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Primera Division

O que Ancelotti ensinou para Zidane

07:30 BRT 29/09/2017
ZINEDINE ZIDANE CARLO ANCELOTTI CHAMPIONS LEAGUE REAL MADRID
O técnico do Real Madrid aprendeu muito com o colega italiano, demitido nesta quinta-feira (28) pelo Bayern de Munique

Análise

O Bayern de Munique decidiu demitir Carlo Ancelotti nesta quinta-feira (28), horas depois da derrota da equipe alemã no Parque dos Príncipes contra o PSG. Uma notícia que não cairá nada bem para Zinedine Zidane. O atual treinador do Real Madrid deve muito ao italiano, um de seus grandes mentores no futebol. E os primeiros passos do francês no banco foram com Carletto.  

Era verão europeu de 2013, quando Ancelotti acertava com o Real Madrid após sair do PSG. E ainda que tenha trazido consigo sua equipe de trabalho, ele reservou um espaço muito especial para Zidane como segundo treinador. Ao seu lado. Bem perto. Então, 'Zizou' já havia ocupado diversos postos dentro dos Merengues, mas sempre algo mais distante do campo: embaixados do clube, assessor do presidente, peça de ligação entre o corpo técnico e a direção (com José Mourinho)... mas naquele momento já tinha claro seu salto para os bancos, as 'práticas' foram feitas ao lado de Ancelotti. A quem conhecia desde sua época como jogador, por certo. E ambos tinham estado na Juventus entre 1999 e 2001. Então, também sobre uma relação maestro-aluno, mas de outro tipo: treinador-jogador.

Foi justo quando Zidane se encontrava em um dos seus melhores momentos como jogador, após ganhar o Mundial com a França, e no mesmo ano conquistou também a Eurocopa. Ironicamente, aqueles anos foram especialmente produtivos em títulos com a Juventus, mas começou a forjar uma relação muito especial entre Ancelotti e Zidane. Até o ponto que o italiano reconheceria que tinha sido o melhor jogador que comandou, e vice-versa: o francês sempre lembrou de Carletto quando nomeava os melhores técnicos que teve. 

Então, Zidane já aprendeu muito com Ancelotti, segundo reconheceria anos depois. Mas o cenário neste processo de aprendizagem chegou em 2013 no Real Madrid. Foi um início de temporada complicado no Real Madrid, pela referência de Mourinho bem impregnada no clube e na torcida, pela imensa polêmica no gol entre Diego López e Iker Casillas, e porque custou muito ver a equipe  que acabou sendo campeã. Durante todo o primeiro turno da La Liga esteve fora das duas primeiras posições, perdendo o o primeiro dérbi e o primeiro clássico que teve, a adaptação de Gareth Bale custou bastante... E ainda assim, a dupla Ancelotti-Zidane foi capaz de coroar uma das temporadas mas vitoriosas que se lembram, conquistando dois títulos: a Copa do Rei, ganhando do Barcelona, e a sonhada décima Champions League contra o Atlético de Madrid.

De todo esse processo Zidane aprendeu muitas coisas de Ancelotti. Seu método de treinamento, por exemplo. Seu gosto pelo futebol de toque e atacante, embora ele tenha levado consigo em sua época como jogador. Sua flexibilidade tática, tendo em vista que Ancelotti que inventou Di María como meio-campista, além de supreender em muitos dos importantes jogos mudando o 4-3-3 clássico por um 4-4-2 (semifinal contra o Bayern ou a própria final da Copa contra o Barcelona).


(Foto: Getty Images)

Zidane também aprendeu com Ancelotti a gerir o vestiário e as estrelas, usando a mão esquerda, participando das decisões com os jogadores, integrando e encorajando a equipe. E também o seu modo de aparecer publicamente, sempre defendendo os seus e sempre evitando polêmicas. Além disso, os dois compartilham da mesma mania: o chiclete. Da mesma marca. Claro, Ancelotti é capaz de esgotar um pacote inteiro em uma única partida, enquanto Zidane é mais restrito no consumo.

Na verdade, de muitas maneiras, Zidane e Ancelotti são com duas gotas de água na forma de exercer a profissão nos bancos. E não é surpreendente que um tenha triunfado no Real Madrid quase após o outro.

"Eu era seu assistente e eu realmente aprecio muito Carletto", reconheceu Zidane em entrevista coletiva antes do primeiro jogo que o enfrentou como treinador em abril deste ano. É claro que o francês não ficará feliz com a demissão de seu amigo. De seu professor, melhor dito.