+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais
Promise DavidGOAL

Promise David - Talentos Escondidos FC: a incrível história do "Baby Lukaku" que impressiona na Bélgica

Promise David, de 24 anos, é o retrato de um jogador persistente. O atacante rodou por vários clubes e só foi “estourar” aos 22, idade em que muita gente já tinha duvidado do seu futuro — inclusive a própria mãe, que insistiu várias vezes para que ele abandonasse o sonho de virar profissional. Ele não desistiu. No novo episódio da série Talentos Escondidos FC, revisamos essa história de superação que chamou atenção na Europa.

A impressionante ascensão de Promise David, também conhecido como Baby Lukaku, destaca o potencial dos talentos escondidos no futebol global. Enquanto acompanhamos essas histórias inspiradoras, muitos fãs de futebol exploram plataformas de apostas para se engajar ainda mais com o esporte. O aplicativo bet365 é uma dessas opções, permitindo que entusiastas apostem de forma conveniente em diversas partidas pelo mundo.

📱Veja a GOAL direto no WhatsApp, de graça! 🟢

Conhecido como “Baby Lukaku”, apelido que a imprensa belga adora usar, David recebeu o rótulo após um comentário do seu ex-treinador de atacantes, Kevin Mirallas. Mas a comparação não exige olhar muito atento: força física parecida, arrancada potente e estilo direto. No dia 30 de março, isso ficou ainda mais evidente. No duelo entre Union Saint-Gilloise e Royal Antwerp, no Joseph Marienstadion, David recebeu um lançamento em profundidade e deixou a defesa para trás.

Ele realmente havia escapado, mas Rosen Bozhinov tentou pará-lo de qualquer jeito. O problema? David é forte — muito forte. “Enquanto eu corria, senti uma mão puxando meu pescoço”, contou o atacante no podcast The Footy Culture ao relembrar o lance, que viralizou rapidamente. “Quando fui tomar banho depois, estava ardendo. Ele literalmente rasgou a pele do meu pescoço. Sangrei o jogo inteiro e nem percebi.”

"Eu fui direto para o gol, só enxergando o campo à minha frente", contou. "Eu não queria cavar falta nem cair. Aí ele me segurou de novo. Pensei: seu idiota! Joguei os braços para trás e minha camisa rasgou. Fiquei até aliviado, porque toda vez que ele puxava a camisa parecia que eu estava sufocando." Apenas metade do uniforme amarelo resistiu ao lance — uma cena quase cinematográfica. Mesmo com a camisa destruída, David finalmente se livrou de Bozhinov. Mas o defensor tinha atrasado o suficiente para permitir que outro jogador do Antwerp chegasse junto. Com um drible simples de corpo, David também se livrou dele, finalizou no canto, bateu no peito com força e gritou como quem descarrega tudo. "Quando fui substituído e peguei meu celular, o gol já estava rodando nas redes. Parecia uma agressão!"

A camisa rasgada virou símbolo dentro do clube. “Nosso diretor esportivo colocou esse uniforme no novo centro de treinamento, junto com peças históricas do Union. Ele disse: essa camisa representa o Union: resiliência, força e nunca desistir.” E essas três palavras definem com perfeição a trajetória improvável de David. O caminho até chegar ao Union foi longo — muito longo.

Quando criança, ele era pura energia. “Meus professores diziam que eu era um bom menino, mas que atrapalhava os outros”, lembra, rindo. Cresceu em Brampton, no Canadá, uma cidade que revelou talentos como Cyle Larin, Atiba Hutchinson e Tajon Buchanan. Mas foi bem longe de lá, em Lagos, na Nigéria, que David descobriu o amor pelo futebol. Passou parte da infância morando com os avós, e seu tio, torcedor apaixonado do Chelsea, o levava para assistir aos jogos em um bar da vizinhança. “Nunca vou esquecer dele me buscar na casa da minha avó”, contou ao Het Laatste Nieuws. “Eu ia na garupa da moto dele e a gente assistia aos jogos juntos.”

Quando voltou ao Canadá, ainda buscava um hobby para toda aquela energia. Tentou piano, mas logo desistiu — “O piano quebrou, isso me deixou muito irritado!” — e decidiu procurar outra coisa. Foi assim que encontrou o futebol, que rapidamente virou sua nova paixão.

Promise David CanadaGetty Images

O garoto foi selecionado para a academia de talentos do Toronto FC, mas, aos 15 anos, acabou dispensado. Simplesmente não era considerado bom o bastante. Depois disso, passou três anos jogando como semi-profissional pelo Vaughan, no Canadá, até receber sua primeira chance na Europa em 2019, aos 18 anos, no NK Trnje, da terceira divisão da Croácia. Mas nada teve clima de conto de fadas. A caminhada de David seguiu difícil e cheia de obstáculos. “Aconteceram coisas na Croácia que eu nem tive coragem de contar aos meus pais”, ele lembra. Uma delas ficou marcada.

Seu treinador em Zagreb era abertamente racista. “Ele não queria jogadores negros, africanos, no time. Dizia coisas absurdas para mim. ‘Crnac’, por exemplo — que significa algo como ‘pretinho’. Uma vez, meus companheiros só me contaram o que ele gritou durante um treino um mês depois, de tão pesado que foi. Todo mundo congelou quando ouviu. Ele disse algo como: ‘Deus me livre de colocar um jogador negro na minha equipe’.” David acabou rebaixado para o time juvenil, mas voltou a sorrir quando outro técnico, Rajko Vidovic, assumiu o comando. Vidovic gostava do futebol dele. Quando virou treinador do time principal, deu uma chance ao atacante, que entrou e marcou logo no primeiro toque. “Foi o maior ‘momento de f*da-se’ da minha vida. Parecia uma vingança contra aquele homem.”

Pouco depois, David deixou Zagreb. Seu agente o tirou novamente da Europa e o levou para a segunda divisão dos Estados Unidos, no FC Tulsa. A experiência não deu certo. Assim, ele tentou mais uma vez recomeçar — agora em Malta, defendendo o Valletta FC. “Perdi uma final de copa lá. Aquilo me destruiu. Chorei três vezes na minha vida por causa do futebol. Essa foi uma delas. Minha sobrinha Liz estava no estádio e tirou uma foto minha bem no telão… logo quando eu estava chorando. Cara, eu fico horrível chorando.”

Quando a passagem por outro clube maltês, o Sirens FC, também termina mal — e David já tem 21 anos — a carreira profissional parece cada vez mais distante. “Meus pais queriam que eu voltasse para casa. Eles sempre me apoiaram, mas tinham perdido a esperança.” Só que ele não desistiu. Essa palavra simplesmente não existe no seu vocabulário. “Pedi a eles mais uma chance.”

E ela veio. Na Estônia, no Kalju FC. Promessa David fez uma promessa a si mesmo. criou um plano de cinco anos: trabalhar duro, marcar muitos gols na Estônia, conseguir um contrato em um clube maior da Escandinávia e, quem sabe, sonhar mais alto — jogar pela seleção e disputar uma Copa do Mundo.

Promise David UnionGetty Images

“A ideia era: ou eu jogava bola muito bem, ou seria um fracasso”, resume David no podcast The Footy Culture. “Eu realmente não queria ir para a escola.” Mas a passagem pela Estônia também foi complicada. Ele chegou como um “projeto” e só pôde treinar com a base do Kalju. Lá, porém, começou a marcar muitos gols e ganhou espaço no time principal. Parecia que, enfim, sua vida nômade no futebol estava tomando rumo. Mas não foi bem assim. “Lembro que joguei uma partida em que vencíamos por 2 a 1 no intervalo, e eu estava muito bem. Eles chamavam o time para o campo e lançavam bolas longas. Como atacante, eu não pressionava tanto quando estávamos ganhando.”

“Entro no vestiário e o presidente me pega pelo pescoço e me arrasta para fora. ‘É assim que você quer jogar? Você sabe o que seu pai faz para te manter aqui? Eu tenho sessenta anos e me mexo mais do que você!’”, conta David. “No segundo tempo, marco de novo e vencemos por 4 a 3. Meus companheiros estavam comemorando no vestiário e eu estava chorando no chuveiro, porque o presidente tinha acabado de ligar para o meu pai e para o meu agente dizendo que tinha sido um erro me contratar. Eu morava em um albergue, nem tinha apartamento”, explica. “Enquanto isso, meus amigos no Canadá estavam se formando. Eu andava com o cartão VISA do meu pai porque não ganhava nada no futebol. Foi quando pensei: o que estou fazendo da minha vida?”

Com o tempo, a poeira baixou e David enfim ganhou espaço no time principal. Na temporada de estreia, marcou 14 gols em 16 jogos. O Kalju não podia mais ignorar seu talento — e passou a se recusar a liberá-lo de qualquer jeito. “Foi surreal. Eu implorava: por favor, me deixem sair. Aquilo me fez entender como as pessoas se sentem quando trabalham em um emprego das nove às cinco que elas odeiam”, diz. A insistência funcionou. O Kalju aceitou negociar com o Union Saint-Gilloise, e David partiu para a Bélgica.

Mas a vida na Bélgica também começou difícil, e a imprensa local não perdoou. Depois de apenas um jogo contra o Club Brugge, já o chamavam de “dinheiro jogado fora” e “fracasso de transferência”. “Depois de um jogo!”, desabafa David ao Het Laatste Nieuws. “Voltei para casa e escrevi essa frase. Todas as manhãs, antes de ir treinar, eu lia aquilo. Me alimentava. Para melhorar, para provar que estavam errados. Dezessete gols e cinco assistências… isso não é brincadeira. Não parece mais um desperdício, certo?”, rebate, apontando para sua média impressionante de participações em gols.

David, hoje com oito convocações pela seleção do Canadá e passagem pelas categorias de base da Nigéria, realmente ganhou o direito de provar que seus críticos estavam errados. Ele marca com frequência tanto no Campeonato Belga quanto em jogos europeus. Fez gol contra o Ajax de Francesco Farioli, voltou a marcar recentemente diante do PSV e, na semana passada, decidiu ao anotar o único gol da vitória sobre o Galatasaray, garantindo três pontos em plena pressão dos estádios turcos. Fisicamente e mentalmente forte, além de muito rápido, ele tem recursos para causar impacto em praticamente qualquer partida. Com esse perfil, não surpreende que clubes da Premier League, como o West Ham United, estejam de olho nele. Ainda assim, algumas dúvidas persistem.

David às vezes parece desengonçado, impulsivo, longe de ser um finalizador clínico, e sua falta de concentração aparece em momentos chave. Ele é um enigma para os olheiros: não tem técnica refinada, mas entrega o essencial. Ele mesmo brinca, em entrevista ao Het Nieuwsblad, dizendo ser “o Michael Phelps negro”. Do mesmo jeito que pode fazer uma partida ruim, também consegue marcar do nada — e talvez essa seja sua maior virtude. Isso deixa seu treinador, David Hubert, maluco, mas o técnico não consegue deixá-lo de lado: seu atacante tem a capacidade de decidir jogos em qualquer cenário. E o plano de cinco anos que David tinha traçado? Ele cumpriu em apenas um ano e meio. Uma prova de que, apesar dos tropeços, encontrou o próprio caminho.

Publicidade
0