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Por que Ganso acerta ao escolher o Fluminense

21:30 BRST 31/01/2019
Ganso Amiens 18 01 2019
Negociação chega ao final feliz após semanas de negociação; confira os números do brasileiro na atual temporada

Paulo Henrique Ganso é, enfim, jogador do Fluminense. O clube carioca e o Sevilla chegaram a um acordo pelo meia, que rescindiu com o clube andaluz antes de assinar um vínculo válido por cinco anos com o Tricolor. Considerado um dos jovens mais promissores há cerca de dez anos, o habilidoso meio-campista não conseguiu ser o craque que todos esperavam. Por isso, muitos se perguntam: seria um acerto apostar nele?

Contratado pelo Sevilla por € 9,5 milhões (cerca de R$ 34,4 na cotação da época) em 2016, quando estava no São Paulo, Ganso não teve boa passagem pelo clube espanhol: foi titular em 19 ocasiões do seu total de 28 partidas. E ainda que tenha feito sete gols, não entregou a intensidade que os seis treinadores tidos pela equipe desde então (Sampaoli foi um deles) queriam. Foi por isso que, no início desta atual temporada europeia, o brasileiro foi emprestado para o Amiens, da França.

Na Ligue 1, só completou os 90 minutos de uma partida uma vez. Considerando os meio-campistas que disputaram um mínimo de dez jogos (Ganso fez 12), o brasileiro está no Top 10 dentre os que menos começaram entre os titulares (apenas cinco vezes). Isso em uma equipe que não tem grandes nomes e luta contra o rebaixamento na França. O Amiens não é um time com muitos pontos fortes, e por isso a passagem de Paulo Henrique Ganso pela França pode ser vista como mais uma decepção em uma carreira que prometia muito mais do que acabou se tornando.

(Foto: Getty Images)

Mas ainda que não tenha conseguido muitas oportunidades em uma equipe fraca da França, a sua habilidade segue a aparecer vez ou outra. Ganso está no Top 15 dos meio-campistas com melhor aproveitamento em passes dados no campo adversário (85.7% segundo a Opta Sports) e entre os seis com a melhor média dos passes que terminam no terço final do adversário (82.9%) após 22 rodadas de Ligue 1. É também o jogador de sua posição que mais deu assistências para a equipe, embora tenham sido apenas duas.

A comparação com Sornoza, principal articulador do Fluminense em 2018 e que já acertou com o Corinthians para 2019, mostra que no geral o equatoriano era mais efetivo para combater e finalizar. Paulo Henrique teve – segundo apontado no quadro abaixo - uma média melhor na parte dos passes. E aí que mora o grande acerto de sua escolha pelo Fluminense. Ou ao menos para o que o Tricolor promete ser em 2019.

*Média por jogo Ganso (Amiens 2018-19) Sornoza (Flu 2018)
Finalizações 0,2 1,5
Chances criadas 3 2,6
Passes certos 87% 85%
Desarmes certos 67% 83%

Sob o comando de Fernando Diniz, Ganso terá o treinador que mais valoriza a ideia de jogar o máximo possível com a bola nos pés – algo que, segundo pesquisa recente, de fato aumenta as chances de vitória. Na França, o Amiens não sabe o que quer em seu estilo de jogo: é ruim tanto nos passes longos quanto nos curtos e não tem uma identidade tão aparente.

Fernando Diniz, técnico do Flu para 2019 (Foto:Mailson Santana / Fluminense FC / Divulgação)

E identidade é exatamente o que o Fernando Diniz busca dar às suas equipes – quer você goste do estilo ou não. Além do modelo de jogo que busca aproveitar o máximo do bom passe, Ganso pode encontrar um clube que exemplifica muito bem a sua atual situação: no #TenYearsChallenge entre  Flu e o atleta, no passado eles eram muito mais promissores do que apontam no presente: em 2009 Ganso fazia a sua primeira temporada regular entre os profissionais do Santos enquanto o Fluminense conquistaria o Brasileirão no ano seguinte. A resposta do que esta parceria pode entregar, no entanto, está apenas no futuro.