Fernandinho valoriza City longe de loucuras financeiras e vibra com Gabriel Jesus: "Uma pechincha"

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Maior brasileiro da história do clube inglês, volante sente que não tem o reconhecimento merecido no país de origem


GOAL Por Bruno Andrade

Quatro anos, três títulos, 193 jogos e 17 gols. Fernandinho até argumenta, mas, pelo menos em números, já é o maior brasileiro da história do Manchester City. Depois de oito temporadas no Shakhtar Donetsk, o volante brasileiro desembarcou em solo inglês em 2013 e participou efetivamente do processo de "solidificação" do clube, que praticamente na mesma época passou a ter maior destaque no cenário europeu e também a gerir melhor os investimentos.

Titular absoluto com Pep Guardiola, o brasileiro de 32 anos, em entrevista exclusiva ao Blog Ora Bolas, reconhece que já não vê os citizens com a necessidade de um reforço de impacto, diferentemente do PSG que desembolsou 222 milhões de euros por Neymar. Está satisfeito com a "pechincha" paga por Gabriel Jesus e, mais do que nunca, otimista com uma inédita presença na final da Liga dos Campeões.

"Rival" de peso de Casemiro no meio-campo da seleção brasileira e nome quase certo na Copa do Mundo da Rússia de 2018, tendo sido recentemente elogiado publicamente por Tite, Fernandinho, no entanto, não se sente valorizado no país de origem. Mas nada que abale o emocional...

Fernandinho Manchester City
(Fotos: Getty Images)

Você já é ou caminha para ser o maior brasileiro da história do City. Tem a percepção disso?
Não, não.. Na realidade nunca pensei nisso. Dos brasileiros que passaram aqui, muitos ficaram pouco tempo no clube, o Robinho, o Sylvinho, o Jô, o Maicon, o Elano, todos ficaram pouco. Já eu estou aqui há quatro anos, desempenhando um bom trabalho. Sempre procurei o equilíbrio, sabe? Sempre busquei um nível grande de atuação, ajudando o clube a conquistar os objetivos, brigando por títulos de Premier League, de Champions. Sempre coloquei isso como prioridade, desde a minha chegada. Ainda tenho objetivos para perseguir, os meus sonhos para conquistar. Claro que são números importantes, mas não é uma coisa que busque ou fique correndo atrás. Deixo fluir com naturalidade e procuro viver o dia a dia.

A pergunta, na verdade, não era sobre a sua busca pelo posto de maior brasileiro, mas sim a sua percepção...
Com o passar do tempo, as pessoas falando e o convívio do dia a dia, você acaba tendo essa percepção e entendendo a sua importância dentro do clube, principalmente depois da chegada dos brasileiros. Primeiro foi o Fernando, depois o Gabriel [Jesus], agora o Ederson e o Danilo, então você acaba sendo mais requisitado pelo pessoal do clube, até mesmo para fazer uma simples tradução e passar alguma informação, ou quando os próprios jogadores querem saber melhor sobre o clube, sobre a cidade. Percebo a importância que tenho dentro do clube, mas acredito que são coisas que acontecem de forma natural, não é algo que corra atrás. Gosto de ajudar as pessoas, fui ensinado assim pelos meus pais.

Considera-se um "paizão" para os brasileiros?
[Risos] É... Sou bem mais velho, né? Sou doze anos mais velho que o Gabriel Jesus, é uma diferença muito grande. Quando comecei a jogar futebol profissionalmente, o Gabriel ainda estava jogando pelada na rua. Algumas coisas que aprendi durante a minha carreira, a minha caminhada na Europa, toda a experiência que adquiri nesses 12 anos fora, servem de certo modo de lição para eles, principalmente para o Gabriel e o Ederson, que são mais jovens. É legal essa convivência, porque são jogadores humildes, são jogadores que escutam o que eu falo, prestam atenção. Se tem alguma correção ou orientação, são jogadores interessados. O nosso relacionamento é bem legal. Mas, em contrapartida, sou um velho com espírito jovem, estou sempre tirando sarro deles, tirando onda, brincando. O nosso grupo de brasileiros é muito bom.  

Fernandinho Ben Chilwell Manchester City Leicester City Premier League

Já são quatro anos no Manchester City... O time atual é melhor em relação aos outros?
Desde o momento que cheguei aqui, o clube acabou passando por uma reformulação considerável. Na temporada 2013/14, que foi a minha primeira, a gente tinha muitos jogadores remanescentes daquele primeiro título de 2012, que foi uma conquista histórica, com alguns jogadores com idade mais avançada e uma história legal dentro do clube. Houve esse processo de reformulação, passei os meus primeiros anos com o Pellegrini e agora com o Guardiola, que mudou o time em praticamente 90%, 95%. Quando existe uma mudança desse tamanho, a prioridade é sempre crescer e alcançar voos maiores. Esse ano a prioridade do clube é sem dúvida buscar o título da Premier League e chegar nas finais da Champions. Com os jogadores que foram contratados agora, nós temos grandes chances de alcançar esses dois objetivos. 

Guardiola disse recentemente que o Gabriel Jesus foi uma contratação muito barata se analisarmos todo o potencial dele... Concorda?
Em vista do mercado que estamos vivendo hoje, de todas as transferências, e nem digo apenas do Neymar, falo também dos jogadores que chegam ao futebol da Inglaterra, que é um dos que mais pagam caro... Pelo futebol que o Gabriel Jesus apresentou no Brasil e tem apresentado aqui, acabou sendo uma pechincha para nós. A gente fica muito feliz por isso, porque o clube pagou muito barato [cerca de 32 milhões de euros] por um jogador maravilhoso e que tem futuro enorme pela frente, as perspectivas para eles são as melhores possíveis. O Gabriel ficou fora dessa loucura que estamos vivendo hoje no mercado da bola.

O Manchester City sempre esteve forte no mercado, sempre mostrou ter dinheiro. Acredita que, se quisesse de fato, o clube compraria o Messi ou o Cristiano Ronaldo?
Acredito que sim. Mas aí você precisa ver qual é a prioridade do clube. O poder financeiro nós temos, todo mundo sabe disso, mas precisamos entender qual é a nossa prioridade. A prioridade é contratar um jogador ou montar um time competitivo para conquistar os objetivos? Às vezes as pessoas confundem algumas coisas em relação a isso, acham que apenas um jogador vai suprir toda a necessidade de um clube inteiro. Talvez não seja dessa forma. O trabalho que o City vem fazendo ao longo dos anos foi sempre visando times competitivos para buscar os títulos. Claro que no início o clube fez alguns grandes e fortes investimentos, com jogadores de respaldo e ótimos tecnicamente, mas o projeto em si é baseado em criar um time forte, fazer uma estrutura de academia forte para revelar jogadores. O projeto é muito mais amplo do que contratar um único jogador com nome muito forte e que seja muito mais caro.

Fernandinho Casemiro Brazil Selecao treino 03092017
(Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação)

A concorrência na seleção entre você e o Casemiro é acirrada, a ponto de o Tite admitir publicamente ter dúvidas sobre o titular...
O principal é que a seleção ganha com tudo isso. Tanto o Casemiro como eu tentamos manter o mesmo nível de jogo nos nossos clubes e na seleção também. Agora, na última Data Fifa, ele jogou o primeiro jogo, e eu o segundo. Após o segundo jogo, o Tite deu essa declaração [valorizando a disputa no meio-campo]. Claro que é um motivo de satisfação para mim, é uma honra muito grande. É muito bom ter esse reconhecimento do treinador da seleção. Mas o mais importante é tentarmos manter o nível o mais alto possível, um no Real Madrid e o outro no Manchester City. Nós estamos à beira de uma Copa do Mundo, então se conseguirmos chegar nesse mesmo nível, além da confiança da treinador, vamos ajudar muito a seleção.

Você certamente acompanha a imprensa brasileira, os torcedores... Sente que não tem o reconhecimento merecido no país? Tem ideia disso?
[Pausa] Tenho, tenho... Na realidade, a mídia brasileira em si, e acho até que dá para generalizar um pouco, ela não tem o acompanhamento ideal. E isso é óbvio, até por questões lógicas. Não existe um acompanhamento do nosso dia a dia aqui, muitos acompanham somente aqueles dez dias que estamos na seleção brasileira, onde temos um pouco mais de proximidade. Mas não acompanham o meu dia a dia, do que é falado e discutido aqui na Inglaterra. Se não me engano tem apenas um canal que transmite os jogos da Premier League no Brasil, então acaba sendo analisado muito pouco, são poucas informações. Mas acho que isso é normal, a mídia não tem o acesso. E a mídia brasileira não tem essa preocupação, entre aspas.

E isso acaba espelhando na opinião dos torcedores...
A mídia brasileira hoje não é informativa, muitos [jornalistas] só querem gerar opiniões, querem formar opinião. É difícil, é complicado, mas é como eu sempre falo: o importante é seguir fazendo o meu trabalho aqui, independentemente do que vão falar ou não. Se me elogiam de mais, não posso cair nessa armadilha. Se me criticam de mais, não posso me abalar e deixar isso atrapalhar o meu trabalho.
 


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