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Copa América

Messi enfim assumiu a liderança na Argentina e fez uma Copa América diferente

10:37 BRT 03/07/2019
Messi Argentina Brasil Copa América 03 07 2019
Em campo, o desempenho foi abaixo da média até o camisa 10 "acordar" contra o Brasil; deixou sua personalidade mais forte apesar da eliminação

Se a campanha de Lionel Messi na Copa América de 2019 tivesse que ser resumida em uma única palavra, escolher “diferente” talvez seja uma boa opção.

Porque o camisa 10 segue a encontrar com as cores albiceleste uma realidade diferente à que vive no Barcelona. E se a última temporada dos catalães decepcionou, individualmente Messi encantou. Diferente também por conta das exibições abaixo do esperado até a semifinal perdida contra o Brasil.

As médias de gols marcados, assistências, passes, finalizações, toques... todas elas foram gritantemente abaixo do que Messi fez em sua última temporada pelo Barcelona. Com uma diferença grande o suficiente para creditar este desempenho ruim individualmente ao jogador, e não apenas ao time desorganizado.

Messi Barcelona 18-19 Argentina Copa América
Gols 1.42 0.20
Assistências 0.53 0
Finalizações a gol 3.53 1.2
Passes-chave 3.92 1.8
Passes 76.1 39.2
Média por jogo. Fonte: Opta Sports

Na estreia contra a Colômbia, derrota por 2 a 0, foi quem mais tentou. Mas não brilhou, muito menos decidiu. Diante de Paraguai e Qatar, contudo, nem mesmo a desculpa de ser uma ilha em meio a um oceano de cabeças-de-bagre encaixou: Lionel Messi não foi bem e, naquele momento, não era nem mesmo o melhor jogador da cambaleante seleção argentina nos criticados gramados do Brasil.

Isso mudou no quinto jogo, justamente o mais importante. O único em que o argentino igualou, defendendo o seu país, a média de passes-chave [3] com bola rolando, até mesmo superando a mesma marca considerando todos os lances [4].

(Foto: Getty Images)

Mas foi em vão: Messi foi quem mais criou chances pela sua equipe, mas parou na dura marcação feita por Casemiro e no excelente sistema defensivo da seleção brasileira. E quando provou que não há tática que o impeça de criar jogadas e decidir com gols, Alisson e a trave lhe fecharam a porta. O antigo sonho de levantar um título pela equipe principal da Argentina voltou a se mostrar uma dura e melancólica realidade. Contra o Brasil ele não foi tão diferente do que é no Barcelona, mas o problema parece o somatório de elementos que seguem a puxar a Albiceleste para baixo e, dentre eles, a falta de sorte.

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Nesta Copa América Messi foi diferente, acima de tudo, por causa de sua postura: se uma eventual falta de liderança era um dos maiores pontos de crítica, a sua ascensão em meio a esta jovem argentina montada a retalhos por Scaloni era repetida a cada entrevista.

“Messi é essencial em campo e no vestiário” disse o treinador ao longo da competição, em uma das ocasiões em que defendeu o camisa 10 em meio às exibições decepcionantes.

Também não fugiu da imprensa, colocando a cara à tapa nas entrevistas pós-jogo. Diferente porque, enfim, abriu o peito para cantar o hino de seu país – algo que deixava muitos argentinos chateados, apesar da justificativa normal e aceitável do craque. Diferente também por ter até mesmo contrariado a brincadeira que lhe coloca como um “ET”, ao ser tão humano quanto quase todos os jogadores do planeta Terra ao culpar a arbitragem após a derrota para o Brasil.

“O juiz favoreceu a eles [Brasil] durante todo o jogo, em todas as jogadas chatas que vão te desgastando. E depois teve as jogadas dos pênaltis em Kun [Aguero] e Otamendi... Cansaram de apitar pênaltis bobos na Copa e hoje não viram o VAR em jogadas claríssimas. O Brasil jogou em casa e hoje comanda muito a Conmebol. Assim é complicado. Não é desculpa porque fizemos um trabalho muito bom, mas precisamos falar porque aconteceu. É uma realidade e nos machuca que não tenhamos o nosso trabalho respeitado”, esbravejou com certa dose de exagero em alguns pontos.

Diferente, acima de tudo, porque apesar de ter deixado o campo cabisbaixo demonstrou vontade de se levantar para seguir a luta. Especialmente em nome de atletas bem mais jovens que o veem como grande ídolo e exemplo. Abandonar a seleção argentina? Este discurso, já usado anteriormente pelo camisa 10, sequer foi cogitado.

(Foto: Getty Images)

“Temos futuro e uma base muito grande que precisa de tempo. É preciso respeitá-los. Estes garotos fizeram um sacrifício enorme. A Argentina tem material para seguir a crescer (...) Além do resultado hoje demonstramos estar à altura. Acho que fizemos um grande jogo. Fizemos um grande esforço e eles [Brasil] não foram superiores a nós”, observou. “Se eu tiver que ajudar de alguma forma, vou fazer. Eu me senti muito bem com este grupo”.

Messi ainda tem o insosso jogo de terceiro lugar, que, convenhamos, de nada vale para a Argentina. Portanto, se mais uma vez não conseguiu levar a Albiceleste ao título, a sua grande conquista nesta Copa América foi ter mostrado ao mundo que hoje ele é um líder: canta o hino, defende publicamente seus companheiros, reclama de arbitragem e não pula do barco.

Ano que vem tem mais uma Copa América.

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