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Michael, do Goiás: da várzea e do tráfico de drogas a destaque do Brasileirão

13:00 BRT 26/08/2019
Michael Goias Serra Dourada Internacional Brasileirao
Atacante esmeraldino veio dos campos de várzez e tem chamado a atenção por sua habilidade e capacidade técnica

"Era tomado pelo diabo". É assim que o atacante do Goiás Michael conta como era sua vida nos tempos em que o uso e o tráfico de drogas faziam parte de sua rotina antes de se tornar jogador profissional de futebol. A história do jovem atleta não é inédita no futebol brasileiro, que muitas vezes acaba servindo como "salvação" para jovens que vivem em condições de maiores dificuldades do país. Hoje com 23 anos, Michael é o melhor jogador do Goiás e se tornou alvo da cobiça de gigantes brasileiros.

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Michael Richard Delgado de Oliveira nasceu em 12 de março de 1996, na pequena cidade de Poxoréu, interior do Mato Grosso, a cerca de 270 km de Cuiabá. Foi cedo que ele começou a ter contato tanto com o futebol quanto com as drogas.

Michael teve seus primeiros passos no futebol em um campo de terra em Goiânia. Foi lá que ainda novo ganhou seu primeiro campeonato como jogador em um clube de várzea da região. Michael se descreve como sendo "galudinho" e marrento na época de jogador do terrão. Seu estilo 'temperamental' e o envolvimento com as drogas e o crime fizeram com que ele quase fosse morto seis vezes, segundo seus relatos.

O artilheiro do Goiás elenca seu antigo estilo de vida desvairado: de dois a três maços de cigarro por dia, tomava cachaça com frequência e fazia uso de drogas como maconha, "loló" (lança perfume), ecstasy e cocaína. Como se não bastasse o uso das substâncias, Michael se envolveu com o tráfico delas. Foi especialmente por esse comércio ilegal que ele quase foi morto na porta de sua casa - em uma das seis tentativas.

Foi exatamente após a sexta tentativa de assassinato que Michael diz ter encontrado um novo caminho para sua vida: "Depois da sexta vez que tentaram me matar, Deus disse para mim 'chega, né!'. Fui para a igreja e uma mulher disse tudo o que aconteceu na minha vida. Falei que se Deus for bom, ele vai ter misericórdia de mim". disse em entrevista à Rádio Sagres .

Jogando no terrão, Michael ganhava cerca de R$ 20 por jogo e seu antigo treinador conta que uma vez o encontrou exausto pois tinha participado de cinco partidas consecutivas para poder pagar uma conta de luz de R$ 150. Muitos dos jogos aconteciam sem ele sequer ter almoçado.

Dentro de todo esse cenário de dificuldade soma-se ainda as rejeições sofridas por vários clubes para entrar na base. Goiânia, Aparecidense e o tradicional Vila Nova negaram chances ao atual camisa 11 do Goiás. A oportunidade veio no modesto Monte Cristo, time da terceira divisão do campeonato goiano, em 2015.

Michael [à direita] com a torcida do Goiás antes da partida contra o Santos, na Vila Belmiro (Foto: Divulgação/Twitter Goiás)

Foi lá que começou a desenvolver seu jogo e começou a subir em sua carreira. No ano seguinte ele foi aceito no Goiânia, que era da segunda divisão do 'goianão' e em 2017 subiu à primeira divisão do estadual com o Goianésia. No mesmo ano, porém, veio a oportunidade de jogar pelo Goiás. Após uma primeira temporada discreta, ele foi decisivo na segunda campanha que culminou no acesso à Série A.

"Eu assistia ao jogo do Cruzeiro, do São Paulo e agora eu tô jogando contra 'os cara'", disse Michael em entrevista ao Esporte Espetacular .

(Foto: Getty Images/Buda Mendes)

Hoje, Michael é um dos destaques não apenas do Esmeraldino, mas do Brasileirão, que conta com vários jogadores já estabelecidos. Uma prova do talento do jovem atleta está no golaço anotado contra o Internacional no último domingo (25), na vitória de virada do Goiás por 2 a 1 sobre o Colorado. O baixinho recebeu na entrada da área, deixou dois marcadores do Inter sentados no chão e estufou as redes para começar a reação no Serra Dourada.

De acordo com dados do Footstats , Michael é o segundo jogador com mais dribles no Brasileirão, com 27 no total. Está atrás apenas de Arthur Gomes, da Chapecoense.

Com vínculo com o Goiás até 2021, Michael vem chamando a atenção de vários times pelo Brasil. O Corinthians e o Santos aparecem como os dois principais candidatos a assinar com a promessa esmeraldina. Porém, precisarão de uma boa negociação se não quiserem pagar os R$ 50 milhões que constam em sua multa rescisória.