Cresce a convicção dentro do Real Madrid de que o retorno de José Mourinho ao banco de treinador no Bernabéu era exatamente o que o clube precisava, segundo o destacado jornalista do"AS" espanhol, José Félix Díaz.
Díaz acrescentou que a frase "a melhor contratação do verão para o Real Madrid foi o treinador" passou a ser repetida dia após dia em Valdebebas. É dita com total convicção e confirma uma decisão tomada apesar das muitas vozes críticas que se ouviram, quando se confirmou nos últimos dias de abril que José Mourinho havia sido escolhido para comandar o Real Madrid. E, em menos de dois meses, o português conseguiu conquistar a todos.
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Díaz prosseguiu: "O que acontece dentro de campo é o que dará o veredicto final. Mas a crença de que o clube tomou a decisão certa continua a crescer internamente, especialmente no vestiário e no ritmo diário de uma equipe que agora parece totalmente comprometida em lutar do primeiro ao último minuto, seja nos jogos ou nos treinos".
Como Mourinho mudou o Real Madrid
A realidade diária em Valdebebas não se parece muito com o clima que envolvia o clube um ano atrás. Xabi Alonso nunca conseguiu se comunicar de verdade. Falhou em se tornar parte da dinâmica que deve sempre existir entre o clube e seu treinador, e isso levou gradualmente à deterioração do ambiente geral, segundo o artigo.
E acrescentou: "Os jogadores são os primeiros a sentir o estado dessa relação, e quando a veem começar a se desfazer, se desligam e deixam de funcionar como grupo. Isso aconteceu até durante a Copa do Mundo de Clubes no verão de 2025, o que criou uma sensação contínua de incerteza dentro do Real Madrid, entre os dirigentes e também entre aqueles que influenciam à sua maneira: os jogadores. Álvaro Arbeloa tentou mudar as coisas, mas o vestiário enfrentou muitas circunstâncias parecidas, e a história se repetiu".
Díaz continuou: "Mourinho chegou e, como este jornal (AS) já havia noticiado, mudou imediatamente os hábitos, as regras e as rotinas. Seu objetivo era devolver o respeito dos jogadores ao escudo, bem como o senso de responsabilidade interna, na tentativa de despertar uma equipe que havia se tornado apática e desconectada, e que ao longo das duas temporadas anteriores funcionava em grande parte segundo seus próprios termos. Também se sentou com cada jogador para explicar exatamente o que esperava dele, enquanto aqueles que considerou a princípio dispensáveis receberam a oportunidade de mudar sua opinião".
E prosseguiu: "O resultado é uma sensação crescente de certeza de que a decisão de trocar de treinador e, de certa forma, voltar ao passado, foi o melhor passo do clube desde o próprio retorno de Carlo Ancelotti, que veio quase por acaso. O italiano e o português chegaram depois de praticamente se oferecerem ao clube, ainda que no caso de Mourinho por meio de Jorge Mendes, o empresário influente que teve um papel fundamental no retorno do treinador ao Bernabéu".
Uma velha amizade
E continuou: "Ao contrário de muitos outros treinadores que passaram pelo Real Madrid, Florentino Pérez e Mourinho mantiveram contato, ainda que intermitente, ao longo de 13 anos de separação. As mensagens sempre eram trocadas nos momentos certos. A relação era como a de um velho amigo: mesmo que raramente você tenha notícias dele, nunca duvida de que ele está presente quando você precisa".
Díaz completou: "Tudo isso ajudou a abrir caminho para um retorno que incluiu, assim como o retorno de Ancelotti antes dele, um elemento de sorte. No caso de Mourinho, Zinedine Zidane já havia se comprometido com a seleção francesa. Já no caso de Ancelotti, nenhum dos candidatos alternativos conseguiu convencer os tomadores de decisão".
E concluiu: "Ao retornar, o treinador (Mourinho) não buscou simplesmente impor sua autoridade, mas começou a convencer, a se comunicar e a construir consenso. Seu primeiro pedido, além de eliminar as multas como forma de punição e garantir que todos os jogadores lesionados completassem a reabilitação em Valdebebas, foi utilizar Bernardo Silva como um volante de contenção mais recuado. E, com base no que se seguiu, talvez a ideia não tenha sido tão ruim, afinal".
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