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O melhor Bayern de todos os tempos: Como os campeões de 2013 superaram o lendário time de 2001

COMENTÁRIO
Por Peter Staunton

Grandes times do Bayern de Munique não foram sempre forjados na derrota, mas este sim. O pênalti desperdiçado por Arjen Robben na derrota para o Borussia Dortmund em abril de 2012 deu de presente para Jurgen Klopp seu segundo título da Bundesliga. Os nervos traíram o holandês, assim como na final da Champions League, um mês depois, e Neven Subotic, do BVB, aproveitou a oportunidade para esfregar isto na cara de Robben. A triunfante soberba do zagueiro foi só um a mais (ou a menos) na terrível miséria do time de vermelho.

Foi uma temporada muito anti-Bayern, em geral; tomada por uma mentalidade frágil que não existia no time de 2001. "Estávamos sob muita pressão como time," disse Oliver Kahn ao site da UEFA no ano da vitória da sua equipe, nos pênaltis, sobre o Valencia. "Era a última oportunidade daquela geração."

Foi uma chance que eles abraçaram de coração, uma chance similar a que o Bayern conseguiu, em casa, na final disputada na Allianz Arena. O grupo de 2001 não teria nunca, nem em um milhão de anos, perdido uma disputa por pênaltis contra o Chelsea. Apenas imagine Stefan Effenberg assistindo enquanto seus titulares recusavam a oportunidade de cobrar a penalidade em uma decisão de copa europeia pelo Bayern.

Mas os fantasmas de 2012 foram agora enterrados de vez. O Bayern venceu a Champions League de forma gloriosa e dominante em 2013. Eles tomaram de volta a Copa da Alemanha depois de terem sido totalmente atropelados pelo Dortmund na final do ano anterior. Eles aprenderam que a técnica do Bayern durante os treinos e conquistaram a mentalidade verdadeira do clube à duras provas. Este elenco adquiriu as forças dos seus antecessores sem serem afetados por uma fraqueza hereditária.

323603O melhor goleiro do mundo, um alemão loiro, é o último homem da defesa. Um conjunto de talentos nativos patrulham o campo e um diminuto número 7 é quem puxa as cordinhas. O escudo da Bundesliga e a taça da Champions League brilham no armário de troféus. Muitas semelhanças certamente se acumulam entre os times de 2001 e de 2013. Mas, por fim, é a equipe de Manuel Neyer, Bastian Schweinsteiger e Franck Ribéry que entrarão para os anais da história como o melhor de todos.

A classe de 2001 gabava-se de ter muitos talentos pré-eminentes, o principal deles Oliver Kahn, Effenberg e Mehmet Scholl. Owen Hargreaves, então com 19 anos, também surgiu nas bases e teve um papel importante no sucesso da equipe, começando o jogo no meio-campo na final, em San Siro.

Mas eles brigaram muito para conseguir alcançar o título da Bundesliga. Uma dificuldades que o time de Jupp Heynckes não conheceu na última temporada. Eles bateram 30 recordes na sua campanha do título, incluindo o de maior número de pontos conquistados, maior número de gols marcados e melhor defesa. Nenhum time jamais havia dominado uma liga como o Bayern fez na última temporada. Eles perderam apenas 11 pontos. Marcaram 98 gols. Formaram a equipe com as melhores atuações da história do campeonato alemão.


A CLASSE DE 2001

Kahn

Effenberg

Scholl

O time do Bayern de 2000-01 não era nenhum modelo de consistência nas competições domésticas. Eles não ganharam 15 dos 34 jogos rumo ao título que quase acabaram perdendo no final. O Schalke chegou a ser campeão por quatro minutos, celebrando no campo depois da vitória sobre o Unterhanching, acreditando que o Bayern havia perdido para o Hamburgo. Mas Patrik Andersson conseguiu fazer uma mágica aos 48 do segundo tempo em uma falta de tiro indireto que saiu como uma flecha direto para os corações em Gelsenkirchen.

Um final de fazer parar o coração, roteirizado por um deus do futebol que só pode ser torcedor do Bayern, confirmou o status do time o rei dos destruídores de sonhos no futebol alemão. O que eles fizeram ao Schalke em 2001 foi feito ao grupo de 2012 abundância. O Bayern foi vítima de diversas decepções avassaladoras que apenas eles mesmos já haviam conseguido causar antes. Mas eles sobreviveram, provaram do próprio remédio.

O Bayern de Hitzfeld derrotou os campeões eleitos da Inglaterra e da Espanha nas quartas e semifinais da Champions League; em 2013, a equipe passou por cima dos campeões italianos e espanhóis. Entretanto, é a performance diante do Barcelona na temporada passada que eleva o status do time de Heynckes.

O placar agregado de 7 a 0 marcou uma virada espetacular para um grupo abatido e desolado que havia deixado passar uma chance incrível de vencer a competição apenas 12 meses antes. O time de 2001 também aproveitou sua oportunidade de redenção, vencendo o Manchester United que havia sido campeão em 1999 nas quartas-de-final de 2000-01, mas havia algo de enfático na vitória sobre o Barça que pareceu definiro fim de uma era.

Jogadores da base do clube como Schweinsteiger e Philipp Lahm não possuem a mesma 'dureza' dos seus antecessores. No seu domínio, paciência e técnica é que reinam. Eles não valem menos do que os outros por isso, mas em partidas decididas por agressividade e mentalidade eles ficaram um pouco para trás.

A CLASSE DE 2013

Neuer

Schweinsteiger

Robben

Isto mudou diante do Barcelona. Eles destruíram o melhor time do mundo e sambaram sobre a carcaça. E por sua superioridade, habilidade e facilidade com que venceram, foi um tapa na cara da agressividade convencida de Effenberg. Não apenas o ombro de Thomas Müller para bloquear a passagem de Jordi Alba na corrida de Arjen Robben para marcar um gol uma atitude pouco desportiva, mas foi também atrevido. E mais do que isso, ele repetiu o gesto ao lado do holandês no fim da partida, rindo.

Isto demonstrou confiança e falta de cortesia, coisas que antes não faziam parte do time. "Não vejo nenhum Jens Jeremies que já mordeu a canela de um adversário no aquecimento," disse o presidente Uli Hoeness após a derrota na final para o Chelsea. Ele quis dizer que faltou ao Bayern aquele algo a mais, uma mentalidade mais robusta que deveria correr nas veias do clube. Não mais.

323562"Se eles vencerem a Champions League a Copa da Alemanha para somar ao título da liga, isso fará deles três vezes campeões. Posso dizer que depois disso, eles serão melhores doq eu nós," declarou o veterano de 2001 Samuel Kuffour antes da decisão contra o Borussia Dortmund, em maio.

E eles assim fizeram. Dentro do campo sagrado de Wembley, Jerome Boateng procurou Subotic. "Gostou?" ele perguntou, quase gritando, o rosto contorcido de tanta felicidade. Foi um momento simbólico. O Bayern voltou a ser o Bayern.

Há um sentimento de merecimento e supremacia que tradicionalmente existe ao se jogar pela melhor equipe da Bavária. A classe de 2001 tinha, a classe de 2013 conquistou.
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