Por Bruno Guedes 
Há 37 anos, quando assumiu o Dream Team do Flamengo, Carpegiani iniciava sua carreira e era um ex-companheiro de quase o time todo. Fez jogar, com metodologia daquela época e grandes estrelas, o que é considerado o maior time do Rio de Janeiro em todos os tempos. Hoje, Paulo César chega sob a bandeira de um passado e precisando fazer um trabalho de Hércules: provar que não está ultrapassado e conseguir que o atual elenco seja campeão.
Carpegiani assumiu um Flamengo que vem há meses sendo tratado como sem intensidade e comportamento tático adequado ao número de estrelas que tem atualmente. Porém, o próprio treinador é considerado de uma época diferente de futebol e por isso tem como desafio apresentar também uma evolução caso o clube sonhe ser campeão da Libertadores. E os primeiros sinais desse novo time são positivos, como os vistos contra o Nova Iguaçu.

Era impossível tecer qualquer comentário sobre os primeiros jogos do Rubro-Negro, haja vista que entravam em campo jogadores jovens, em sua maioria do sub-20. Com ideias e filosofia de jogo assimiladas de outros treinadores, no caso o campeão da Copinha Maurício Souza, o trabalho não podia ser analisado. Agora, já com os principais atletas e treinos após um mês de pré-temporada, há algumas mudanças significativas no que diz ao aspecto tático.
A começar pelo esquema. Flamengo jogou no último domingo num 4-1-4-1, com Lucas Paquetá fazendo a função de meia que entra na área, algo parecido com que o Arão fazia em 2016. Só que mais agressivo na parte ofensiva. Sem explorar tanto os lados com o pontas, como virou marca nos últimos anos, o time se comportou por vezes intenso com a posse de bola e outras muito passivo quando estava sem ela, deixando o Nova Iguaçu trocar passes e chegar à área.

(fotos: Gilvan de Souza / CR Flamengo / Divulgação)
Cuéllar fez a função de ser o volante por trás da linha de meias. Estes, aliás, trocavam bastante de posição, mostrando um conceito interessante. Éverton Ribeiro trocou diversas vezes com Diego pelo meio, possibilitando a entrada de um dos laterais pelo corredor e confundindo a marcação.
Ainda é apenas um embrião do que veremos ou não ao longo do ano, mas Carpegiani começa a modificar algumas ideias. Porém o fraco Campeonato Carioca não possibilita mais observações sobre a parte de eficiência defensiva e criação. O que sabemos é certo: é o maior desafio da carreira do Paulo César.
