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Polícia Civil investiga suposta interferência de presidente do Cruzeiro em operação

21:02 BRT 14/06/2021
Sérgio Rodrigues Cruzeiro
Operação Segundo Tempo é investigada pela corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais por suposta interferência do presidente Sérgio Rodrigues

Responsável por investigar supostas irregularidades na gestão passada do Cruzeiro, a operação Segundo Tempo tornou-se alvo de apuração na corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais antes mesmo de ser iniciada, de acordo com apuração da Goal. Uma carta apócrifa denunciando supostas irregularidades no trabalho que foi chefiado pelo delegado Domiciano Monteiro até o fim de abril, o que inclui possível interferência do presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, no inquérito, chegou ao conhecimento do chefe da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Joaquim Francisco Neto e Silva.

Incomodado com o teor do texto, que diz que houve "desarquivamento de inquérito anteriormente arquivado buscando demonstrar a impressão de novidade", Neto e Silva solicitou a apuração do caso à corregedoria, que ainda não encerrou a análise. O intuito é averiguar a denúncia que ligaria os responsáveis pela investigação ao clube.

Além da suposta ingerência do Cruzeiro, o órgão investiga o vazamento de informações sigilosas da operação.

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"Está na corregedoria. Depois que pedi para apurarem, nunca mais conversei com a corregedora. Eu tenho que procurar saber, porque não quero que esse assunto pare, quero que ande. Ela tem autonomia, vai fazer caminhar, mas eu quero resultado. Quero que continuem com o trabalho de forma isenta, imparcial e independente", confirmou Joaquim Francisco Neto e Silva à Goal.

Na carta, o presidente Sérgio Santos Rodrigues é acusado de, supostamente, ter solicitado o desarquivamento do inquérito do Cruzeiro anteriormente arquivado. Delegados influentes da Polícia Civil de Minas Gerais, por sua vez, teriam, em resposta, prometido a realização da citada operação para desviar o foco de questões relativas à administração atual.

Trecho da carta com menções ao presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues (Imagem: Reprodução)

Procurado para falar sobre o ocorrido, o presidente Sérgio Santos Rodrigues negou que tenha interferido no inquérito e confirmou a solicitação à Polícia Civil para nova investigação sobre os contratos, afirmando que "tudo tem sido feito dentro dos limites éticos e legais". Há questões, já analisadas e arquivadas na primeira fase da operação, que voltaram à tona por solicitação do clube, em agosto do ano passado, conforme apurado pela reportagem.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerais, quando procurada, preferiu não se manifestar sobre o caso envolvendo a apuração feita na corregedoria do órgão.

Confira, abaixo, o posicionamento do Cruzeiro: 

Como já é de conhecimento público, a diretoria do Cruzeiro Esporte Clube acompanha e auxilia nas investigações contra aqueles que lesaram a instituição, em uma das gestões mais corruptas da história do futebol brasileiro. No entanto, tudo tem sido feito dentro dos limites éticos e legais. Desta forma, é leviana e caluniosa a informação de que a instituição, seu presidente Sérgio Santos Rodrigues, ou qualquer outro colaborador do Clube, estejam exercendo influência nas investigações.

De antemão, é salutar esclarecer que, em agosto de 2020, o presidente Sérgio Santos Rodrigues tornou pública uma visita institucional de cortesia ao Departamento Estadual em Investigação de Fraudes, ao lado do à época Superintendente de Relações Institucionais do Cruzeiro, Léo Portela, para reforçar o compromisso da instituição em ser colaborativa com as investigações.

A atual gestão do Cruzeiro, inclusive, além de abrir as portas para todos os órgãos que investigam os potenciais crimes cometidos, nomeou formalmente, em junho de 2020, o renomado escritório Ariosvaldo Campos Pires Advogados para cuidar da parte criminal que confere ao Clube. O advogado Frederico Pires, em nome do Cruzeiro, é quem tem acompanhado com frequência os desdobramentos dos inquéritos, processos e diligências, agindo dentro das premissas legais e em concordância com os órgãos envolvidos.

Cabe ressaltar que a Polícia Civil, um dos órgãos importantes no processo, é quem realiza as investigações e pode pedir diligências diretamente ao juiz de direito ou pode repassar ao Ministério Público, que por vezes também pode atuar como agente de investigação direta, além de atuar na fiscalização do trabalho policial. Desta forma, qualquer medida restritiva de direito, seja quebra de sigilo, de busca e apreensão ou prisão, só podem ocorrer mediante decisões judiciais.

Para elucidar ainda mais: o processo de apuração funciona mediante atuação de duas instituições que trabalham em paralelo (Ministério Público e Polícia Civil), sendo que qualquer pedido passa pelo crivo de um juiz. A recente ação da “Operação Segundo Tempo”, por exemplo, partiu de um pedido da Polícia Civil ao Ministério Público, que, por sua vez, respaldou o pedido e o referendou a um juiz, que determinou as buscas e apreensões.

Assim, caso houvesse qualquer tipo de influência pessoal de qualquer membro da diretoria ou colaborador do Clube, esta suposta interferência deveria se estender a todos os órgãos competentes e responsáveis pela investigação, e não a apenas um deles, de forma isolada. Ressalta-se, ainda, que os promotores e juízes que atuam no desenrolar das investigações de momento não são os mesmos que acataram a denúncia em agosto de 2020, o que reforça a tese de que não há interferência sobre órgãos e pessoas que trabalham no caso.

A respeito do papelucho denunciativo, supostamente entregue à Corregedoria da Polícia, citando o presidente Sérgio Santos Rodrigues, trata-se de documento apócrifo e cujo conteúdo não condiz com a formalidade inerente a algo com a marca da Polícia Civil, que parece ter sido ali colada. Tanto o Clube quanto o presidente Sérgio Santos Rodrigues desconhecem a existência de procedimento visando apurar o alegado no questionável documento. Enfim, é algo sem valor, um nada jurídico.

Inclusive, surpreende o fato de que, no momento em que a operação ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais, incomodando grandes nomes dos bastidores do futebol brasileiro, esse tipo de acusação leviana, em um documento questionável, reverbere na imprensa e em grupos de mídias sociais.

O Cruzeiro Esporte Clube e o presidente Sérgio Santos Rodrigues reiteram a confiança na capacidade e lisura de todos os órgãos envolvidos na investigação e, mais uma vez, reforçam que a instituição está de portas abertas para colaborar com todas as ações necessárias. Principal vítima de todo esse imbróglio, o Cruzeiro torce para que aqueles que tenham cometido crimes sejam devidamente punidos, a partir do que regem as leis do país.