Vidal, Mina, Alexis Sánchez e a confiança do Barça no 'sangue latino'

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O Camp Nou não recebe apenas brasileiros e argentinos: México, Uruguai, Colômbia e Chile também têm sido bem representados nas últimas décadas

Argentinos e brasileiros triunfaram, triunfam e triunfarão no clube catalão. Este ano, com as chegadas dos brasileiros Malcom e Arthur - e agora, do chileno Arturo Vidal -, o plantel de Ernesto Valverde terá mais sangue latino correndo pelos gramados.

Mas não são apenas as duas potências da América do Sul que estão representadas em peso no grupo blaugraná. Um exemplo disso é Yerry Mina, o primeiro colombiano a chegar ao Barça. Outros jogadores latinos tentaram, mas não conquistaram seu lugar na equipe: uns por falta de talento, outros por falta de conduta, mas o resto dos latinos nunca foram garantia para uma das maiores equipes da Espanha.

Lionel Messi Ronaldinho Barcelona(Foto: Getty)

Não é acaso que a confiança seja tanta nos brasileiros no Camp Nou. Os primeiros deles chegaram ainda em 1931: Fernhando, Jaguaré Bezerra e Fausto dos Santos (os dois últimos assinaram por mil pesos ao mês, além prêmios por vitórias). Como não era permitido que estrangeiros jogassem, acabaram por apenas disputar alguns amistosos.

Fausto dos Santos foi o maior talento que havia pisado no clube até então. Desde então, muitos brasileiros foram passando pelo clube blaugraná: o próximo da lista seria Luicidio da Silva Batista, que chegou contratado do Palmeiras, em 1948.

Também passaram pela Catalunha nomes como Edmílson, Sonny Anderson, Geovani, Rochemback, Sylvinho, Belletti, Adriano, Maxwell... a lista é extensa. Nomes como Evaristo de Macedo (que chegou em 1957), Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho escreveram páginas douradas no time principal. Assim como Dani Alves, que fez história sendo o jogador brasileiro que vestiu a camisa dos culés por mais tempo.

Que o Barcelona seguiu contratando joias vindas do Brasil não restam dúvidas: Neymar, Coutinho, Arthur e Malcom são bons exemplos. O lateral Douglas, por outro lado, acabou sendo uma aposta equivocada; Paulinho rendeu em campo, mas não se destacou, e Marlon Santos ainda é uma incógnita para o clube.

Phillipe Coutinho Barcelona 08022018O brasileiro Coutinho (Foto: Getty)

Também não é coincidência que exista tanta confiança nos argentinos. A primeira vez que um 'hermano' chegou ao Barça foi em 1915. Era Juan Garchitorena, que, apesar de ser argentino, foi inscrito como atleta espanhol e entrou em campo até ser denunciado pelo rival Espanyol para a Federação Catalã.

Embora não sejam muitos os que brilharam com a blaugraná, há muito talento e fome de vitórias dos albicelestes. Nos últimos anos foram nomes como Mauricio Pellegrino, Juan Román Riquelme, Javier Saviola, Roberto Bonano, Juan Pablo Sorín, Maxi López, Gabriel Milito, Javier Mascherano e Diego Maradona. Lionel Messi não entraria na lista, já que se formou como jogador profissional em La Masía.

Lionel Messi Javier Mascherano FC Barcelona 17082016Os argentinos Messi e Mascherano (Foto: Getty)

De qualquer forma, o Barcelona abrangiu seu escopo, e já não se limita a contratar apenas argentinos e brasileiros pela América. Nos últimos anos, chegaram ao Camp Nou jogadores de outros países como México, Chile, Uruguai e Colômbia. Há alguns anos, era impossível pensar em atletas desses países jogando com pelo time principal do Barça. Também é difícil imaginar venezuelanos, peruanos, bolivianos e paraguaios como protagonistas de um título de La Liga pelos culés.

Os latinos Rafa Márquez, Martín Cáceres, Alexis Sánchez, Claudio Bravo, Luis Suárez e Yerry Mina são os últimos latinos “privilegiados” a serem contratados pelo Barcelona, sem serem, necessariamente, brasileiros ou argentinos.

O zagueiro mexicano chegou do Mônaco da França ao custo de 5 milhoes de euros, em 2003, e, apesar de ter uma carreira atravessada por lesões, isso não lhe impediu de se transformar em uma referência do time. Foram 240 partidas e 23 gols marcados pelo clube, algo grandioso para um defensor que, por vezes, também desempenhava seu papel no meio de campo. Conseguiu todos os títulos possíveis com o Barça antes de sua saída, em 2010.

Rafael Marquez Barcelona Champions LeagueO mexicano Rafa Márquez (Foto: Getty)

Cáceres foi contratado em 2008, em uma negociação pela qual o Barça pagou 16,5 milhões de euros ao Villarreal. Marcou seu primeiro gol com o time catalão contra o Chivas USA, em um amistoso. E Estreou na Champions League no mesmo ano, como reserva de Rafa Márquez.

Luis Suárez dispensa apresentações: o uruguaio chegou arrebentando após a Copa do Mundo de 2014 e, apesar de ter de cumprir ainda algum tempo de suspensão, logo mostrou o faro de gol que lhe fez famoso no Uruguai, Ajax e Liverpool. Hoje, é difícil imaginar esse Barcelona sem o camisa 9 como referência na frente.

Também podemos citar Giovani dos Santos e Jonathan dos Santos, os irmãos mexicanos que, embora não tenham sido convencionalmente assinados pelo clube espanhol, foram formados em La Masía. Giovani foi levado para formar parte do time juvenil do clube ainda muito novo, e seguiu na base até ser alçado ao plantel principal, em 2007/08. Jonathan, que agora joga ao lado do irmão no Los Angeles Galaxy, chegou a La Masía na mesma negociação que trouxe Gio à Catalunha.

A situação foi muito parecida com a de Jeffrén Suárez, jogador nascido na Venezuela. O atacante começou nas categorias inferiores do Tenerife, e saiu em 2004 para ir ao Barcelona integrar a equipe juvenil B. Estreou em La Liga na reta final da temporada 2008/09, em um duelo em que o Barça foi derrotado pelo Mallorca por 2 a 1, mas já havia ganhado o título da La Liga. Hoje, ele faz parte do IGrasshopper, da Superliga Suíça.

RONALDINHO GIOVANI DOS SANTOS BARCELONA 12122007O mexicano Giovani dos Santos (Foto: Getty)

Comprados ou não, nada tira o privilégio de Giovani, Jonathan e Jeffrén: são três dos poucos latinos que, nos últimos anos, conseguiram ter um lugar no Barcelona sem terem nascido no Brasil ou na Argentina.

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