Premier League busca atacantes do futuro e vê Cristiano Ronaldo como símbolo do passado

Cristiano Ronaldo Man Utd 2022-23Getty Images

O gol é o grande momento do futebol e também costuma ocupar protagonismo nos debates relacionados ao jogo. Atacantes, portanto, recebem atenção especial. A edição 2022/23 da Premier League, que já começou, faz com que este assunto esteja sob grandes holofotes, uma vez que mostra de forma clara uma aparente passagem de bastão entre o que se espera do futuro com o que alguns já consideram o passado.

Cristiano Ronaldo, que deseja sair do Manchester United mas – pasmem! – não vê gigantes da Champions League tão interessados em seus serviços, seria, aos 37 anos, este símbolo do passado. Uma prova de que o tempo a todos atinge, até aqueles que treinam com afinco absoluto e obsessivo e usam máquinas da NASA para ajudar na recuperação física. Em contraposição a CR7 neste debate sobre atacantes, estão as duas principais contratações feitas respectivamente por Liverpool e Manchester City, os times dominantes na Inglaterra nestes últimos anos. Darwin Núñez (23 anos) e Erling Haaland (22 anos).

Núñez e Haaland possuem características diferentes. O uruguaio do Liverpool é o símbolo perfeito do que alguns classificam como atacante moderno: marca sem a bola e, quando sua equipe tem a posse, ataca os espaços e, claro, sabe fazer gols e criar chances para seus companheiros. Haaland, por outro lado, tem o perfil mais do centroavante de manual (alto, forte, trombador mas goleador) mas sabe que precisa dar sua contribuição defensiva. É como se fosse uma versão atualizada de um modelo clássico.

É na contribuição defensiva, mais precisamente na falta dela, que se concentram as críticas sobre Cristiano Ronaldo. O português é um dos atacantes menos participativos quando seu time não tem a bola. Um dos maiores de todos os tempos, CR7 ainda é uma máquina de gols... mas nos últimos anos ter sido aparentemente o único ponto focal no ataque de suas equipes acabou enfraquecendo os times em que o camisa 7 jogava.

Cristiano fez 18 gols pelo Manchester United na última temporada de Premier League, mas o time teve o seu pior ataque dos últimos quatro anos: contabilizou 57 tentos em comparação com 73, 66, 65 e 68 dos anos anteriores.

O que CR7 contribui fazendo gols ele tem tirado da coesão de seus times como uma unidade. Dentro do CR7 FC, a impressão é de que o coletivo é que tem que se adaptar à grande estrela individual. Não o contrário. Mas os últimos campeões da Premier League e até da Champions mostram que o caminho do sucesso tem sido outro: a coexistência das mais diferentes individualidades dentro de um todo que funciona tem dado mais resultados.

O Manchester United falhou muito feio em montar times coesos, é importante destacar, mas as últimas tentativas – inclusive a mais recente com Erik Ten Hag – focam em um estilo de jogo, mais ao estilo do Liverpool de Klopp, que tem se mostrado incompatível com o estilo de Cristiano Ronaldo.

Ainda não sabemos o que vai acontecer com o veterano craque português. Fica em Old Trafford ou deixa o United? De qualquer forma, a Premier League 2022/23 começa tendo como debate a figura do goleador individualista, que faz o ataque de seu time parecer mais óbvio, em contraposição aos jovens que estão aparecendo com grande destaque. Qual argumento vai prevalecer? A resposta será dada ao longo dos próximos meses.