“O que eu posso dizer... tenho 78 anos e estou sentado aqui em uma cadeira pagando as consequências de ter marcado Coutinho e Pelé. Com dor na cintura e nas pernas, porque sofri algumas fintas”, disse Luis Varela, um dos poucos jogadores que tiveram o privilégio de enfrentar um dos maiores ataques do mundo, no Santos da década de 60.
A morte de Coutinho na última segunda-feira (11), foi um dos principais assuntos no mundo do futebol. Desta forma, em entrevista ao Referí, o ex-jogador do Peñarol ressaltou a qualidade de um dos melhores amigos de Pelé ao lembrar das partidas nas quais precisou marcar a dupla.
“Após o jogo tivemos que ir ao ortopedista para acomodar a cintura. Pelé foi ótimo, e Coutinho foi o seu parceiro. Quando olhava para os meus companheiros costumávamos pensar “a mãe, mais uma vez vamos ter que marcá-los”, relembra.
Luis Varela teve que marcar Coutinho e Pelé nas semifinais da Copa Libertadores em 1965, e o ex-defensor guarda na memória com carinho o duelo no qual entrou para a história da competição: “O primeiro jogo foi a famosa partida por 5 a 4 em Santos, Maidana defendeu um pênalti de Pelé. Depois eles vêm ao Montevidéu e, faltando cinco minutos para o final do jogo, o Santos ganhou por 2 a 1”. Na ocasião, Varela foi escolhido como um dos melhores atletas do duelo.
Durante o bate-papo, Varela ainda relembrou a maneira como tentou marcar o time que tinha uma das melhores forças ofensivas da década de 60, com Dorval, Mengalvio, Pepe, Coutinho e Pelé: “A marcação era de homem para homem, esperávamos passo a passo, mas o Coutinho era rápido”.
Por fim, Varela prestou uma singela homenagem a Coutinho que faleceu aos 75 anos devivo um infarto agudo do miocárdio em decorrência de diabetes e hipertensão arterial sistêmica: “Posso dizer que marquei Coutinho e Pelé. Não joguei contra Maradona, mas posso garantir que marcar esses dois era terrível”.



