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Benfica criticado por reação “dolorosa” à polêmica de racismo envolvendo Gianluca Prestianni e Vinicius Jr, enquanto ex-capitão afirma que clube enfrenta “crise moral”

  • Luisão questiona defesa imediata do clube a Prestianni

    A controvérsia eclodiu durante a primeira partida das eliminatórias da Liga dos Campeões no Estádio da Luz, onde o jogo foi interrompido depois que Vinicius Júnior denunciou diretamente ao árbitro um abuso racista. Enquanto o Benfica e o técnico José Mourinho rapidamente apoiaram Prestianni, Luisão assumiu uma postura drasticamente diferente. Romper com o clube que representou por mais de uma década, a lenda brasileira acusou publicamente o jovem argentino de inventar sua versão dos fatos, classificando a situação como um ato racista vergonhoso que traz profunda vergonha para a instituição.

    Nas redes sociais, Luisão reiterou sua consternação com a maneira como o clube lidou com a situação, escrevendo no Instagram: “Como ex-capitão e alguém que dedicou tantos anos da minha vida ao Benfica, não posso esconder minha preocupação com a postura do clube em relação às acusações de racismo feitas por Vini Jr. contra um dos nossos jogadores. Para minha surpresa, a reação institucional foi apoiar imediatamente a declaração do jogador acusado, sem qualquer interesse genuíno aparente em investigar os acontecimentos após uma acusação tão grave.”

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  • Benfica v Guimaraes - SuperTacaGetty Images Sport

    Ex-capitão destaca grave crise moral no Benfica

    Para Luisão, a questão vai muito além de um único jogo ou de uma disputa isolada entre dois jogadores; representa uma mudança fundamental na bússola ética do clube. Tendo chegado à Luz em 2003, durante um período de imensa dificuldade esportiva, o ex-zagueiro ajudou a reconstruir a equipe, conquistando seis títulos da Primeira Liga. Ele observou que, embora o clube já tenha enfrentado grandes desafios esportivos antes, a situação atual representa algo muito mais prejudicial à sua identidade central e aos seus valores humanos de longa data. 

    Um aspecto particularmente inflamatório da defesa oficial do Benfica foi a decisão de invocar o nome do ícone do futebol português Eusébio para desviar as acusações de racismo. A declaração do clube sugeriu que seus valores fundamentais, simbolizados pelo lendário atacante, tornavam praticamente impossível que a instituição fosse associada a comportamentos discriminatórios. Essa tática específica de relações públicas indignou profundamente Luisão, que a viu como uma manipulação desrespeitosa de uma figura reverenciada para evitar responsabilidade e proteger um jogador que ele acredita firmemente estar mentindo.

    “O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente protege o clube de ser falível na luta contra o racismo foi, no mínimo, doloroso, assim como as inúmeras tentativas de desacreditar a vítima”, acrescentou.

    “Doloroso porque o Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, treinador ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que aprendi e como vivi desde o momento em que cheguei à Luz em 2003, quando o clube passava por uma de suas maiores crises esportivas.

    Hoje, porém, estamos a viver um tipo de crise diferente, muito pior, porque é moral, e isso levanta-me questões inevitáveis: de que lado estamos? E, mais importante ainda, de que lado estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou apenas varrê-lo convenientemente para debaixo do tapete?”

  • Benfica desafiado a fazer jus à sua excelente reputação

    A lenda do clube insiste que a questão vai além das rivalidades em campo e do espírito de competição, insistindo que o clube deve mostrar que merece sua reputação estimada.

    “Neste momento, é isso que está realmente em jogo. Não se trata de rivalidades, de proteger A ou B. Trata-se de princípios. O racismo não é uma opinião. É um flagelo que precisa ser combatido com firmeza e responsabilidade e, talvez, como sociedade, o primeiro passo seja o mais difícil: olhar no espelho e examinar nossas consciências”, escreveu ele.

    “Na véspera de mais um aniversário do Benfica, é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer às mãos daqueles que aparentemente tentam diminuí-lo moralmente. O Benfica que conheci e defendi em campo esteve sempre do lado certo da história.

    O tempo se encarregará de mostrar, com toda a justiça, quem estava de que lado das trincheiras. E espero sinceramente que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu.”

  • SL Benfica v Real Madrid C.F. - UEFA Champions League 2025/26 League Knockout Play-off First LegGetty Images Sport

    Investigação oficial se aproxima à medida que o clube se aproxima do aniversário

    O momento desta fratura interna é altamente sensível para os gigantes portugueses, que se preparam para celebrar mais um aniversário do clube em meio a uma nuvem negra de controvérsia. À medida que a entidade reguladora do futebol europeu confirma oficialmente a sua investigação sobre as alegações — uma investigação que poderá resultar numa suspensão severa de vários jogos para Prestianni —, a pressão sobre a direção do Benfica continua a aumentar. Luisão, que revelou recentemente ter sido vítima de abuso racial por defender Vinicius, alertou que o clube está a sofrer nas mãos daqueles que tentam menosprezá-lo moralmente.

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