Manchester City é o clube perfeito para Guardiola trabalhar

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Getty Images
Ao contrário do que acontecia no Barça e Bayern, especialmente, sucesso doméstico em um clube que no passado era "primo pobre" é mais valorizado

Nunca um time do futebol masculino teve uma dominância tão absoluta na Inglaterra quanto este Manchester City 2018-19. A equipe treinada por Pep Guardiola levou para casa todos os quatro troféus colocados à disputa: Community Shield (a menos valorizada Supercopa), Copa da Liga, Premier League e neste sábado (18) garantiu a FA Cup após golear o Watford por 6 a 0 dentro de Wembley – igualando a maior vitória na final da competição, no ano de 1903.

O desempenho reforça a figura de Guardiola como um mestre das conquistas domésticas. Ao longo de apenas 10 anos de carreira, divididos também com Barcelona e Bayern, o catalão foi campeão de 15 das 23 competições nacionais que disputou. Na Espanha levou a melhor em cinco de oito certames, na Alemanha triunfou em quatro de seis e em sua terceira temporada na Inglaterra já comemorou cinco das oito disputadas.

A equipe de Guardiola ganha, e faz isso apenas da sua maneira: com muita posse de bola, criando oportunidades, finalizando e deixando o adversário desconfortável para fazer o mesmo. Somente nesta temporada, o City ocupa a primeira posição no ranking destes aspectos citados que, na teoria, deixam as equipes mais perto das vitórias. E faz isso na liga nacional mais disputada e difícil do mundo.

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A grande questão para Guardiola está na Champions League. Logo em sua primeira temporada como treinador de um time profissional, 2008-09, ele ajudou o Barcelona a conquistar a Orelhuda. Repetiu o feito em 2011, com aquele time de Messi, Xavi e Iniesta atingindo o seu máximo em questão de desempenho. Depois que deixou o Camp Nou, tirou um ano sabático antes de chegar, em 2013, ao Bayern de Munique com a missão de manter os alemães, que meses antes haviam conquistado o torneio europeu, no topo do continente.

Mas desde aquela temporada 2010-11 jamais voltou a disputar uma final europeia.

As três temporadas no futebol alemão talvez tenham rotulado Guardiola como uma decepção na Champions League, algo tanto fruto das gigantes expectativas criadas em relação a um dos técnicos mais influente da história quanto, também, pela sua grande dominância doméstica. As quedas sucessivas nas provas continentais foram o combustível perfeito para os seus críticos diminuírem, por causa do contraste, as outras conquistas. No Bayern foi difícil evitar este rótulo, uma vez que o gigante da Bavária tinha como objetivo manter o domínio continental. A equipe de Munique já tinha o seu status de gigante construído décadas antes.

Guardiola também chegou ao Manchester City para levar o “novo rico” do futebol inglês ao título da Champions League: caiu uma vez nas oitavas e outras duas nas quartas. Aquém do esperado, e quando falamos do treinador catalão a expectativa é sempre alta. Mas existe um fator no clube inglês que não existia no Barcelona ou no Bayern: a falta de um passado como gigante do futebol. O City era tradicional e até tinha os seus títulos antes do dinheiro árabe entrar na jogada, mas sua realidade era transitar entre as divisões. Aquele “primo pobre de Manchester” era para muita gente mais famoso por ser o time dos irmãos Gallagher, do Oasis, do que pelas conquistas.

Ou seja: colecionar todas as taças possíveis tem o seu valor para uma torcida que passou a comemorá-las, com maior consistência, apenas nos últimos anos. Não é igual ao Bayern, que conquista a Bundesliga com a naturalidade de quem bebe água. Ou até mesmo a Juventus, que nos últimos dias demitiu o técnico Massimiliano Allegri tendo no insucesso para conquistar a Champions League a sua maior motivação. Sob o comando de Guardiola, o City conquistou a Premier League da última temporada somando um número recorde de pontos (100) e revalidou a sua posição, semanas atrás, após disputa épica com o Liverpool.

Os títulos domésticos não são vistos como ‘mais do mesmo’ para torcedores do City. A Champions League obviamente segue no radar, independentemente do que o treinador possa dizer, mas no Manchester City Guardiola também é o construtor de um legado que, tanto no Barcelona quanto no Bayern, já existia antes dele. Exatamente por isso que podemos dizer, sem dúvidas, que o City é o melhor clube possível para Guardiola estar.

2018-19 Posse de bola Chutes a gol Gols
Man.City 67.4% 430 169
Considerando os principais times da Europa, o City lidera em todos os quesitos acima (Fonte: Opta Sports)

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