No Brasileirão 2018, Palmeiras teve menos a bola do que times da segunda divisão na Europa

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Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Estudo feito pela CIES Football Observatory nos ajuda a entender o quanto a qualidade do nosso futebol precisa melhorar

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Posse de bola ganha jogo? Evidente que não, se analisarmos isoladamente. Mas no futebol de clubes jogado no mais alto nível nas últimas duas temporadas, ter a esfera tanto quanto ou mais do que o adversário mostrou-se um dos muitos fatores importantes para se explicar o sucesso de um time.

De acordo com o mais novo estudo publicado pela CIES Football Observatory, a média das equipes europeias campeãs nacionais nas últimas duas temporadas foi de 57% do tempo de bola. Foram analisados 35 ligas domésticas da UEFA das primeiras e segundas divisões que totalizaram mais de 19 mil partidas observadas.

O estudo destaca que é apenas a partir de determinada média de posse de bola que um time aumenta consideravelmente as suas chances de ter sucesso. A grande diferença existente nas médias está relacionada ao campeonato e a qualidade das equipes que estão na disputa. Por exemplo: os campeões de torneios menores ou da maior parte dos que triunfaram na segunda divisão apresentam menor posse. Motivo?  Um equilíbrio em um nível que não é muito alto e tem como consequência campeonatos com poucos gols.

E é exatamente aí que entra o Brasileirão. A nossa Serie A obviamente não entrou no estudo em questão, mas os resultados nos ajudam a explicar mais uma vez o quanto o nível, a qualidade, do nosso esporte mais popular está aquém. Em 2018, o Campeonato Brasileiro teve a sua pior média de gols (2.18, segundo a Opta Sports) na história dos Pontos Corridos e o mais baixo desde 1990 (1.89). Ato contínuo, o Palmeiras de futebol reativo e direto treinado por Luiz Felipe Scolari levantou o título tendo 49.5% de posse de bola.

Wolverhampton champion 16 01 2019Wolverhampton comemora título da segundona na Inglaterra (Foto: Getty Images)
Time Título conquistado Média de posse de bola
Wolverhampton 2ª divisão inglesa 52.2%
Fortuna Dusseldorf 2º divisão alemã 50.3%
Levante 2ª divisão espanhola 50%
Palmeiras Campeão Brasileiro 49.5%

Para efeito de comparação, é menos do que os campeões das segundas divisões de Inglaterra (Wolverhampton, 52.2%), Alemanha (Fortuna Dusseldorf, 50.3%) e Espanha (Levante, 50%). É, também, equilibrado com outros campeonatos de elite menos importantes por lá. O dono do número mais alto não chega a impressionar: em 2017-18, o Manchester City levantou a Premier League de forma espetacular e com média de 68.6% de posse.

Manchester City Premier League Trophy 2018Man.City dominou a posse de bola e ganhou a Premier League 2017-18 com sobras (Foto: Getty Images)

Importante destacar o que parece óbvio: quanto mais essa posse de bola for no campo do adversário, buscando mais fazer o gol, maiores as chances de sucesso.

Outro ponto válido a se destacar é a diferença do Brasileirão em relação às ligas nacionais europeias, que talvez estejam mais próximas do que deveriam ser os nossos estaduais devido ao tamanho continental do nosso país. Mesmo assim, o Real Madrid tricampeão da Champions League confirma a importância da posse de bola (55.5%, 53.5% e 57.4% em ordem crescente das últimas conquistas). A exceção é a França, que foi campeã do mundo com 49.6% da posse de bola. Mas Copa do Mundo é, por si só, um evento à parte. Sete jogos definem o campeão.

O Palmeiras não é menos merecedor, longe disso. Foi incontestável e o torcedor ganhou o que queria, a taça. Mas a comparação ajuda a demonstrar de forma mais apurada o quanto o jogo, o espetáculo, precisa melhorar na elite do futebol brasileiro.

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