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Calleri cobra meninos de Cotia e explica por que não se vê como ídolo no São Paulo

O São Paulo venceu o Atlético-MG por 2 a 0 neste sábado (5), no Morumbis, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, e ganhou um pouco mais de tranquilidade em meio ao momento turbulento vivido pelo clube. Reserva na partida após ser preservado por Dorival Júnior, Calleri falou sobre a situação do Tricolor e destacou a importância de os jogadores formados em Cotia assumirem mais protagonismo.

Em entrevista exclusiva à ESPN, o atacante reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelo São Paulo e apontou a utilização dos jovens como um dos caminhos para ajudar o clube a atravessar a crise.

“Os que estão dentro e fora do clube, vocês que cobrem o São Paulo, os torcedores, todo mundo sabe que o clube está passando por uma situação delicada economicamente. Por isso te falo: os meninos precisam dar um passo à frente para jogar e serem vendidos, para o São Paulo receber dinheiro por meio deles”, afirmou.

Calleri também citou Luciano e Rafael como referências do elenco e ressaltou que o papel dos jogadores mais experientes é ajudar os garotos de Cotia a evoluírem dentro do time.

“Acho que Luciano, Rafael e eu temos que começar a tomar mais à frente, ensinar o caminho aos que vêm de Cotia. Temos muitos meninos bons, meninos que merecem ter uma sequência importante e, com a realidade do clube, a gente precisa muito que esses meninos deem um passo para frente, que comecem a ser verdadeiros profissionais e que possam dar muitas alegrias aos torcedores são-paulinos”, disse.

O São Paulo atravessa uma grave crise financeira, com dívida superior a R$ 1 bilhão e pendências com jogadores. O clube também passou por um transfer ban durante a temporada. Em meio à turbulência extracampo, nomes experientes como Calleri ganharam ainda mais importância na tentativa de manter o elenco focado.

  • imago-sport-1081337414.jpgO JOGO PHOTO PRESS

    Atacante dispensa idolatria

    Apesar do status de referência, o argentino não se coloca no mesmo patamar dos grandes ídolos da história do São Paulo. Para ele, nomes como Zetti e Rogério Ceni estão em outro nível.

    “Os ídolos são Zetti, Rogério Ceni. Considero que, para os mais jovens, que não viram o São Paulo ser campeão de tudo, eu sou uma referência. Tanto eu quanto o Luciano. Não podemos nos comparar com os caras que fizeram história aqui há 10, 15, 20 anos”, explicou.

    Calleri, porém, reconhece que construiu uma relação especial com a torcida e revelou que recebe mensagens de são-paulinos que chegaram a batizar os filhos com seu nome.

    “Eu recebo muito no Instagram, no Twitter. Quando marcam meus familiares, eles me mandam as certidões de nascimento. É muito louco. Há pouco tempo, fizeram uma pesquisa sobre os nomes argentinos no Brasil. Acho que Riquelme, Batistuta, Maradona e mais algum outro, e 30 meninos chamados Calleri”, contou.

    O atacante chegou ao São Paulo em 2016, retornou ao clube em 2021 e, desde então, tornou-se uma das principais referências do elenco. Mesmo sem se considerar um ídolo, Calleri admite que gostaria de alcançar esse status com novas conquistas pelo Tricolor.

    “Não podemos nos comparar com os caras que fizeram história aqui há 10, 15, 20 anos. Na realidade recente, somos como referências para as crianças e queremos dar muitas alegrias a elas para que, um dia, possamos ser ídolos de verdade”, afirmou.

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  • imago-sport-1081337288.jpgSports Press Photo

    Renovação em momento delicado

    Em agosto, Calleri renovou seu contrato com o São Paulo até 2028. O novo vínculo foi firmado em meio à crise financeira e reforçou a ligação do argentino com o clube.

    “Não foi o melhor momento, mas a gente já estava conversando há uns três, quatro meses. Havíamos falado com o antigo diretor, mudou tudo, trocas de treinadores. Aconteceram muitas coisas no meio e tinham coisas que não caminhavam. Muitas das coisas que saíram na imprensa, provavelmente eram todas mentiras”, declarou.

    “Eu estou muito feliz por ter renovado com o São Paulo e estar aqui. É a minha casa, eu sou um torcedor são-paulino dentro de campo. Não sou de Cotia, nem daqui, mas com o tempo aprendi a amar o time com o trabalho de todo dia. É uma gratidão ficar mais tempo aqui”, completou.

    Calleri também afirmou que as dificuldades financeiras não interferem na postura do elenco quando os jogadores entram em campo.

    “A gente sabe que o São Paulo está em uma situação difícil economicamente, e tenho 100% de certeza que ninguém que está aqui está por dinheiro. Quando você entra em campo, você esquece tudo de fora das quatro linhas. Tudo que o São Paulo te deve, tudo que está em atraso, tudo fica para fora. Você só pensa na bola, nos 10 caras que são seus companheiros e como fazer um gol no outro goleiro”, explicou.

  • imago-sport-1082452448.jpgBrazil Photo Press

    Dorival explicou sobre atacante no banco

    Na vitória sobre o Atlético-MG, Calleri ficou no banco por opção da comissão técnica. Dorival Júnior explicou que o atacante está em processo de recuperação e que a decisão teve como objetivo evitar riscos diante da sequência de partidas.

    “O Calleri está fazendo um trabalho de recuperação e vem evoluindo com o passar dos dias. Não quisemos arriscar, até porque estamos abrindo duas semanas com vários jogos. Precisamos ter todo o elenco em condições”, afirmou o treinador.

    O resultado contra o Atlético-MG colocou o São Paulo na 10ª colocação do Brasileirão, com 33 pontos. Agora, o Tricolor muda o foco para a Copa Sul-Americana: enfrenta o Boca Juniors nesta terça-feira (8), às 21h30 (de Brasília), na Bombonera, pelo jogo de ida das quartas de final.

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