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Internacional v Fluminense - Brasileirao 2026Getty Images Sport

CBF abre debate sobre estaduais e admite mudanças no calendário brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltou a discutir o futuro do calendário do futebol nacional. Durante participação na Rio Innovation Week, nesta quinta-feira (6), o diretor de competições da entidade, Julio Avellar, afirmou que a CBF não defende o fim dos campeonatos estaduais, mas admitiu que o modelo atual seguirá sendo avaliado diante dos desafios impostos pelo crescimento das competições nacionais e internacionais.

Segundo o dirigente, a entidade promoveu mudanças importantes nos últimos anos para equilibrar o calendário entre clubes das diferentes divisões do país. Apesar disso, reconheceu que ainda existem dificuldades para conciliar estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil, torneios continentais e as datas Fifa.

  • Palmeiras v Corinthians - Paulista Championship 2018Getty Images Sport

    CBF defende permanência dos estaduais no calendário nacional

    Julio Avellar afirmou que os campeonatos estaduais continuam desempenhando papel importante na estrutura do futebol brasileiro e descartou a possibilidade de defender sua extinção.

    Para o diretor, comparar o calendário brasileiro ao modelo europeu exige cautela, já que a dimensão territorial e a organização do futebol nacional tornam a realidade bastante diferente.

    "Não acho que o estadual tenha que acabar. Se você comparar o Brasil com a Europa, é quase do mesmo tamanho. Se pegarmos nossos 27 estados, temos basicamente 27 países com sua importância para o futebol brasileiro".

    Avellar destacou que as recentes alterações promovidas pela CBF reduziram o número de datas dos estaduais para os clubes da Série A, ao mesmo tempo em que ampliaram o calendário para equipes das divisões inferiores, aumentando oportunidades esportivas e profissionais em todo o país.


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  • imago-sport-1044502845.jpgTheNews2

    Reformulação buscou ampliar oportunidades para clubes menores

    Segundo o dirigente, um dos principais objetivos da reformulação do calendário foi corrigir um desequilíbrio histórico entre clubes das diferentes divisões.

    Enquanto as equipes da elite enfrentavam excesso de partidas, muitos clubes das Séries C e D disputavam poucos jogos ao longo da temporada.

    A solução encontrada pela CBF foi ampliar vagas em competições nacionais, como o Brasileirão e a Copa do Brasil, além de oferecer investimentos em cotas de participação, transporte e logística.

    "O desafio era reduzir o número de partidas para os clubes de elite e aumentar para os times de divisões inferiores, por meio do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, como foi feito".

    Avellar também afirmou que o processo só foi possível graças ao diálogo com as federações estaduais e à disposição política da atual gestão da entidade para implementar mudanças.

  • imago-sport-1079228228.jpgZUMA Press Wire

    Estaduais ao longo do ano são viáveis, mas levantam preocupações

    Durante o painel, Julio Avellar também comentou uma proposta frequentemente debatida no futebol brasileiro: distribuir os campeonatos estaduais ao longo de toda a temporada, em vez de concentrá-los no início do ano.

    Embora reconheça que a ideia seja possível do ponto de vista matemático, o dirigente acredita que a mudança pode trazer impactos negativos, principalmente para clubes de menor investimento.

    "Matematicamente, é possível. Não sei se é o melhor caminho, porque diluir ainda mais afeta os times de menor investimento em manter o plantel e o planejamento. A parte financeira não fecha".

    Na avaliação da CBF, a ampliação das competições internacionais dificulta ainda mais qualquer tentativa de reorganizar o calendário nacional, reduzindo a margem para novas mudanças.

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    Crescimento de torneios internacionais aumenta pressão sobre o calendário

    Avellar destacou que o calendário brasileiro enfrenta uma pressão crescente provocada pelo aumento do número de jogos promovidos pela Fifa e pela Conmebol.

    Ao mesmo tempo em que essas entidades expandem suas competições, a CBF tenta reduzir o número de datas ocupadas pelos estaduais e atender antigas reivindicações dos clubes, como a paralisação das competições durante as datas Fifa.

    "O calendário vem sofrendo pressão há um tempo. Fifa e Conmebol estão aumentando suas competições, e, do outro lado, nós tentamos reduzir os estaduais".

    O dirigente lembrou que a entidade também passou a adotar pausas durante as datas Fifa e reduziu o espaço destinado aos estaduais, que passaram de 16 para 11 datas no calendário oficial.

  • imago-sport-1080731242.jpgFotoarena

    CBF mantém discussão aberta sobre novos ajustes

    Apesar de defender o atual modelo, Julio Avellar reconheceu que o calendário brasileiro continuará sendo analisado pela entidade.

    Segundo ele, algumas decisões, como o início do Brasileirão antes do encerramento dos estaduais, foram motivadas por questões contratuais envolvendo os atletas, já que muitos jogadores possuem vínculos mínimos de três meses.

    Por isso, a CBF optou por entrelaçar as primeiras rodadas da Série A com a reta final dos campeonatos estaduais, buscando minimizar os impactos sobre clubes e competições.

    "O processo continua. Estamos estudando tudo isso e as consequências que isso tem".