Em um momento de tensão que reflete a profundidade do desacordo sobre o futuro dos projetos esportivos do Real Madrid, a diretoria do clube emitiu um comunicado em tom firme, no qual anunciou sua recusa categórica a um dos acordos comerciais firmados recentemente.
O Real Madrid descreveu o acordo comercial entre a Liga F, entidade que rege a primeira divisão do futebol feminino espanhol, e a empresa Gasol16 Ventures, de propriedade do ex-jogador de basquete Pau Gasol, como algo que “hipoteca as receitas do campeonato pelo próximo quarto de século” e que contraria os princípios de sustentabilidade e independência.
O acordo, aprovado por dois terços dos clubes profissionais de futebol feminino, segundo o jornal espanhol “Mundo Deportivo”, prevê um investimento de 55 milhões de euros nos próximos quatro anos por meio de uma parceria entre a empresa de Gasol e a Fortified Partners.
No entanto, o que despertou a indignação do clube real foi a cláusula que concede ao investidor privado uma participação que varia entre 35% e 49% das receitas comerciais futuras da liga, até junho de 2051.
Um comunicado do Real Madrid esclareceu que os clubes signatários do acordo receberão 40 milhões de euros, em troca da cessão de grande parte de suas receitas por um período de 25 anos. Além disso, a Liga Espanhola receberá 12 milhões de euros, com 3 milhões de euros destinados à aquisição dos direitos de uso de imagens de várias jogadoras.
O Real Madrid afirmou que o acordo “não está em conformidade com o modelo de crescimento do futebol feminino baseado na sustentabilidade, na transparência e na total autonomia dos clubes”.
O clube ressaltou que a natureza voluntária do acordo não deve levar a “tratamento desigual ou consequências econômicas e institucionais” para os clubes que optaram por ficar de fora.
O comunicado destacou uma questão fundamental relacionada aos clubes futuros, explicando: “Uma decisão cujos efeitos econômicos e administrativos se estenderão por 25 anos deve levar em conta não apenas os clubes participantes atualmente e que recebem financiamento, mas também os clubes que ingressarão na Liga F no futuro, os quais estarão sujeitos ao modelo adotado sem participar da tomada de decisão nem se beneficiar do financiamento distribuído inicialmente”.
O Real Madrid concluiu seu comunicado reafirmando seu respeito pela decisão dos clubes que aderiram à iniciativa, mas renovou seu compromisso de trabalhar em prol de “um modelo justo, sustentável e transparente que promova o crescimento do futebol feminino, como nosso clube sempre fez até agora”.
Com essa posição, o clube real abre uma nova frente no debate em curso sobre os mecanismos de financiamento e desenvolvimento do futebol feminino na Espanha, entre os defensores do investimento privado de longo prazo e aqueles que se opõem a comprometer o futuro do campeonato nas próximas décadas.
