A pedido da ESPN, Ron Jans relembra sua longa carreira como técnico. O técnico aposentado (67) admite, durante a retrospectiva, que em alguns clubes teria agido de maneira um pouco diferente.
Jans trabalhou na Holanda no FC Groningen, SC Heerenveen, PEC Zwolle, FC Twente e FC Utrecht. Fora do país, teve passagens pelo Standard de Liège e pelo FC Cincinnati, dos Estados Unidos, que terminaram em nota negativa para o técnico. “Mas eu repetiria ambas as experiências sem hesitar.”
“No Standard, eu tentaria ter um pouco mais de influência sobre o elenco. Eu não tinha isso. Esse clube vem enfrentando dificuldades há quase vinte anos. É uma espécie de Feyenoord da Bélgica. O principal clube da Valônia”, descreve Jans sobre o período no Standard, de onde foi demitido após apenas onze partidas.
“Teria sido bom ficar lá um pouco mais. Se você sente que as pessoas querem se intrometer na escalação, eu não vou aceitar isso. Essa foi uma das razões pelas quais o treinador teve que sair”, acrescenta o realista Jans, anos depois.
No FC Cincinnati, Jans teve que deixar o cargo devido a um escândalo de racismo amplamente divulgado. “Não teve nada a ver com racismo. Não se deve usar aquela palavra com ‘N’. Eu cantei isso e, duas semanas depois, estava diante de uma comissão. O clube tinha problemas com alguns jogadores e acho que, no fim das contas, fui sacrificado.”
Jans continua: “Eu não deveria ter cantado junto, mas sou o oposto de um racista. Também não quero que me calem a boca. Eu deveria ter sabido disso, mas é assim que eu sou. Um pouco ingênuo e, às vezes, muito franco.”
Depois de anos nos campos de treino, agora é hora de Jans aproveitar a aposentadoria. “Há pessoas que acham que me conhecem bem e dizem: talvez a vontade volte a surgir. Isso eu quase descarto. Se o FC Barcelona ligar agora, eu digo: desculpe, agora não. Quero ver como isso vai ser e acho muito provável que eu goste bastante.”


