Em uma reunião de emergência realizada em Mônaco por ocasião do sorteio das competições europeias de clubes para a temporada 2026/2027, os representantes das federações nacionais que integram o Comitê Executivo da União Europeia de Futebol, os membros do Conselho Europeu da Fifa e os presidentes das federações nacionais filiadas à Uefa presentes no principado se reuniram para discutir a crise contínua no interior da Fifa.
A reunião analisou os desdobramentos da tentativa fracassada do presidente da Fifa de vender uma parcela da Copa do Mundo a investidores externos, um plano que o comunicado descreveu como tendo revelado "uma falha grave de julgamento, um abuso do poder presidencial e uma concepção de liderança que não condiz com os deveres do mais alto cargo do mundo do futebol".
Mandato total para derrubar o comando individual
Os presentes confirmaram por unanimidade o mandato ao presidente da União Europeia de Futebol e à sua direção para seguir todos os caminhos institucionais, políticos e jurídicos disponíveis a fim de garantir "uma reforma profunda, o restabelecimento de restrições adequadas ao poder presidencial e a garantia de que a Fifa volte a ser administrada como uma instituição integral, e não por meio de um único indivíduo".
O comunicado exigiu, como primeiro passo inegociável, a realização de "uma revisão externa independente e genuína da instituição Fifa Forward, com acesso total a todos os documentos, correspondências e registros de tomada de decisão relevantes", ressaltando que "a Fifa não pode conduzir uma investigação sobre si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite seus resultados".
Retirada da confiança e pedido de saída de Infantino
O comunicado foi além da governança, declarando a ruptura da confiança no próprio presidente: "A confiança necessária para exercer o cargo de presidente da Fifa foi abalada e não pode ser restaurada com a retirada de uma única proposta, com a emissão de garantias ou com a promessa de reforma quando já é tarde demais. O mundo do futebol precisa agora de uma nova liderança capaz de reconstruir essa confiança".
E, em uma ameaça direta que é a mais grave desde que Infantino assumiu o cargo, a Uefa declarou que "caso o atual presidente da Fifa busque um novo mandato, a Uefa cooperará com as confederações continentais parceiras para garantir a apresentação de uma alternativa confiável às federações membros, uma alternativa comprometida com a integridade, a responsabilização, o desenvolvimento e a verdadeira mudança institucional".
Os bilhões da Fifa: por que precisamos de investidores?
O comunicado revelou a contradição gritante no argumento da Fifa, lembrando que a Fifa "possui atualmente bilhões de dólares em reservas, recursos que pertencem às federações membros".
A Uefa declarou que vai discutir com as demais confederações continentais "a possibilidade de uma liberação responsável de parte das reservas da Fifa em benefício das federações membros, garantindo a manutenção da estabilidade financeira", questionando: "Por que o presidente da Fifa acreditou ser necessário recorrer a investidores externos para ampliar o financiamento do desenvolvimento?".
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Confirmação por escrito da retirada do projeto e suspensão da saída europeia
O comunicado também revelou que a Uefa obteve da Fifa uma confirmação por escrito de que o projeto "Fifa Forward Enterprise" foi "retirado de forma definitiva e irreversível, e de que não voltará a surgir sob nenhuma forma, estrutura, nome ou outro formato".
Com base nessa confirmação, obtida em 30 de julho, e após consultar as federações nacionais, a Uefa concordou em suspender a retirada das seleções europeias das competições da Fifa na próxima temporada, incluindo a Copa do Mundo Feminina Sub-20, a Copa do Mundo Sub-17 e a Copa do Mundo Feminina Sub-17, de forma temporária, ressaltando que essa posição permanecerá em constante revisão e poderá ser reavaliada imediatamente caso as circunstâncias assim exijam.

