Pelé não parou: ele é a régua que define craques e perebas

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Nos 80 anos da maior estrela da história do futebol, seguimos assistindo aos jogos atravessados pela memória do que ele fez

Se a bola não para no futebol brasileiro, com suas partidas de manhã, de tarde e de noite, sete dias por semana e embaralhando campeonatos, é lá que reside a eternidade de Pelé, que completa 80 anos revigorando sua onipresença a cada jogo de bola que se vê por aí.

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Por acaso, a data redonda, reflexiva, vem logo numa temporada em que o esporte primeiro parou, depois se reservou à televisão. Parece que faz séculos, mas até outro dia estávamos pasando nossas noites revendo as Copas do Mundo antigas, rabiscando listas, exercitando a memória, brincando com o elástico do tempo.

Bastou a atualidade ser interrompida para a relação com o futebol se dar como uma visita aos velhos filmes da estante, aos livros clássicos que estão sempre ali, à espreita.

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Foi interessante ver como surgiu ou ressurgiu Pelé para tanta gente. Subindo no morro para respirar e olhar o futebol de cima, é ele quem rouba a cena na visão panorâmica. Ninguém reuniu tantos atributos físicos, técnicos, táticos e mentais nesse jogo. Ali no retângulo, naquela brincadeira de movimentos antinaturais chutando, trombando e pulando, houve um jogador que definiu os parâmetros. É por isso que Pelé não parou. Ele está sempre presente como a régua usada para balizar craques e perebas.

Porque ainda que o esporte esteja em constante movimento, e que nunca tenha existido tamanha difusão de ideias sobre onze caras num campo, a referência é a mesma. Como escreveu Hans Ulrich Gumbrecht em seu Elogio da Beleza Atlética quando refletiu sobre as jogadas do futebol, "apesar de toda falação sobre novos estilos, novas estratégias e maior eficiência do jogo, os jogadores mais admirados e quem sabe até mais bem-sucedidos continuam sendo os que nos fazem lembrar dos melhores atletas da era de ouro do esporte".

Ainda que a exigência coletiva e as virtudes necessárias tenham mudado muito, não dá para ignorar essa memória, por exemplo, na prospecção de jovens talentos por clubes europeus. Não existisse Pelé, um time de Donetsk, na Ucrânia, jogaria o campeonato europeu com seis titulares brasileiros?

Essa existência viva do mais destacado atleta de todos os tempos faz até bagunçar um pouco aquela velha pergunta: qual é o maior jogador que você viu? É claro que não vi Pelé.

Mas prefiro pensar no Rei como presente. Acreditar que de certa forma estamos vendo, sim, o mais eficiente, impressionante e encantador jogador já... visto. Pelo que contam, pelas imagens e principalmente por ser a referência de cada recorte de lance replicado à exaustão. E porque é seu rastro no gramado que nos mantêm malucos por gente correndo atrás de uma bola. Ele está no meio de nós.

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