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Botafogo v Corinthians - Brasileirao 2025Getty Images Sport

Botafogo pode perder pontos no Brasileirão? Entenda o risco após novo transfer ban da FIFA

O Botafogo vive um momento de enorme preocupação fora das quatro linhas. Com quase R$ 300 milhões em dívidas reconhecidas pela FIFA e cinco transfer bans ativos, o clube enfrenta uma situação que já ultrapassa a impossibilidade de contratar jogadores e passa a levantar um questionamento mais sério: existe risco de perda de pontos no Campeonato Brasileiro?

A resposta é sim. Embora a punição ainda não tenha sido aplicada, o cenário preocupa internamente e coloca o clube em alerta para evitar consequências esportivas mais duras.

A mais recente sanção da FIFA foi aplicada por conta do não pagamento de multas administrativas impostas pela entidade. Como o Botafogo é reincidente, a punição foi estabelecida por tempo indeterminado, mantendo o clube impedido de registrar novos atletas.

Atualmente, as pendências financeiras somam aproximadamente R$ 287 milhões e envolvem contratações realizadas durante a gestão de John Textor. O principal débito é com o Atlanta United, que cobra cerca de R$ 120 milhões pela transferência de Thiago Almada.

Além desse processo, o Botafogo também responde por dívidas relacionadas às contratações de Rwan Cruz, junto ao Ludogorets, Santi Rodríguez, junto ao New York City, e Artur, adquirido do Zenit.

  • Almada BotafogoGetty Images

    Perda de pontos

    O temor de uma punição esportiva mais pesada não é exagero. O Código Disciplinar da FIFA prevê medidas progressivas para clubes que descumprem decisões da entidade, especialmente em casos de reincidência.

    Na prática, isso significa que a punição pode ir além dos transfer bans e alcançar perda de pontos em competições nacionais. Em cenários mais graves, o regulamento também prevê sanções ainda mais severas.

    O caso que mais preocupa é justamente o de Thiago Almada. O Botafogo já foi punido mais de uma vez pela mesma dívida e terá de regularizar a situação dentro do prazo determinado pela FIFA para evitar novos desdobramentos.

    O Atlanta United mantém posição firme nas negociações e não aceita descontos ou parcelamentos para encerrar a disputa.

    Caso os pagamentos não sejam realizados, o clube corre o risco de enfrentar novas punições esportivas, além de continuar impedido de contratar reforços.

    Além dos R$ 120 milhões cobrados pelo Atlanta United, o Botafogo deve aproximadamente R$ 85 milhões ao New York City por Santi Rodríguez, R$ 48 milhões ao Ludogorets por Rwan Cruz e R$ 34 milhões ao Zenit por Artur.

    As quatro operações foram realizadas durante a gestão de John Textor. Embora o período tenha rendido conquistas históricas, como os títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro de 2024, também deixou um passivo financeiro que hoje afeta diretamente a saúde da SAF.

    Atualmente, estima-se que a dívida total do futebol alvinegro esteja na casa dos R$ 2,7 bilhões.

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  • Artur BotafogoGetty Images

    Motivos das sanções

    O quinto transfer ban aplicado pela FIFA não está ligado diretamente a uma contratação específica, mas ao não pagamento de multas administrativas determinadas pela entidade.

    A punição permanecerá ativa até que o Botafogo regularize completamente sua situação junto à entidade.

    O mecanismo é semelhante ao utilizado no caso da contratação de Thiago Almada. Nessa situação, o bloqueio só será retirado quando todos os valores pendentes forem quitados.

    O primeiro transfer ban da atual sequência foi aplicado em abril por causa da dívida com o Ludogorets pela contratação de Rwan Cruz. Em seguida vieram as punições relacionadas a Santi Rodríguez, junto ao New York City, e Artur, adquirido do Zenit.

    Nos três casos, a FIFA determinou a proibição de registrar novos jogadores por três janelas de transferências.

    Com a reabertura do mercado prevista para julho, o Botafogo trabalha para encontrar soluções financeiras e jurídicas que permitam a regularização dos débitos.

    A atual diretoria da SAF, liderada por Eduardo Iglesias, entende que parte dessas obrigações pode ser incluída no processo de recuperação judicial protocolado na Justiça do Rio de Janeiro.

  • John Textor Botafogo 2025Vitor Silva/Botafogo

    Textor e problemas internos

    A crise financeira acontece em meio a um cenário de instabilidade política e societária. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça devolveu à Eagle Football Holdings, dona de 90% das ações da SAF, os poderes de voto e controle do Botafogo.

    A decisão determinou que as disputas relacionadas à governança da SAF sejam resolvidas por arbitragem na Câmara da Fundação Getulio Vargas (FGV), e não pela Justiça comum.

    Enquanto isso, o clube associativo segue buscando alternativas para o futuro da SAF. Entre os cenários estudados está a entrada de um novo investidor para assumir o controle do futebol alvinegro.

    Segundo informações divulgadas por O Globo, o fundo americano GDA Luma aparece como o principal interessado. A empresa é atualmente a maior credora da SAF e possui créditos estimados em cerca de R$ 2 bilhões.

    Diante desse cenário, o Botafogo tenta utilizar instrumentos previstos no processo de recuperação judicial para obter proteção contra parte das cobranças.

    Ainda assim, as dívidas internacionais reconhecidas pela FIFA seguem sujeitas às regras da entidade e exigem negociação ou pagamento para evitar novas punições.