ENTREVISTA EXCLUSIVA
Andrés Iniesta apareceu para o mundo do futebol em 1996, quando esteve envolvido no Torneio de Brunete. Ali, o Barcelona pôde vê-lo, e houve um encantamento pelo jogador logo nos primeiros momentos. "Albert Benaiges (então treinador do Juvenil A dos blaugranas) nos avisou e a gente foi assistir ele", explica Joan Martínez Vilaseca, uma pessoa que dispensa apresentações entre os que conhecem o Barça.
Ao lado do lendário Oriol Tort, Joan é responsável pela chegada da maioria dos craques que já vestiram a camisa do time na última década. Desde Carles Puyol até Lionel Messi. "Ele era muito técnico, rápido e com muita visão de jogo, tinha tudo que procurávamos em um meio-campista". Mesmo assim, trazer Iniesta para a equipe não foi fácil.
"O destino quis que, naquele ano, jogássemos a Copa do Rei contra os juvenis do Albacete, então aproveitamos a oportunidade para conversar com os pais dele", descreve. "José Antonio e Mari explicaram que ele era muito pequeno para passar por uma mudança tão grande, mas revelamos que, mais cedo ou mais tarde, outras equipes se interessariam nele e que a proposta do Barcelona seguiria em pé", afirmou.
Os catalães foram os primeiros a realizar uma investida, mas, como sempre, tudo é possível no mundo do futebol. Ainda assim, "um dia, o pai de Iniesta nos chamou e disse que viria com a família toda para Port Aventura, então os convidamos para visitar La Masía". Vilaseca credita o sucesso na contratação do meia a esse fato. Isso possibilitou que Andrés e toda a família visitassem as instalações do Barça pela primeira vez na vida.
Nas categorias de base, o camisa 8 já chamava a atenção por conta do bom futebol demonstrado, de modo que foi arquitetado um plano para a chegada dele aos profissionais. "Fizemos um trabalho para que ele pudesse estar no time da filial aos 17 anos e nos profissionais as 18". E foi assim graças ao técnico Louis Van Gaal, na temporada 2002/2003. "Ele foi um treinador que sempre apostou nos jovens por onde passou. Quando falei de um meia ofensivo que era de qualidade, ele não hesitou em usá-lo na equipe", acrescentou Vilaseca. Nesse momento nascia uma estrela.

(Foto: Getty Images)
Nem tudo foram flores na carreira de Iniesta no Barcelona. "Em alguns momentos, ele se sentia mal", revela o olheiro, que comentou também sobre as crises de choro do menino de Fuentealbilla. Outra decepção acabou envolvendo uma conquista. "Na final de Paris, em 2006, ele ficou de fora do time titular da final da Champions League". Mesmo assim, o jogador foi decisivo no triunfo sobre o Arsenal, iniciando as jogadas que resultaram em gols de Eto'o e Belletti.
Anos depois, o camisa 8 foi um dos pilares no triplete de 2009, inclusive com o "Iniestaço" no Stamford Bridge, e o gol que deu o primeiro título de Copa do Mundo para a Espanha. "Não vai demorar para que ele se aposente da seleção. Ele é de um tipo único de jogadores, que são tão importantes que não sabem ocupar outro papel por se sentirem mal mas, com certeza fará isso em grande estilo", admitiu.
É o que simboliza esse anúncio, de que ele é uma história viva, apesar que, essa sexta-feira (27) seja um dia triste para todos os fãs dos blaugranas. É a despedida de um jogador ímpar da equipe, talvez tão insubstituível quanto Lionel Messi, que deu um forte e longo abraço no espanhol após o gol marcado contra o Sevilla, na final da Copa do Rei. Juntos, Messi e Iniesta redefiniram os rumos de um clube que, em certos momentos, estava acostumado a viver na sombra de outros. O meia colocou o clube onde deveria estar: no topo do mundo. É possível imaginar se a família dele resolvesse viajar para curtir as férias ao invés de visitar La Masía?




