção brasileira sem sua presença, tanto pelo equilíbrio defensivo quanto pela liderança exercida dentro e fora de campo.

  • Brazil v Haiti: Group C - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    A mudança que reorganizou a defesa brasileira

    A lateral direita chegou à Copa como uma das principais preocupações da comissão técnica. As lesões de Éder Militão, antes da convocação, e de Wesley obrigaram Ancelotti a buscar alternativas. A primeira escolha foi improvisar Ibañez no setor, mas a experiência durou apenas 45 minutos.

    Na volta do intervalo contra o Marrocos, Danilo entrou em campo e reorganizou completamente o lado direito da defesa. Desde então, o Brasil passou a sofrer menos naquele corredor e ganhou um defensor capaz de interpretar os diferentes momentos das partidas.

    Sem precisar aparecer constantemente no ataque, o lateral ofereceu exatamente aquilo que a equipe necessitava: segurança, posicionamento e leitura de jogo. O resultado foi uma seleção mais equilibrada sem a bola e muito mais consistente defensivamente.

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    A reinvenção de um lateral que conhece suas características

    A ascensão de Danilo está longe de ser fruto do acaso. Ela representa o resultado de uma reinvenção construída ao longo dos últimos anos, especialmente após atuar como zagueiro no Flamengo antes de voltar à lateral-direita na seleção.

    A experiência acumulada em clubes como Real Madrid, Manchester City e Juventus contribuiu para moldar um jogador que entende perfeitamente suas limitações e potencialidades.

    "Eu sempre disse: se você precisar de um lateral que faça corredor e dê profundidade a todo tempo, eu não sirvo. Mas se precisar de um jogador que entenda os momentos, encurte distâncias e seja um equilibrador, eu sirvo bastante".

    A declaração resume o papel desempenhado por Danilo nesta Copa. Em uma equipe que conta com pontas velozes, como Vinícius Júnior e Raphinha, seu papel não é acelerar o jogo pelo lado, mas garantir que toda a estrutura defensiva funcione de maneira organizada.

    Essa inteligência ficou evidente na vitória sobre a Escócia. Foi dele a pressão alta que resultou na recuperação da bola no campo ofensivo, dando início à jogada que terminou no cruzamento de Bruno Guimarães para o gol de Vinícius Júnior.

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    Os números mostram que a idade não diminuiu sua intensidade

    Aos 34 anos, um dos principais argumentos utilizados contra sua convocação era a suposta perda de intensidade física. Os dados da Copa do Mundo mostram justamente o contrário.

    Na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, Danilo foi o jogador mais veloz da seleção brasileira, alcançando 34,2 km/h, segundo dados da FIFA. Apenas Gabriel Martinelli também superou a marca dos 34 km/h, registrando 34,1 km/h.

    Além disso, o defensor ficou atrás apenas de Vinícius Júnior no número de metros percorridos acima de 25 km/h, com 354,3 metros, contra 466,8 do atacante. Também terminou a partida como o quarto atleta que mais correu, percorrendo 9.662,4 metros, atrás apenas de Vinícius, Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães.

    A regularidade física também apareceu nos jogos anteriores. Contra Haiti e Marrocos, Danilo atingiu velocidades máximas de 32,1 km/h e 32,7 km/h, respectivamente, liderando a equipe nesse quesito nas três partidas disputadas.

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    Liderança que vai além das estatísticas

    Se os números explicam parte da importância de Danilo, sua influência sobre o grupo talvez seja ainda maior.

    Enquanto o entusiasmo cresce em torno da campanha brasileira, o defensor tem sido uma das principais vozes de equilíbrio dentro da delegação.

    "Nós temos que ser claros: nós não temos a maturidade da França ou da Argentina. Nós não temos essa maturidade enquanto equipe. O que não quer dizer que a gente não possa fazer um bom papel".

    A postura demonstra um perfil de liderança valorizado por Ancelotti. Em vez de alimentar a euforia, Danilo ajuda a controlar expectativas e transmite serenidade aos jogadores mais jovens, algo considerado fundamental em uma competição de mata-mata.

    Para Athirson, ex-lateral do Flamengo e da seleção brasileira, essa maturidade explica por que o treinador italiano nunca deixou de confiar no camisa 13.

    "Vejo o Danilo vivendo um momento de muita maturidade. Ele talvez não tenha mais o mesmo vigor físico de alguns anos atrás, mas compensa isso com inteligência tática, posicionamento e leitura de jogo. Em uma competição como a Copa do Mundo, experiência pesa muito. Se o treinador o mantém entre os convocados, é porque ele entrega equilíbrio, liderança e confiança ao grupo", disse em entrevista ao Lance!.

    Athirson também destaca o peso da liderança em torneios curtos.

    "Uma Copa do Mundo é decidida não só pela qualidade técnica, mas também pelo controle emocional e pela força do grupo. Um líder como o Danilo ajuda a manter o ambiente equilibrado, orienta os mais jovens e transmite tranquilidade nos momentos de pressão. Muitas vezes, esse tipo de liderança não aparece nas estatísticas, mas faz toda a diferença dentro do vestiário e em campo. As grandes seleções campeãs sempre tiveram jogadores com esse perfil, capazes de unir o grupo e manter todos focados no objetivo".

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    A aposta de Ancelotti que se confirmou

    Talvez o maior mérito de Danilo tenha sido se reinventar justamente quando muitos imaginavam que sua trajetória na seleção caminhava para o fim. Depois de perder espaço no Flamengo, voltou a desempenhar a função de lateral-direito na equipe nacional e transformou a condição de reserva no clube em titular absoluto do Brasil.

    A Copa do Mundo mostra que Carlo Ancelotti enxergava algo que poucos percebiam antes do torneio. Ao lado de Vinícius Júnior, Danilo se consolidou como um dos atletas mais consistentes da campanha brasileira. Sem protagonismo nos lances plásticos ou grandes números ofensivos, tornou-se indispensável por oferecer aquilo que toda equipe vencedora precisa: equilíbrio, segurança e inteligência para fazer o coletivo funcionar.