Jochen Sauer caminha pelo hall de recepção do impressionante Bayern Campus. É ali que funciona o centro de formação que lapida os diamantes entre os jogadores mais talentosos do Bayern de Munique, embora o complexo ainda seja relativamente recente. Em 2017, a construção da instalação de treinamento ultramoderna havia acabado de ser concluída.
A criação do lugar não surgiu do nada. Na década anterior, o Bayern estava insatisfeito com o baixo número de jovens que conseguiam chegar ao time principal. Na prática, David Alaba havia sido o único grande produto recente da base do clube ao longo de muitos e muitos anos.
“Nos últimos anos, os resultados do nosso departamento de base não foram bons”, admitiu o então presidente Uli Hoeness naquele mesmo ano. “Nenhum jogador chegou perto do time principal. Mas o novo Bayern Campus será uma resposta à loucura do mercado de transferências e aos salários absurdos de hoje.”
Nove anos depois, está claro que o investimento valeu a pena. Jamal Musiala é a prova incontestável disso, enquanto o talento de 17 anos Lennart Karl é a evidência mais recente. Além disso, Josip Stanisic e Aleksandar Pavlovic também se consolidaram como titulares e fazem parte das seleções de seus respectivos países.
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Portanto, há todos os motivos para Sauer, diretor de desenvolvimento de futebol e gerente do Bayern Campus, estar satisfeito. “Quando começamos, dissemos que não queríamos entrar na loucura das taxas de transferência absurdas”, afirmou ele ao T-Online. “Hoje, Musiala é um jogador avaliado em €100 milhões, e esse é um primeiro passo na direção certa.”
A expressão confiante, porém, muda quando o nome de outro ex-talento do Bayern é mencionado: Angelo Stiller. O meio-campista do Stuttgart também costumava circular pelas instalações de treinamento de última geração dos bávaros quando era jovem.
“Algo como o que aconteceu com Angelo Stiller nunca mais pode acontecer conosco”, diz ele, com semblante sério. Sauer aparenta grande frustração. “Angelo passou por todas as categorias de base do campus, chegou até a terceira divisão e depois saiu de graça para o Hoffenheim. Deveríamos ter colhido resultados melhores do nosso programa de formação.”
Stiller passou onze anos na base do Bayern, clube que ele e sua família sempre manterão no coração. “Foi intenso e educativo”, contou anos depois à Sports Illustrated. “Você recebe um treinamento técnico e tático de altíssimo nível e é extremamente exigido. Foi perfeito para o meu estilo de jogo.”
O gigante alemão também incute uma mentalidade vencedora em seus jogadores desde muito cedo. Stiller admirava uma das grandes estrelas do futebol. “Certa vez, Arjen Robben gritou com um jogador do time sub-23 durante um treino, apenas porque ele errou um passe. Aquela atitude realmente me marcou. Ainda bem que não fui eu o alvo dos gritos, haha.”
Apesar disso, Stiller não fazia parte dos planos do então treinador do Bayern, Hansi Flick, que ainda assim lhe concedeu seus primeiros 65 minutos no futebol profissional. Quando o Bayern reforçou o elenco com mais dois meio-campistas, Marc Roca e Tiago Dantas, Stiller ficou profundamente decepcionado. “Foi como um tapa na cara”, admitiu à Sky Magazine.
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“Eu esperava ter a chance de treinar com o time principal. No último dia, fiquei sabendo pela imprensa que haviam contratado jogadores para a minha posição. Claro que isso não me deixou feliz.” O Hoffenheim o contratou — e essa transferência esteve longe de ser um acaso.
Sebastian Hoeness havia acabado de assumir o cargo de treinador principal do clube. Hoeness, que anteriormente comandara e trabalhara com Stiller no time sub-23 do Bayern de Munique, tratou de levar imediatamente o meio-campista para lá, em uma transferência sem custos. Poucas parcerias entre jogador e treinador são tão entrelaçadas quanto as de Hoeness e Stiller.
Quando o Stuttgart contratou Hoeness junto ao Hoffenheim, em abril de 2023, não foi difícil imaginar quem o técnico levaria consigo para o novo clube. Exatamente: Stiller. Não surpreende, portanto, que ambos só tenham elogios um para o outro.
“Ele tem qualidades táticas incríveis no centro do meio-campo”, diz Hoeness sobre seu armador de confiança. Quando Stiller não foi convocado para a seleção alemã em novembro, Hoeness não escondeu sua discordância em relação à decisão de Julian Nagelsmann. “Fiquei muito surpreso!”
E o sentimento é recíproco. Stiller demonstra grande admiração por seu treinador. “É muito especial jogar sob o comando do mesmo técnico durante toda a carreira”, afirma. “Ele conseguiu no Stuttgart algo que ninguém mais teria conseguido. Isso diz muito, eu acho.”
Juntos, eles viveram grandes momentos de sucesso no futebol alemão. Na temporada 2023/24, o time terminou em segundo lugar, atrás do invicto Bayer Leverkusen, mas à frente do Bayern. No ano seguinte, a nona colocação foi menos impressionante, mas a conquista da Copa da Alemanha e algumas noites memoráveis na Champions League mais do que compensaram.
No Stuttgart, Stiller, hoje com 24 anos, construiu um nome de peso. Praticamente todos os grandes clubes da Europa o monitoravam na última janela. Manchester United e Real Madrid, em especial, demonstraram forte interesse em contar com o meio-campista.
Na capital espanhola, ele poderia muito bem se tornar o sucessor alemão de seu maior ídolo: Toni Kroos. “Para mim, ele é o melhor jogador alemão de todos os tempos. Ninguém pode substituí-lo!”, disse Stiller em entrevista ao BILD.
Os dois também compartilham semelhanças dentro de campo. Ambos são armadores extremamente inteligentes. “Toni e eu temos um estilo de jogo parecido”, observa o próprio Stiller. “Assim como ele, tento marcar o jogo com os meus pontos fortes.”
Atuando como volante, Stiller está entre os melhores passadores progressivos da Europa. Com média de mais de três recuperações de bola no campo adversário por partida, ele também demonstra sua excelente leitura de jogo.
Mesmo sem uma presença física imponente, sua inteligência frequentemente o coloca um passo à frente dos adversários. “Ele é um estrategista”, resume Hoeness. “Consegue ditar o ritmo do jogo. E isso não é algo que se vê com frequência no futebol.”
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