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Campeonato Brasileiro tem queda brusca em atendimentos a goleiros após medidas anti-cera

A cena de um goleiro caído no gramado após uma defesa está cada vez mais rara no Campeonato Brasileiro. A mudança na regra para atendimentos médicos, adotada a partir da 23ª rodada, provocou uma queda acentuada nesse tipo de interrupção.

Dados apresentados pela CBF aos clubes em reunião realizada na última segunda-feira, no Rio de Janeiro, mostram que o número de atendimentos a goleiros caiu 78,2% na comparação com o período anterior à mudança. O levantamento considera os jogos do Brasileirão desde 2022 até a 22ª rodada de 2026.

Segundo estudo realizado pelo ge e apresentado pela entidade, foram 88 atendimentos em 215 partidas antes da nova regra. Depois da implementação, o número caiu para nove em 62 jogos - redução de 65% considerando apenas o Brasileirão deste ano.

Além das possíveis situações de cera, a CBF identificava que os atendimentos poderiam ser utilizados de forma estratégica pelas comissões técnicas para transmitir instruções aos jogadores. De acordo com o estudo, 83% dos atendimentos eram considerados "estratégicos".

  • Corinthians v Atletico Mineiro - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Queda nas interrupções

    O levantamento contabilizou as interrupções provocadas pela entrada da equipe médica em campo desde 2022. Ao todo, foram 805 atendimentos em 1.797 partidas, média de 0,45 por jogo.

    A média de atendimentos oscilou naturalmente ao longo dos últimos cinco anos, mantendo-se próxima de 0,46 por partida. Em alguns períodos de 2023 e 2025, chegou a superar 0,7.

    A partir da 23ª rodada de 2026, porém, a curva mudou. O índice caiu de forma contínua até chegar a 0,1 atendimento por jogo nas rodadas mais recentes, o menor patamar da série histórica.

    Antes da mudança, 90% dos atendimentos ocorreram quando a equipe do goleiro estava vencendo ou empatando: foram 717 casos. Apenas 79 aconteceram com o time em desvantagem.

    O cenário mudou após a nova regra. Nenhum dos nove atendimentos registrados aconteceu com a equipe à frente no placar. Cinco ocorreram com o jogo empatado (55%) e quatro com o time perdendo (44%).

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  • FBL-WC-2026-BRA-PRESSERAFP

    Medidas adotadas pela CBF

    A nova regra determina que jogadores atendidos por problemas médicos permaneçam fora de campo por um minuto. No caso dos goleiros, um jogador de linha da mesma equipe também precisa deixar o gramado pelo mesmo período.

    O treinador tem dez segundos para indicar quem será substituído temporariamente. Caso não faça a escolha, o capitão deixa o campo. Se o capitão for o goleiro, sai um jogador previamente sorteado.

    A medida foi adotada pelo departamento de arbitragem da CBF para combater a chamada cera em situações de suposta lesão dos goleiros. A entidade entende que essas interrupções também podem ser utilizadas para a transmissão de instruções pelos treinadores e para retardar a retomada da partida.

    A iniciativa faz parte de um conjunto de mudanças para aumentar o tempo de bola rolando no Brasileirão. Outro ponto citado pela CBF foi a redução das interferências do VAR em lances considerados subjetivos, que dependem da interpretação do árbitro.

    Segundo a entidade, houve queda de 50% nas revisões da Série A. Antes da mudança, foram 70 revisões em 216 partidas. Depois da 23ª rodada, foram apenas oito em 50 jogos analisados - de uma revisão a cada três partidas para uma a cada seis.

    O aumento do tempo de bola em jogo também foi registrado nos números da competição. A CBF estima que as novas medidas acrescentaram, em média, 4min49s por partida. O recorde da Série A foi registrado em Mirassol x Botafogo, pela 27ª rodada, com 70min12s de bola rolando.

    Na 28ª rodada, a média chegou a 61min59s. Considerando apenas os jogos sob as novas regras, o Brasileirão registra média de 58min43s de bola em jogo, atrás apenas da Ligue 1, da França, segundo a apresentação da CBF.

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