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Reviravolta de última hora: Uefa retira sua ameaça histórica à Fifa

Em dois desdobramentos sucessivos que abalam as estruturas do futebol mundial, a União das Federações Europeias de Futebol, a Uefa, prepara-se para retirar sua ameaça sem precedentes de boicote aos torneios da Fifa, no momento em que o presidente da entidade internacional, Gianni Infantino, recebeu um duro golpe com a saída da Itália, um dos bastiões do futebol europeu, da lista de seus apoiadores.

Fontes bem informadas revelaram à agência "Reuters" nesta quarta-feira que a Uefa voltará atrás oficialmente na decisão de boicote após receber garantias definitivas da Fifa de que não reativará os planos de venda de participações comerciais na Copa do Mundo e nos grandes torneios, plano que deflagrou a crise no mês passado e levou as 55 federações integrantes da Uefa a concordarem com um boicote coletivo.

Esse recuo forçado ocorreu para evitar uma catástrofe esportiva, com a proximidade do início da Copa do Mundo Feminina Sub-20 na Polônia, no próximo dia 5 de setembro, já que o boicote privaria toda uma geração de jovens jogadoras da "oportunidade de suas vidas".

A Reuters citou uma fonte de alto nível que participou das negociações e afirmou: "Isto não é uma derrota para a Uefa, mas sim uma realidade concreta que consiste em evitar prejudicar a oportunidade de uma vida para os jovens jogadores. Os esforços e a determinação pela mudança vão continuar".

As fontes confirmaram que os dirigentes da Uefa informarão o comitê executivo e os presidentes das federações, em uma reunião decisiva em Mônaco nesta quinta-feira, que as condições para a suspensão do boicote foram cumpridas, após a Fifa ter retirado sua controversa proposta em julho passado.

Infantino perde um aliado estratégico

E, em um segundo golpe ainda mais severo para Infantino, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou a retirada de seu apoio à candidatura do atual presidente a um quarto mandato nas eleições do próximo mês de março.

A federação italiana afirmou em um comunicado enérgico: "Esta decisão visa expressar com clareza e transparência a nossa posição — em pleno acordo com a Uefa e seu presidente, Aleksander Ceferin — a respeito das recentes iniciativas apresentadas pelo presidente da Fifa no que diz respeito à gestão e ao desenvolvimento das competições internacionais".

Com essa decisão, a Itália juntou-se a uma lista crescente de federações que se distanciam de Infantino, em um momento que Claudius Schäfer, presidente da Associação das Ligas Europeias, descreveu em declarações ao jornal "The Athletic" como sem futuro, ressaltando que a Fifa precisa de uma reforma radical.

Isolamento crescente do presidente da Fifa

As pressões sobre Infantino aumentam de forma sem precedentes, já que ele enfrenta pedidos de renúncia de três continentes de uma só vez: Uefa, Confederação Asiática e Concacaf, com discussões em curso para lhe retirar a confiança.

E, embora ainda conte com o apoio das confederações africana e sul-americana, suas tentativas de contornar as confederações continentais e se dirigir diretamente aos membros parecem uma última tentativa de sobrevivência antes das eleições de março, que devem registrar a oposição mais feroz da história de seu mandato.

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