Não se passaram 24 horas desde a mensagem conciliadora de Gianni Infantino, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), ao mundo, e a resposta mais dura já veio de dentro de sua própria casa.
O presidente da Federação Alemã de Futebol e membro do conselho da Fifa, Bernd Neuendorf, detonou uma bomba estrondosa e classificou a iniciativa do presidente da Fifa não como uma reforma, mas como uma "manobra eleitoral escancarada", declarando que o suíço perdeu totalmente a credibilidade e não é mais a pessoa adequada para liderar o esporte.
A mensagem aos 211 países sob a lupa
Infantino havia enviado nesta semana uma mensagem a todos os 211 países membros, na qual propõe discutir reformas dentro do órgão administrativo do futebol mundial, numa tentativa de conter uma crise contínua.
Em sua mensagem, Infantino sugeriu a realização de uma revisão independente do processo de tomada de decisões na Fifa, declarando em tom conciliador que proporá amplas consultas às confederações continentais, às federações membros e às demais partes interessadas sobre o fortalecimento do processo de tomada de decisões.
Ele também tentou tranquilizar as federações, afirmando em sua mensagem que as posições das federações membros em relação às propostas ou às questões de governança não afetarão a forma como a Fifa as trata, e que os programas de desenvolvimento e solidariedade continuarão de acordo com as regras atuais.
Infantino propõe reforma na Fifa para salvar seu trono após escândalo da venda da Copa do Mundo
O pano de fundo da crise: a venda do Mundial
Esta iniciativa surge depois de Infantino enfrentar reações furiosas por causa de sua proposta polêmica de vender uma participação de 20% dos direitos comerciais da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores do setor privado.
O plano foi completamente abandonado em julho passado, após forte oposição e ameaças de boicote, quando a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação Asiática de Futebol e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) reclamaram mudanças radicais na liderança da Fifa.
As confederações continentais afirmaram na ocasião que nenhuma delas foi consultada em qualquer etapa, e que Infantino agiu sozinho, enquanto a União Europeia afirmou que a mudança na liderança se tornou necessária depois de perder a confiança no atual presidente.
Neuendorf: perdeu totalmente a credibilidade
A resposta mais forte veio nesta terça-feira pela voz de Neuendorf, membro do próprio conselho da Fifa, o principal órgão de tomada de decisões da organização, segundo a agência "Reuters".
O presidente da Federação Alemã disse em tom incisivo: "Considero a mensagem de Gianni Infantino uma manobra escancarada para garantir sua reeleição no ano que vem. Parece que a Fifa percebeu agora, em princípio, a necessidade de realizar mudanças".
E acrescentou: "Ainda assim, Gianni Infantino não é a pessoa adequada para liderar o processo de reforma, pois perdeu totalmente a credibilidade".
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O suíço disputa sua reeleição em março do ano que vem e, apesar da dificuldade de encontrar um adversário para ele, fontes bem informadas afirmaram à agência Reuters que seus oponentes já perceberam que ele ainda dispõe de votos suficientes para vencer, o que os levou a focar em uma nova estratégia: limitar seus poderes absolutos dentro da organização, em vez de tentar derrubá-lo.



